Sou uma pessoa horrível por demorar tanto tempo pra dar sinais na blogosfera, né?
Faz mais de uma semana que eu cheguei no Brasil. Ou seja, mais de uma semana cheia de coisas acontecendo, pessoas que eu reencontrei. Eu pensei em milhares de assuntos pro primeiro post em terras brasileiras: pensei em falar dos amigos maravilhosos que me buscaram em Confins, pensei em falar do que eu senti quando olhei pra Faculdade de Letras na sexta feira passada e como aquele momento foi inesquecível e maravilhosamente, unicamente eu, pensei em falar sobre o Palocci e como estava decepcionada com a Dilma dando pra trás com o kit escolar anti homofobia (tem desculpa mais deslavada do que ‘não quero fazer propaganda de uma sexualidade’? É quase um insulto à inteligência humana!), daí eu quis me posicionar sobre a queda que o CQC sofreu no meu conceito, sobre como eu cheguei pra encontrar o feminismo disseminado entre pessoas, eu inclusa, que sempre acharam que feminismo era uma coisa anacrônica, daí eu quis postar sobre a carta que a Melissa me deu quando eu fui embora, dizendo que felicidade não era estar em Londres, mas um dia estar sentada na calçada em Santa Cruz das Palmeiras e ser feliz porque um dia eu estive em Londres (essa frase ecoa tanto na minha cabeça), outros posts gerais sobre o meu tema mais recorrente, o tema de pertencer a algum lugar e fazer o que você ama…
…mas veja bem, hoje o meu cachorro, Lucky, ficou doente.
Desde sexta ele estava esquisito, com diarréia, mas hoje ele realmente ficou ruim, estava claramente com dores, e triste. Minha mãe e eu demos todos os remédios, levamos ele pra passear mil vezes pra ver se ele punha tudo pra fora, minha mãe foi ficando ansiosa e desesperada. Não temos carro e era domingo à noite, farmácias fechadas numa cidade minúscula e o veterinário do Lucky, que mora na cidade vizinha, inventou de não atender o celular. A ansiedade da minha mãe foi crescendo, eu entrei em modo emergência e a gente virou a cidade de ponta cabeça: ligou pra amiga da minha mãe que tem carro, ligou em todos os números do veterinário até ele atender, pegamos a moça da única farmácia de plantão já em cima da moto pra ir embora e compramos remédio, tiramos o dono da purina da cama pra dar injeção pra que o bebê pudesse dormir direito. Mesmo depois de todo esse faroeste, ainda tivemos que vir pra casa e esperar o remédio fazer efeito no cachorro e o leite quente fazer efeito na minha mãe, que estava uma pilha de nervos.
Tá, Amanda, pra quê você tá me contando tudo isso?
Eu me peguei pensando como essa situação teria se desenrolado se eu não estivesse em casa, foi isso.
Sempre escrevo sobre como é importante fazer da sua vida o que você quer. Sobre como não é possível, mas natural que a gente vença adversidades que se apresentem diante dos nossos objetivos, e sobre como não podermos ser nada além de nós mesmos (bem, isso e sobre política, é claro). Mas nunca tomei tempo pra abrir uma página e falar sobre o medo que eu tenho, muitas vezes, de faltar à minha família.
Faço parte de uma família pequena. Todo mundo me conta histórias de grandes almoços e jantares em determinados feriados, sobre brigas e coisas engraçadas, e fotos cheias de pessoas que são variações de uma mesma aparência com outras idades e gêneros. Mas e quando você só tem um, no máximo dois parentes? Bem, a necessidade de se manter próximo é ainda maior. Mas às vezes a gente não está lá quando é necessário. Muita gente não está lá quando é necessária nem pelos meus motivos, que são viagens e estudos e trabalho, mas porque simplesmente não entendem o quanto são necessárias. Eu fico feliz de hoje ter estado aqui pra acalmar a minha mãe, pra gritar com ela que abraçar o cachorro não vai fazer ele parar de sentir dor, e sim ligar pro veterinário, e feliz que ela tenha gritado comigo quando… bem, quem conhece a minha mãe já imagina que ela gritou comigo o tempo todo… Porque bem, somos poucos, né? Eu estou feliz também de estar de volta, porque de agora em diante eu estou a uma emergência de distância ou menos. Quando as coisas aconteceram antes – e acredite, aconteceram – o máximo que eu podia fazer era contar as horas de diferença e ligar a câmera. Hoje eu posso estar aqui com a minha família, e devolver um mínimo do que eu devo a eles.
Olha só, eu avisei que ia ser um post emocional. Foda-se.

A cena em que ele a leva pras masmorras onde mora, embaixo da casa de ópera, é uma das mais famosas de todos os tempos, sem mencionar o refrão (The phaaaaaamtom of the opera is theeeeere… Inside my miiiiiind…). É uma cena ricamente construída em cima de um homem querendo uma mulher, pura e simples. Só que a gente entende que o amor do Fantasma pela Christine se origina do talento dela, curiosamente. O que você entende é que a união dos dois seria o ideal para a música (Your spirit and my voice, a Christine canta enquanto é levada). Ele criaria, ela cantaria. Eles nem deveriam subir de volta ao mundo das outras pessoas; bastariam um ao outro, vivendo com a música. Mas, mais importante, o Fantasma teria uma companheira e uma igual – apesar de ela não ser um gênio criativo como ele, ele resolve vê-la como igual.
Omegle.com é o endereço perfeito para a insônia. É melhor ter um bom nível de inglês, se você quiser participar. Trata-se de um dos chats mais aleatórios de toda a internet. É só clicar em “Start a chat” e você é jogado numa sala com um total estranho que pode ser de qualquer lugar do mundo, qualquer tipo de pessoa!

