Posts de abril \29\UTC 2010

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Sobre ser mulherzinha

abril 29, 2010

No ano novo, eu fiz uma promessa: escutar as encheções da minha mãe e ser menos relaxada com a minha aparência. A minha pouca vaidade – ou a ausência total dela, como queiram preferir – já tinha feito todas as minhas coleguinhas acharem que eu era lésbica desde a sexta série até… bem, eu ainda não sei se elas hoje acreditam que eu sou hetero.

meu esmalte feliz ^^

Isso não vem ao caso; fato é que eu tenho ÓDIO  de salão de beleza. Ao longo do tempo, aprendi a fazer minhas unhas. Só as minhas unhas, inclusive. Pintar de trás pra frente é quase impossível pra mim.

Ao longo do tempo, desenvolvi um apego ao meu cabelo, apesar de raramente fazer qualquer coisa ousada nele. Maquiagem era quase palavrão na minha vida; sempre usei no máximo uma vez a cada dois meses. A promessa no ano novo fez o mundo mudar: todos os dias – exceto quando estou aqui na roça – passo alguma maquiagem, sombra, base, rímel, etc.

Mas a verdade é uma só: por mais eu faça bons progressos, permaneço macho. A verdade caiu em mim hoje, quando minha mãe e eu resolvemos fazer umas compras. Ir nessas Pernambucanas da vida, farmácia especializada em tintura de cabelo… Concluo, já no fim do dia, que só posso ter uma falha genética.

Sinceramente: quantas cores de verdade existem pra cabelo? Qual é, afinal, a diferença entre o marrom dourado e o chocolate? E qual a diferença do café intenso pro castanho claro? QUANTAS CORES DE CABELO DIFERENTES TEM DE VERDADE NESSA IMAGEM?? ->

Pode rir, mas isso pra mim é sério. Tudo que mulherzinhas fazem, exceto fofocar, pra mim é um eterno sofrimento. Usar salto alto, depilação… Mas o que mais me choca é a abrangência do expectro de cores feminino; é de desafiar qualquer designer. Como elas podem ver 27 tons entre castanho claro e castanho médio?

Depois de derrotada pela minha mãe, escolhi um “tonalizante” loiro escuro – mas o cabelo na caixinha era CASTANHO – sob a alegação de que ele, claro, não vai pegar (porque nenhuma cor pega) mas vai dar um ótimo brilho. ¬¬

Passei então pelos esmaltes, depois pela maquiagem. Fiquei lembrando dum tanto de roupa que eu vi hoje nas lojas de Pirassununga… Sério mesmo, essa variedade é só ilusória. Não é possível! Não estamos escolhendo realmente uma cor de cabelo, e sim um tom com sobretom e outro bilho invisível, todos já pelo ralo em um mês. Eu não sei lidar bem com isso. Fato.

“]meu vestido novo

meu vestido novo =

Roupa, cabelo, unha, maquiagem, sapato, bolsa, acessório. É de enlouquecer qualquer um! É impossível balancear tudo, alguém me ajuda! Quero dizer, até que ponto TANTA personalização é realmente uma espécie de construção de identidade? Como é que o fato de eu usar sempre esmaltes roxos, azuis, laranjas e ocasionalmente vermelhos me define?

E poxa, qual é diabos a diferença entre o marrom dourado e o chocolate????

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ENEM e Vestibular

abril 25, 2010

Uma das coisas que eu faço na faculdade já faz bastante tempo é a representação discente. Desde 2007, 2008, participo de reuniões administrativas na FALE. Isso inclui a Congregação, que é o órgão deliberativo mais alto do curso. Nele sempre houve quatro vagas para alunos; no entanto, durante muito tempo só fomos eu e o André, amigo meu. Essas reuniões são muito ocasionais, sempre às sextas-feiras, e raramente tem mais de uma por mês, que dirá duas em duas semanas.

No entanto, anteontem os representantes dos funcionários, alunos e professores foram chamados a outra reunião, depois de ter tido uma na sexta anterior. Na pauta, apenas um item: adoção do ENEM no Vestibular da UFMG.

O pedido havia chegado da reitoria – cuja nova gestão começou há cerca de um mês – e pedia um parecer das unidades até dia 28 de abril. Como nessa próxima semana a UFMG não vai funcionar em plena forma por conta da Mostra das Profissões, lá estávamos nós.

Havia duas propostas na mesa. A primeira vinha da COPEVE (a comissão organizadora do vestibular da UFMG, pra quem não conhece): a nota da primeira etapa seria dividida meio a meio: metade do peso viria da própria prova que nós já temos, a outra metade viria do ENEM. A segunda etapa continuaria a cargo total da UFMG. O candidato, nesse formato, não tem a opção de não fazer o ENEM, e contar só com a nota do vestibular elaborado pela COPEVE: teria sim que fazer os dois, pra sua nota não cair pela metade.

A segunda proposta foi elaborada durante uma reunião realizada ainda mais às pressas que a reunião da Congregação na qual eu estive: os diretores de unidades de toda a universidade elaboraram uma idéia na qual a primeira etapa toda ficaria a cargo do ENEM, enquanto a segunda etapa ficaria a cargo das unidades, e cada uma então estabeleceria como filtraria os alunos aprovados para a segunda etapa.

Vou disponibilizar em anexo uma carta que nós recebemos levantando muitos contras sobre o uso do ENEM, mas ainda assim sendo favorável à adoção da prova. Ela cobre a maioria dos pontos levantados durante a discussão, que levou uma hora e vinte minutos, regados a Guaraná Antarctica quente e salgadinhos de queijo, daqueles que não dá pra mastigar com dignidade na frente de outros professores.

Disseram que usar o ENEM fortaleceria a seleção para o vestibular como um processo nacional. A prova é aplicada num número altíssimo de municípios no país todo. Dessa maneira, um aluno em qualquer lugar do país teria acesso ao vestibular da UFMG, que é conhecida como a melhor universidade federal do país, só com a sua notinha e com uns cliques de internet pra selecionar a universidade desejada. Bom, pra todo mundo que já passou em vestibular na vida fica bem claro que ser aprovado em uma prova acaba sendo o mais simples. É lógico que a satisfação de passar num vestibular fudido te dá força e ânimo pra muita coisa, mas não faz milagres. No caso específico da UFMG, a assistência estudantil já está enfraquecida desde a “brilhante” vitória do DCE ao derrubar uma muito questionável taxa de matrícula que todo aluno pagava quando fazia matrícula na UFMG, e depois todo o semestre. Perder duzentos reais semestrais de 80% dos alunos matriculados – porque os assistidos não pagam, claramente – foi um golpe severo à assistência feita por fundação, que já tinha seus problemas quando não tinha o número aumentado de alunos pra cuidar, graças ao REUNI. Mas o REUNI não é assunto de hoje. Recapitulando, já está foda do jeito que está. É muito bonito dizer que tem muita gente procurando a UFMG do país todo, mas não adianta se só vai vir filho de burguês, porque filho de pobre não vai dar conta de se virar por aqui – salvas as exceções, que sempre existem pra alimentar o contra argumento. Outro efeito horroroso disso: isso acabaria elitizando a UFMG muito mais do que democratizando. Deixar passar um aluno não garante em absolutamente nada a permanência dele na universidade. Teríamos, além da fantástica nata mineira de filhos de diplomatas, engenheiros e advogados, a nata de filhos de diplomatas, engenheiros e advogados e todo o país. Como diz uma amiga, rico paga cursinho, paga escola particular, mas não paga universidade. Não interessa se é na federal da Bota do Judas, mas ainda federal.

Houve também quem dissesse na reunião que o ENEM não devia ser visto como vestibular, já que há uma tendência de que ele se transforme em um exame exigido para ser aprovado no Ensino Médio. Bom, não dá pra não tratar ele como vestibular se você nos propõe usar a nota dele pra colocar o cidadão na universidade, né? Não sei se quem aguentou ler até aqui já fez ENEM – eu fiz em 2005 e 2006, segundo e terceiro ano. Sinceramente? Isso até falei lá. Aquilo não testa seu ensino básico, porque o ensino básico está séculos atrás do que é exigido lá. Também não é um vestibular, porque não seleciona de forma imparcial: ENEM não passa de uma prova de resistência, especialmente se você considerar o novo formato. Muito lindo você ter uma prova interdisciplinar, organizada em áreas. Mas que ser humano normal vai fazer 200 questões em dois dias, mais uma redação, com seis horas diárias? Isso só factível pra quem teve treinamento apropriado, não adianta. O engraçado dos argumentos contra cursinhos pré vestibulares é que adotar o ENEM só faria a coisa igualmente triste: não custa nada o Pré-UFMG virar Pré-ENEM. E, ainda por cima, os cursinhos estarão robotizando os alunos de uma maneira muito mais limitada e militar do que já robotizam, ao preparar os alunos pro vestibular elaborado pela COPEVE. Quanto a isso, nenhuma mudança prática existiria na máfia do ensino e ainda por cima seria pior, já que a filosofia de exame da COPEVE permanece mais decente que a do ENEM, questionável, inconsistente e ainda por cima pouquíssimo confiável.

Nisso eu quero inserir um viés pessoal: além dos dois ENEMs que eu fiz, ainda me inscrevi em: duas das três etapas do vestibular seriado da UFU, o PAIES (primeiro e segundo ano), dois vestibulares da USP (um como treineira no segundo ano e um no terceiro, pra Relações Internacionais), uma UNESP e uma UEL no terceiro, junto da UFMG. De todas essas provas, nenhuma me exigiu menos decoreba e mais manipulação lógica de informações do que a UFMG. Simplesmente não consigo entender porque você troca uma prova mais bem feita por uma mais feita, se as alterações práticas no modo de seleção serão pra pior ou nulas.

Se você pensa que o processo particular da UFMG é regionalista e etecetera, que a COPEVE tem vários defeitos sérios, eu concordo plenamente. Mas pense por um momento em todos os processos seletivos que existem. Vestibulares, entrevistas de emprego, exames, SAT’s americanos, análise de currículo pra entrar em Yale ou Harvard. Pense em todas as suas notas da sua vida. Algum desses métodos é 100% confiável e justo? Desistamos da idéia de que vamos chegar a um processo maravilhosamente justo e democrático, por favor. Um pouco de realismo nesse caso pode nos ajudar a encontrar uma opção menos pior. Como uma das professoras colocou na sexta, isso acaba revelando um viés de decisão política: não acatar o ENEM protege sim, os mineiros, se você pensar que manter o fator geográfico (você tem que ir pelo menos até o estado de MG pra fazer o vestibular) já exclui muita gente da seleção, ao passo que acatá-lo seria um empurrão pra tentar estimular um processo unificado. Essa idéia é muito interessante, na verdade, mas é impraticável da maneira como o ENEM é hoje.

Outro viés político, não mencionado por essa professora, mas por vários, foi que houve, sim, uma coação de cima para que a Congregação da FALE acatasse uma das duas sugestões. Isso foi exercido de maneiras sutis, sim, e inclusive nos foi dito em alguns momentos que era estúpido recusar ambas as propostas, pois isso nada acrescentava ao debate. Em certas partes, a impressão de que a nossa hora e meia foi praticamente gasta à toa, já que a decisão final não é das unidades, e sim do Conselho Universitário, do CEPE, etc. Mas, pra meu orgulho do senso de realidade da maioria dos professores da Letras, ambas as propostas foram negadas. Ainda que a longo prazo tudo aquilo não signifique nada, e ainda que acabemos adotando uma prova que não aprovamos pra selecionar os alunos na FALE e em toda universidade, a posição da Congregação da Letras significa alguma coisa: é oficial e tem o direito de ser ouvida, assim como DAs e DCEs.

Bem, é isso. Quero deixar claro que toda a argumentação aqui é tudo menos imparcial: é minha opinião mesmo e dane-se, o blog é meu. Porém, obviamente, opiniões são bem vindas; quanto mais discussão sobre o assunto, melhor.

Carta do Fórum de Processos Seletivos

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Aventuras cibernéticas

abril 21, 2010

Com mais de um ano de atraso, formatei o meu computador.

E sim, isso vale um post!

O coitadinho estava há mais de um ano pedindo um dia de spa, incluindo desintoxicação, emagrecimento, uma massagem de boa, sem vírus. Depois de muito drama,  consegui fazer o backup dos drivers e consegui o cd emprestado do meu Windows XP.

A quantidade de tutoriais que eu abri na internet não tem limite. Pesquisei sobre drivers, formatação, partição, tudo. Fui atrás de ver  como meu computador querido ficaria depois. Queria, uma vez na vida, ligar o Desgragmentador de Disco só pra ver aquela mensagem: “você não precisa desfragmentar este volume”.

Mas bem, vamos às dicas. Se você está na mesma situação na qual eu estava até hoje de manhã, tem alguns programas que podem te interessar.

DriverMax: se você é pirata feito eu, não tem o CD do seu computador e muito menos ouviu falar de instalar drivers, esse programa é uma mão na roda. Ele é leve de baixar, e magicamente prepara um backup de todos os seus drivers. Funciona assim: antes de formatar, você o instala, faz o backup num HD externo, pendrive ou CD e deixa lá junto com o pacote de instalação do programa que você baixou. Assim que você iniciar o computador pela primeira dez depois de formatar, instale o programa de novo; selecione a opção de reinstalar drivers a partir do backup e selecione a pasta onde você salvou tudo antes. Miraculosamente, seu computador fica pronto.

Opera: é um bom navegador pra quem ainda não confia no Google Chrome, que eu usava antes. Funciona no maravilhoso esquema de abas, não tem home page e sim o ranking das páginas mais acessadas, com a diferença de que é muito mais rápido e muito mais seguro. Até agora, não deu pau nenhuma vez, o que acontece com uma frequência filha da puta em usuários do Chrome.

É claro que mantenho recomendações lugar-comum, tipo Firefox – é bom ter dois navegadores, por isso uso Firefox e Opera (ESQUEÇA o IE), além dos antivírus.

Quando chega a hora de escolher um anti vírus, você tem algumas opções. Tem gente que gosta muito do Avira, mas sabe, ele já me deixou em grandes apuros por não detectar um vírus. Fui salva pelo Avast!, que é o meu escolhido até hoje, mas já usei também o  AVG e o Essentials. Descartei o AVG porque o mecanismo de atualização dele, apesar de frequente, é o mais irritante da face da Terra. Quanto ao essentials… Não tenho reclamações dele, mas o problema é que ainda não consegui validar meu Windows e a Microsoft não me deixa instalá-lo – e quem vier com a dica velha do regedit, THANK YOU, não tá funcionando. Aliás, aceito idéias alternativas pra validar meu windows – preguiça eterna.

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Nota sobre um vício.

abril 19, 2010

Lembram quando eu disse antes que sou beeeem ruim com finais?

Bem, acabei de pensar melhor e quero colocar mudanças nessa lista, também.

Acabo de ver o primeiro episódio da quarta temporada de House e descobri que simplesmente o time acabou: quero dizer, sem mais Chase e Cameron, sem mais Foreman? *crise de desespero*

Corri pra Wikipedia. Ela deu um tapinha no meu ombro, riu de leve, e me contou que eles continuam aparecendo. E estou pressentindo um mimimi duradouro enquanto tento ver os próximos episódios e dar uma chance pros novatos. Bosta, nem de personagens de SÉRIE eu consigo me separar.

Sorte que eu tô fazendo duas matérias. Se fossem seis, igual semestre passado, mais namoro, mais trabalho, bem, digamos que eu agora estaria desempregada, teria tomado meu pé na bunda ainda antes e trancaria 4 matérias, ao invés de uma. Sério, só comece a ver uma coisa dessas (aka House) se puder.

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C-C-C-Combo de Micos!

abril 13, 2010

Não sei se tem algum recorde pra mais vexação em pouco tempo. Hoje, em menos de 100 minutos, eu fiz coisas inacreditáveis.

Primeiro: Faz um bom tempo que eu tenho uma quedinha por um professor que dá aula de italiano no mesmo lugar que eu, mas ele é serião e vai embora logo depois de dar aula. Descobri que ele tá aula ao lado da salinha dos estagiários, então hoje, dez minutos antes da aula, fui pra lá estrategicamente. O mocinho estava lá, mal notou minha existência como sempre, não me abalei. Amor platônico é pra isso mesmo. Uma vez que ele saiu, resolvi que era hora também de ir pra minha literatura. Quando saí, dei aquela olhada significativa pra sala dele, e quando me virei de volta pro corredor, vi uma moça que achei que fosse uma amiga minha, cansada de saber da minha paixonite.

Pois bem: quando vi que era ela, fiz uma firula depois de passar pela sala dele, me joguei na parece e fiz uns gestos ridículos de paixão. Abri a boca pra dizer: “Fulaaaana… como esse homem é bonito!”, mas antes que eu falasse qualquer coisa, vi que não era ninguém que eu conhecesse.

O que fazer? Balbuciei, morrendo de vergonha, um ‘nossa! achei que você fosse outra pessoa! heheh…’. Mas não satisfeita em não ser amiga minha, ela ENTROU NA SALA dele! É aluna do dito cujo!!

Segundo: Resistindo a pular do quarto andar, insisti e fui pra aula. Depois de meia hora vendo a professora clicando em reiniciar quando o botão certo era cancelar, não sabendo abrir um vídeo – baixado em .flv, diga-se de passagem! Nem pra baixar vídeo do youtube direto em AVI! – estressei e fui comprar um sanduíche. Voltei com meu sanduíche pra sala de estagiários, fiquei conversando com um pessoal do alemão, depois de passar de novo pela sala do homem e conferir que ele estava falando com a turma, fazendo qualquer coisa. Contei aos três do alemão que lá estavam meu primeiro mico, com minha linda voz retumbante de descendente de italianos. No fim, um deles virou pra mim: ‘Que bom que você contou aqui, Amanda… A turma dele tá fazendo prova, num silêncio mortal, e ele deve ter acabado de ouvir cada palavra sua.”

Terceiro: engoli a vergonha mais uma vez e voltei pra aula, já esquecida dos problemas de inclusão digital da professora. Hoje e na próxima aula vamos falar de um romance, Lord of the Flies, e eu li quase nada hoje dele, ainda que desse pra acompanhar a aula de forma minimamente satisfatória. Em determinado momento, todos começaram a discutir alegorias, e o que cada personagem representava nessa interpretação; foi quando a professora disse: “Por exemplo, o Roger, lembram? Aquele que mata o Piggy…”

Do fundo da minha alma, antes que eu pudesse controlar meu impulso doidão de expressividade: “óóóóóóunnnnn”, gemi, tão alto que a sala INTEIRA morreu de rir de mim. Não foi pouco não,foi muito. Eu não conseguia parar de rir, seja de humilhação, de remorso, nervoso, qualquer coisa. Já que tá no inferno, abraça o capeta, ainda acrescentei, no meio da cascata de risos. “Mas o Piggy era o melhor…”

Sim, Brasil, humilhação não tem limite. Não achei uma imagem que expresse adequadamente minha derrota. Aceito sugestões.

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Wake up and Smell the Coffee

abril 11, 2010

Tem coisas que acontecem à volta da gente que chamam à atenção pra como é a realidade. Bom, não quero e não vou entrar na metafísica da coisa, questionar o que é realidade nem nada, porque nem tenho cacife pra isso.

Há quase um ano, uma moça se matou na faculdade, da Biblioteconomia. Eu lembro porque estava chegando na Letras, oito e pouco da manhã. Tinha um mundo de gente parado, olhando pra graminha do lado do laguinho da biblio, onde tinham aberto a roupa da moça e uma equipe do SAMU estava tentando reanimar. Tinha uma tensão no ar; ouvi alguém dizendo que ela tinha pulado do quarto andar. Todo mundo estava com a respiração meio suspensa; eu vi o peito dela se encher de ar, depois o meu de esperança; segundos depois a equipe começou a guardar os equipamentos e a cobrir o rosto da moça.

Eu nunca tinha visto antes um último suspiro. Quando a minha vó morreu, eu estava em Diamantina. Não vi morrer, não fui no enterro, nem nada. Eu tinha visto, sim, quando três dias antes, na minha cidade natal, a ambulância veio buscá-la pra internar pela última vez. Por que na hora eu sabia que era a última vez?

As coisas acabam. Morte é uma das coisas que mais faz pensar nesse tema, lógico.

Por que customizar uma janela de banheiro de buteco?

E sei lá… Tem amor, também. Dizem que se morre, não era amor. Mas quem tem, de novo usando a palavra, cacife pra afirmar isso? Eu não sei lidar bem com o tanto que as coisas são passageiras. “Fim” de amor pra mim é uma experiência de quase morte. Ou melhor dizendo, morte parcial. Ao mesmo tempo que cria um buraco negro, fica vagando em algum lugar. Tipo no subconsciente, atormentando seu sono. Não sei se ser feliz em sonho é bom. Na verdade não é que não sei, é que não acho mesmo. Fui feliz em sonho essa noite. Acordei duas vezes mais deprimida, nada daquilo existe. Será que existiu?

Golpes de realidade são dolorosos. Esses aqui são poucos, mas todos os dias eu vejo isso acontecendo na vida das pessoas. Queria fazer algo, como queria que fizessem por mim.

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Abril

abril 8, 2010

O frio finalmente chegou, quando ninguém mais acreditava que ele voltaria um dia.

E com ele veio uma chance.

Quem sabe? Quando ele for embora, talvez eu vá com ele.

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Feliz feriado zumbi cristão

abril 4, 2010

Antes de tudo, uma dica: se você é pobre como eu, mas não quer ficar sem chocolate na “páscoa”, ao invés de comprar um ovo caríssimo de Ouro Branco, dê uma passada no corredor de chocolate. Peguei três barras das grandes e uma caixa da Arcor na promoção por metade do preço – e o dobro de felicidade feminina no plástico! =]

Bom, eu sou agnóstica. Quer dizer que eu não sei. Ontem um amigo meu disse que ser agnóstico é a única maneira de estar certo sobre a questão universal da existência ou não de deus. Bom, o argumento dele foi bom, mas eu acho o contrário: ser agnóstico é ter certeza que você está errado, porque não existe mais ou menos deus, ou dúvida de existir. Ou o fulano existe, ou não. Como não tomamos uma decisão a esse respeito, eu me considero errada desde o começo.

Uma vez eu li uma matéria muito engraçada na internet sobre isso, que tem uma idéia que meio que tenta pensar no mais lucrativo para a “alma”, por bizarro que isso pareça. Cito: “Se não há Deus, teístas e ateus/agnósticos simplesmente cessarão de existir quando morrerem. Se há um Deus, ateus e agnósticos terão Alguém a quem prestar contas quando morrerem. Deste ponto de vista, definitivamente faz mais “sentido” ser um teísta do que um ateu/agnóstico. Se nenhuma das posições pode ser provada ou deixar de ser provada, não parece mais sábio fazer todo o esforço necessário para acreditar na posição que poderá ter um resultado final infinita e eternamente mais desejável?” Link.

Bom, claramente agnósticos têm um problema de fé. Pelo menos comigo é assim. Não acho que a gente escolhe acreditar, não. Parece que é que nem escolher ser gay – você é assim e the end. Meus aplausos pra quem consegue conscientemente escolher ser religioso porque é mais lucrativo na possibilidade de almas e vidas além existirem. Me mandem um cartão postal.

O assunto não era exatamente esse. Na verdade, o assunto não era porra nenhuma, eu estava com saudade de escrever no blog e fiquei entre esse assunto, postar um comentário sobre a primeira temporada de House que acabei de ver ou escrever um post todo sobre meu amigo que foi pra Alemanha. Todos eles terão seu tempo.

Páscoa é bom porque eu estou comendo na internet já faz 4 dias. Se fosse uma semana normal eu teria feito isso só hoje e estaria achando muito ruim porque daqui a pouco escurece e o dia já acabou. É uma boa desculpa pra gastar dezesseis reais em chocolate, também. Mas enfim. Fico sempre imaginando como seria descrever os costumes dos feriados religiosos pra alguém que não tivesse idéia de convivência humana.  Ow, o cara morreu. O cara voltou. Pra sumir de nooovo!

brinks, to vivao!

A crítica não é exatamente ao cristianismo. Quero dizer, todas as religiões têm uns costumes que quando você olha de fora são muito doidões. Eu tenho dificuldade séria de acreditar. Em tudo! Em homem, em religião, em deus. Em amigos costumo acreditar porque o dano é pouco se eu estiver errada, mas enfim. Fikdik.

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