Já faz um mês que eu estou aqui em Londres – coisa demais pra mencionar no meu blog, coisa demais pra comentar no vlog – por isso quero pedir desculpas a quem espera que meu blog passe a ser um diário de viagem – quem relata muito vive menos. Ou seja, vou continuar opinando sobre coisas que eu vejo por aí, que é a idéia dele desde janeiro, quando começou.
Às vezes eu vejo alguém que discorda de mim. Tá que não é às vezes, é bastante, mas é normal alguém discordar de você quando você diz que Heinecken é a melhor cerveja Lager. Mas tem opiniões – eu não sei vocês, mas eu tenho isso – que eu considero no alto da minha arrogância pseudo racional como verdades absolutas que ninguém devia discordar. Algumas delas tão aí nessa polêmica do segundo turno das eleições.
(mais de uma vez eu disse a mim mesma: vou postar sobre as eleições! Vou falar sobre como me interesso pela Marina mas tenho ressalvas, sobre como Serra nem fudendo, sobre como… ah! Aí percebi que um post sobre as eleições seria chover no molhado igual explicar por A + B porque Crepúsculo será provavelmente a pior série de todos os tempos, desnecessário)
Pois muito bem. Pensei comigo mesma: nessa valsa repetitiva de Dilma e Serra se esquivando de tantas questões na esperança de ter o apoio do público da Marina, vou eu deixar claro o que eu apóio e foda-se. Eis os tópicos:
1. Casamento gay. De verdade, gente? A essa altura da humanidade cês ainda querem meter o bedelho na vida de quem só quer casar e ficar de boa? O que você tem a ver com isso, cidadão?
2.Aborto. Sou a favor da legalização do aborto sem restrições. Esses dias li uns argumentos muito doidões contra o aborto e fui tomada da acima mencionada arrogância de quem talvez tenha certeza demais que está certo. Não aceito feto como um ser vivo, do mesmo jeito que um vírus não é aceito como ser vivo na Biologia porque não vive sozinho, somente dentro e dependente de outro organismo. Quem tá viva nessa história é a mulher. E de novo: sério, gente? Ainda é tão difícil assim lembrar que mulher existe e é gente? Pleno 2010?
3. Votar em tucano. Me explica de verdade porque alguém que não é das classes A e B vota no Serra? Eles estão tão claramente interessados em defender somente os mais ricos à custa de promover uma população alienada sob um ensino de merda cheio de maquiagem que só não dá pra entender. Não sei sinceramente porque o Serra ameaça a candidatura da Dilma.
4. Beber Skol. Quando alguém me diz que a cerveja favorita é skol, a pessoa cai no meu conceito quase que instantaneamente. Em alguns poucos eu vejo um pouco de potencial, respiro fundo e falo: poxa, mas pelo mesmo preço cê podia beber cerveja de verdade… Tem Brahma, Itaipava por aí…
5.Legalização de drogas. Por mim todo mundo ingere o que quiser. Não é como se já não o fizessem, só é mais difícil. É bom que legalizando as drogas, vai rolar um darwinismo generalizado: quem for burro o suficiente pra usar de forma indiscriminada já morre e fica menos gente burra no mundo, pronto falei. No fim as coisas se equilibram.
6.Comunismo. Gente, vai dormir, já deu a hora de vocês, de verdade. Resumindo: aham, cláudia, senta lá.
7.Divisão em partidos de forma geral. Outro dia me disseram que ser contra a organização da “democracia” em partidos me fazia anarquista e achei graça. Acho horrível ter que ser filiado a um partido pra se candidatar a um cargo, acho que só leva ao que levou: esvaziamento da noção de unidade ideológica em detrimento de alianças temporárias que se provem mais interessantes.

Num dos meus rompantes de ódio ao mainstream, enquanto eu exclamava que não aguentava mais esse sensacionalismo dos crimes com requintes de crueldade e investigações elaboradas, percebi que a minha diversão em ver o Fiuk sendo ridículo ao reagir ao Felipe Neto e minha curiosidade diante da briga conjugal dos vizinhos tinham um ponto essencial em comum.
Faz três anos que eu moro aqui. Sempre que alguém descobre de onde eu sou, ou melhor, do quão LONGE eu morava, todos perguntam o motivo de eu não ter simplesmente feito Letras na USP mesmo.
Mas é sério: eu acho simplesmente o máximo passar pela Lagoa, pela Praça da Liberdade, pela Praça Sete, pelo Mineirinho. Tenho muito orgulho de ter escolhido vir pra cá, acho que tive a melhor das idéias. Sinto que eu consegui virar gente, livre dos olhares dos paulistas, que enchem tanto o saco da gente o tempo todo!
A cena em que ele a leva pras masmorras onde mora, embaixo da casa de ópera, é uma das mais famosas de todos os tempos, sem mencionar o refrão (The phaaaaaamtom of the opera is theeeeere… Inside my miiiiiind…). É uma cena ricamente construída em cima de um homem querendo uma mulher, pura e simples. Só que a gente entende que o amor do Fantasma pela Christine se origina do talento dela, curiosamente. O que você entende é que a união dos dois seria o ideal para a música (Your spirit and my voice, a Christine canta enquanto é levada). Ele criaria, ela cantaria. Eles nem deveriam subir de volta ao mundo das outras pessoas; bastariam um ao outro, vivendo com a música. Mas, mais importante, o Fantasma teria uma companheira e uma igual – apesar de ela não ser um gênio criativo como ele, ele resolve vê-la como igual.