Posts de dezembro \29\UTC 2011

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Viciados em Opiniões

dezembro 29, 2011

É possível que alguém tenha opiniões demais?

Antes que você me diga que isso é uma pegadinha, porque parece, mantenha a calma. Sei bem que só de discutir o fato de que “opiniões demais” existem, já estaremos sendo muito paradoxais. Mas vamos tentar ignorar um dos dois únicos traços estilísticos da minha escrita nesse blog (o outro é falta de planejamento de texto).

Esse problema é muito comum nas humanas. A verdade é que nós nunca queremos estar errados. Nós nos damos bem com as palavras, e não nos cansamos de usá-las, mesmo que seja em situações nas quais elas são inúteis, repetitivas ou redundantes. Na verdade, esse traço de personalidade é que o nos faz perceber que pertencemos a essa área, antes mesmo de fazer o vestibular. Enquanto os professores de Geografia, de História e de Literatura insistentemente nos dizem pra questionar o que está em torno da gente, pra sempre suspeitar das fontes de informação, aprender a fazer as perguntas certas, é bem verdade que pouca gente acaba carregando isso. No caso particular dos alunos da UFMG, as pessoas que acabam criando esse vício em crítica e dissecação de argumentos acaba indo pra FALE, pra FAFICH e alguns pro IGC.

Mas a verdade é, opinião demais às vezes é uma coisa que enche o saco. Eu e meus amigos mais próximos temos esse problema. Ninguém nunca está errado. Nunca. Mesmo se eu quiser comprar um sutiã preto e a Aline achar melhor eu comprar um, sei lá, azul. Quem ouve conversas entre seres como nós deve pensar que estamos tentando salvar alguém do corredor da morte.

Eu não me lembro sempre de fazer isso, mas às vezes, em conversas, eu apenas me sento, apoiada no encosto – outro traço dos que tem opinião pra tudo: quem se inclina pra frente, põe os cotovelos na mesa de bar, pode ser um de nós – , respirando fundo. Sabe por quê? Às vezes é impossível conseguir uma brecha de meio segundo pra começar sua frase. É engraçado como o processo de turn-taking, essa coisa de quem fala depois de quem, pode ficar complicada quando seres das humanas estão discutindo algum assunto. Todos nós, veja bem, todos nós temos uma perspectiva. Mesmo se não tivermos opinião formada, vamos dizer: “Ah, mas uma vez alguém me disse que achava isso assim e assim”, só pra contribuir pra conversa e tentar validar (ou não) aquela opinião que você conhece, mas ainda não sabe se concorda. Às vezes nós ficamos bravos uns com os outros, porque não nos deixamos falar.

Estar errado é… ARGH! Impensável.

E olha que até agora eu apenas me ative a conversas de bar. Quando você está lidando com seres que compartilham o seu funcionamento, mas não são seus amigos… Ah, aí é guerra. Em discussões em sala de aula. Quando alguém com dificuldades cognitivas (momento eufemismo) ergue a mão numa aula de literatura inglesa e diz: “I think it’s ironic…”, em discussões políticas. Em reuniões! Nós nos sentimos compelidos a fazer algum pronunciamento. Mesmo que não seja a melhor opinião na mesa, queremos por tudo que ela não seja a pior.

Eu, particularmente, tenho esse sintoma agravado porque tenho problemas com ansiedade. Problemas sérios. Tá, não tão sérios. Mas digamos que eu PRECISO ser a primeira pessoa a entrar num ônibus, então quando ele se aproxima, eu faço mil contas e me posiciono sempre de forma que as portas abram bem na minha frente. Não consigo atrasar, me sinto mal, é quase físico. Quando tenho que acordar cedo pra um compromisso, como trabalhar, eu não durmo, porque minha cabeça continua a mil na escuridão, calculando todas as possibilidades de eu dormir demais e me atrasar, ou de tudo dar errado. Quando vou viajar, compro passagens com antecedência que varia entre dois meses a uma semana, mesmo quando há muitos voos, ou ônibus. É doentio.

Resumindo, pra gente é ainda mais difícil. Existem forças, plural, em ação para que você tente por tudo estar certo. Estar certo é uma droga. Deixa você preso numa nuvem de conforto, felicidade e arrogância, pra poder rir das opiniões ridículas dos outros. É um lado negro nosso.

Nas redes sociais, somos facilmente identificáveis. Na verdade, nas redes sociais um olhar aguçado pode até detectar gradações do vício. Sabe aquelas pessoas que sempre estão entrando em grandes argumentos? Que sempre estão em uma polêmica, mais ou menos entre a segunda ou terceira página do seu news feed? Gente que posta comentários com dois, três parágrafos, quando qualquer pessoa sã simplesmente pensa consigo mesma, “tl;dr”? Pois é. Somos alvos frequentes de trolls.

Agora, essa é particularmente pra quem compartilha desse meu problema: crianças, isso é desgastante. Respirem fundo. Tomem mais dois goles de cerveja, ponham as pernas pra cima. NÃO responda a trolls. Não responda a qualquer pessoa. Conheço gente que passa horas inteiras pesquisando perfis online de desafetos e entrando no tipo de discussão que eu acabei de descrever no parágrafo acima. Isso envelhece, viu? Eu sei que fomos treinados pra fazer isso por anos. Nós debatemos em sala de aula. Somos treinados durante a graduação e todos os níveis da pós pra criar teses que não tenham falhas. Mas pelamor, uma discussão sobre o se o estilo do Neymar é ridículo não precisa desse tipo de entusiasmo. Tenhamos calma.

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Mercado de Trabalho, meu novo monstro

dezembro 23, 2011

Um dos desafios aos quais eu me propus nos últimos seis meses foi trabalhar para entrar finalmente no mercado de trabalho.

Sim, o temiiiido mercado de trabalho. Aquele do qual quase todo bacharelando tem horror. Todo concursando tem horror.

Na verdade, eu não conheço ninguém que ache o mercado de trabalho a coisa mais divertida.

Desde antes do vestibular, a escola particular, pra me preparar para o mercado de trabalho. Eu tinha que saber coisas que não tem nada a ver hoje com a minha profissão, como química, física e biologia. Me disseram que eu ia precisar de tudo que eu conseguisse lembrar no mercado de trabalho, mas até hoje esses conhecimentos só tiveram duas utilidades: ganhar várias vezes todos os programas tipo Show do Milhão repetidas vezes, sentada no meu sofá e impressionando meus pais, e vomitando conhecimento inútil depois de algumas cervejas, o que acaba gerando nas pessoas à minha volta a impressão errônea de que eu sou uma pessoa mais interessante do que pareço.

Na universidade, a gente descobre que se conseguir ser nerd o suficiente, não vai precisar passar pelo mercado de trabalho. Vamos formar, fazer mestrado e doutorado com bolsas, olha que simples. Esse sempre foi o meu plano desde uma tentativa ridícula de ser monitora do que eu depois descobri ser uma horrível escola de inglês do centro de BH, em 2008.

O que a gente de fora sabe do mercado de trabalho? Que ele é a quintessência do capitalismo. A qualidade do serviço nem sempre importa. Os resultados nem sempre importam. O que importa é o quanto você consegue demonstrar gratitude e admiração pelo dono de qualquer que seja o estabelecimento onde você trabalha. Resultados e competência são secundários. Outra coisa muito comum no mercado de trabalho: entrevistas de emprego.

Entrevistas de emprego são uma amostra nojenta do que você está enfrentando. É o que faz você perceber que você está sinceramente se esforçando pra vender a sua dignidade. Aquela pessoa senta na sua frente, com uma prancheta, um papel em branco, uma caneta e uma poker face. É aqui que elas testam a única coisa que elas realmente querem testar para assinar ou seu contrato ou a sua carteira:

“Por que você quer trabalhar pra gente?”

E gostaria de informar, que por mais que eu queira, por mais que eu tenha me prometido nos últimos anos, ainda não consegui ter as bolas pra responder “Pra ganhar dinheiro”. Porque é isso que você quer responder, mas você tem que dizer que a empresa é muito respeitada, tem um grande know-how, é indicada pelos seus colegas de profissão, bla bla bla.

Algumas são menos imbecis; menos imbecis porque nelas, pelo menos, a pessoa que te entrevista leu seu currículo. E, mais impressionantemente, porque às vezes eles querem mesmo discutir seu currículo. Aí é lindo. Mas quase nunca é assim. Por exemplo, recentemente eu fiz uma entrevista na qual me pediram para dizer o que eu faria em uma série de situações vagas e sem nenhuma restrição. “quando você ensinou algo novo a alguém”, “quando você lidou com alguém que estava sendo anti-ético” (ainda tem hífen?), “quando você resolveu que precisava seguir adiante”. E juraram que só queriam que eu respondesse com sinceridade.

Sinceramente? BULLSHIT.

Algumas pessoas tem facilidade de fazer elogios que não foram merecidos. Por mais eu condene, não deveria, porque isso faz com que elas tenham um emprego e eu não (não que eu esteja desempregada, vocês entenderam).

E mesmo que você passe pela grande análise de puxa-saquismo, você segue para um primeiro mês no qual todos os olhos estão em você, te esperando fazer cagada. Pra quem trabalha no ensino de língua como eu, isso te coloca muitas vezes em situações ridículas, porque no Brasil os alunos tem uma grande dificuldade de te enxergar como uma autoridade acima deles. Já que eles pagam, eles acham que mandam em você. As escolas de inglês no Brasil – e aqui eu não faço exceções, porque ainda não conheci uma – não só não combatem essa idéia, como incentivam. Reclame sim, por favor. Seu professor falou muito inglês em sala de aula? Pois é, imagina só, um professor de inglês que realmente fala inglês!

Quem dá aula em escolas, não cursos livres, passa por um inferno todo deles. Porque além de serem subordinados de grupos de 20 a 30 adolescentes mimados, ainda recebem outra responsabilidade que não lhes pertence, que é a de educar os filhos dos outros. De gente que tem filhos, mas que acha que o único lugar onde eles precisam aprender qualquer coisa, inclusive humanidade, é dentro dos quatro muros da escola.

Esse post todo zangado é pra dizer que sim, eu detesto o mercado de trabalho. E provavelmente um dia, algum contratante meu vai jogar meu nome no google, descobrir esse texto exatamente e me descartar de qualquer que seja a seleção. E me fará um favor, porque poxa, que tipo de gerente doente de RH joga nomes de candidatos no google?

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Solteira sim, sozinha sempre

dezembro 18, 2011

Aqui estamos, caros leitores: eu, uma garrafa de água com gás e meu ventilador apontado pras costas, madrugada adentro.

E hoje em dia quero soliloquar (GASTEI, HEIN) sobre as pessoas que namoram, esses seres alienígenas que convivem comigo diariamente, mas que guardam diversos segredos inatingíveis para pessoas, como eu, que se identificam um pouco demais com a imagem ao lado.

Como solteira há mais de dois anos, sem qualquer tipo de relacionamento exceto por um ou dois amores platônicos (acho que dois), da minha perspectiva os namorados tem acesso a algum tipo de felicidade que pra mim é simplesmente impossível de acessar. Não sei qual dos fatores tem um apelo maior: o sexo regular e muito bom (em longos relacionamentos, o casal se conhece bem e sabe o que o outro gosta, em tese), a segurança de aceitação sobre qualquer circunstância, o apoio incondicional naqueles dias ruins em que o ônibus atrasa, reclamam de você no trabalho e seu chefe é mais burro que você. E tem também o sexo.

Não que solteiros não façam sexo, ou que não façam quando bem quiserem. O que eu quero dizer é diferente: não só vai ser bom, como se não tiver sexo nenhum, dormir junto vai ser muito bom. Ver filme ruim também. Olhar o 9gag até ter que recorrer à página do vote também. O conforto dessa situação é totalmente diferente da tal da adrenalina dos one night stands.

Então, como todos os meus amigos mais próximos (quase) estão em relacionamentos de longa data, não só eu acabo ficando com preguiça de frequentar ambientes de solteiros “pra caçar” como acabo ficando com esse imaginário idealizado do solteiro, que só lembra dos namoros pelas suas coisas boas.

Esse é o ponto número um.

O dois: conheço umas três pessoas, pelo menos, que consistentemente pulam de namoro em namoro, com intervalos de um mês ou dois entre um relacionamento e outro, sendo que ela nunca passa muito tempo sozinha. Essas namoradoras profissionais (conheço mais homens que mulheres que aderem à prática) me rodeiam desde que sou adolescente. Eu achava que eu não era assim porque não era bonita, olha que bobagem. Que bom que a gente cresce, né?

Quando eu decidi falar sobre isso, eu tinha planejado falar do modo menos impositivo possível, mas afinal de contas, eu estarei mentindo se disser que eu aprecio esse tipo de atitude. As pessoas que conheço e aderem a essa necessidade de estar em um relacionamento, ao meu ver que pode perfeitamente estar errado, são mais fracas.

Pronto falei. Julguei, generalizei, fiz tudo que sempre prego contra. Me denunciem na safernet.

Existe vício em romance? Eu não sei se é pra mim que isso é mais ofensivo, porque sempre tento (e falho em) pagar de durona, de independente, etc. Talvez. Mas sempre que eu conheço essa pessoa, e num espaço de cinco anos ela não passou mais de dois meses solteira tendo estado, digamos, em três relacionamentos, eu acabo abstraindo que essa pessoa é fraca e dependente. Que a vida dela vive sendo desviada pra assuntos bobos relacionados com namoros jovens e que duram até seis meses, sempre desgastantes e sempre responsáveis por repercussões negativas em estudos e trabalho. Sob a minha perspectiva, eu acabo vendo essas pessoas namoradeiras como instáveis, nada confiáveis e ligeiramente necessitadas de atenção.

É claro que você pode pegar tudo que eu escrevi aqui e fazer outro texto sobre como a gente joga valores e preconceitos numa pessoa segundos depois de conhecê-la num bar, se ela te disser: “Eu namoro bastante, nunca fico sozinha”.

Ficar sozinho tem seus prazeres. É uma vida de menos adrenalina, mas não é como se conhecer um namorado pra mim seja uma mera questão de vestir algo bonito e sair. Não é qualquer pessoa que é namorável. Na verdade, quase ninguém é! Eu sempre me choco com o número de casais existentes, porque conhecer alguém que te atraia, que você atraia, que tenha interesses em comum e ao mesmo tempo tensão sexual, horários compatíveis, idéias políticas que não sejam dissonantes (isso pra mim é importante), etc, etc, etc é um evento tão raro que não deveria acontecer nunca!

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Graduação – Loading 90%

dezembro 4, 2011

São três da manhã e eu estou num ciclo de surtação interior que começou ontem à noite, quando saiu a oferta de matérias da Letras para o próximo semestre.

Estava eu, olhando e sentindo a vontade costumeira de me matricular em dez matérias, quando de repente percebi… que daquelas matérias, três apenas são as que eu devo fazer pra me formar no próximo semestre. Só de pensar nisso, meu sangue ainda gela embaixo da pele. E por mais que eu faça a matemática, eu sempre estou certa nas contas, sempre o mesmo resultado. Concluí as matérias de linguística, de literatura. Deprimente ou não, faltam duas matérias de ênfase da monografia e… gramática tradicional.

Ou seja, de quebra, no meu último semestre vou fazer matéria com calouros. Acho que vou até mudar o nome do meu blog pra “estudando com calouros”.

Quero dizer. Eu vou me formar. Me formar. Serei uma bacharel em inglês. Pela FALE. Faz cinco anos que levo essa vida, por que essa sensação é tão estranha? Por que esse frio na barriga afinal? Faz anos que eu vejo meus amigos se formarem, porque boa parte deles é mais velha ou mais avançada academicamente. Eles concluem, entregam uns relatórios, defendem uma monografia, tiram cem, vestem aquela beca ridícula no dia da colação, tem uma dezena de discursos piegas sobre a vocação do profissional de letras (blah) e, inevitavelmente, o pesadelo da breguice: um power point com música e foto dos formandos. Tudo isso é horrível até mandar parar. Eu já fiquei na platéia inúmeras vezes, e ficarei na próxima pra ver alguns amigos se formarem, mas na colação de, sei lá, agosto, serei eu. E se tem uma lição aprendida nesse blog, é que o tempo passa, e assim como há um ano exato eu estava ficando sem dinheiro em Londres, trabalhando e me sentindo horrivelmente sozinha, sei que daqui a um ano tudo vai ser ainda mais radicalmente diferente.

Na verdade, eu mudei de assunto por vergonha. Eu tenho uma secreta paixão por colações de grau. Sabe como dizem que pra muitas mulheres o casamento é a cerimônia da vida dela? E casamento é piegas, ridículo, brega, com discurso, talvez até power point… Pois é, sabe? (ah, o powerpoint, que custa a sair de moda!)Então… digamos que a colação de grau será o meu casamento. A mera idéia já me assusta tanto que eu tenho medo de ficar chorando igual uma retardada durante o negócio todo. Mas como não? Vão me chamar lá pra receber meu canudo lilás, vão falar meu nome inteiro, meus pais vão estar explodindo de orgulho e meus amigos vão provavelmente ficar me chamando de cachaceira.

Cerimônias são importantes, sabe. A idéia de passar por essa cerimônia específica, a colação de grau da Letras, sinceramente me apavora. Vou ter 23 anos e um diploma de Letras! Eu estou repetindo isso vezes demais, né? Muitas vezes? Bem, desculpe. Blog é blog.

Bom, agora são três e quinze da manhã e eu ainda me sinto desorientada. E, ainda que falte pouco, parece que é tanto! E tem o D.A.! Aliás, minha chapa ganhou a eleição, obrigada a todos!

Acho que a sensação de medo que estou tendo agora me lembra muito uma situação que me aconteceu em julho.

Eu tinha voltado pra Belo Horizonte depois de chegar no Brasil e passar um mês com meus pais. Daí meu pai veio comigo no fim de julho, e minha amiga Nádia veio comigo. O dia foi corrido, assistimos o último filme de Harry Potter com a Melissa e a família dela, foi épico. Quando fomos dormir, eu estava um pouco decepcionada porque meu pai e a Nádia iam embora dali a pouco, e eu tinha a sensação de que não tinha sido uma boa hostess. Não estava conseguindo dormir de jeito nenhum, e eu achava que era por isso.

Finalmente eu me levantei, saí do quarto da moradia, fiquei sentada na sala um bom tempo. Era mais ou menos a hora que é agora. Eu percebi que estava é com medo. Porque quando eles saíssem na manhã seguinte, quando o carro arrancasse e eu ficasse aqui na Avenida Fleming, eu estaria sozinha de novo. E depois de oito meses sozinha em Londres, eu tinha me agarrado aos meus pais, e sinceramente eu tinha um medo quase paralisante de retomar a minha vida no Brasil. De não ser tão boa quanto antes. Nessas horas, qualquer bobagem faz você se sentir pior. Eu me senti menos bonita, por causa da engorda que sofri lá fora. Me senti inútil, porque meu último emprego consistia de três dias humilhantes sendo garçonete no Hilton Heathrow. Eu tinha sonhado tanto, e agora que tinha voltado, estava com medo da vida real não condizer com as minhas expectativas.

E bem, eu estava errada, pra meu alívio.

Inclusive eu escrevi pouco aqui, ainda que tenha pensado em diversas pautas, mas porque durante boa parte do semestre eu surtei achando defeitos fatais na minha monografia, ou lidando com empregos em três lugares diferentes + aulas particulares + legendagem (entrei prum grupo desses de legendagem de séries) + matérias da faculdade (acabei trancando duas das cinco, e só depois descobri q elas eram desnecessárias mesmo…). E agora, no fim do ano tudo se acresce ao D.A. Letras, meu xodó. É tanta coisa pra pensar que não dá pra se desligar, aí de repente sai essa oferta…

E nós voltamos ao começo do post.

O texto cíclico foi acidental. Mas talvez seja assim pra eu descobrir que esse meu medo de não dar conta é saudável. É o que mantém a gente na ponta do pé.

*respirando fundo*

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