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Zangief Kid: “Escola não é pra sempre”

março 21, 2011

Se você mora embaixo de uma pedra, talvez você ainda não tenha ouvido falar do Zangief Kid. Pra entrar no clima do meu assunto de hoje, vale a pena ver essa matéria sobre quem esse menino é e o que aconteceu com ele:

A frase que mais ficou pra mim da matéria foi essa sobre a escola não ser eterna. Quando você é uma criança/adolescente, a escola é a base da sua existência. Tudo de interessante que porventura possa te acontecer com certeza vai vir de lá.

Eu tento entender às vezes os mecanismos do bullying, que não é simples, pois veja bem, eu sofri bullying, mas ao me lembrar da sétima série até o terceiro ano muita gente sofreu bullying e eu não só ignorei, como às vezes achei engraçado. Naquela idade eu estava, como a maioria dos adolescentes, tristemente distraída pensando em mim o tempo todo; por consequência, quando algo acontecia comigo era o fim do mundo, mas quando era com outras pessoas, ah, aí era até engraçado.

Eu estava há dois anos na escola particular e eu ainda estava tendo muitos problemas de adaptação. As outras crianças eram muito diferentes, e ao mesmo tempo que eu achava difícil fazer amigos, eu enxergava uma hierarquia. No meu diário da época eu até fiz um diagrama de quem era mais popular, as duas meninas que estavam na zona de transição, quem era lama… Não era surpresa novatos e bolsistas serem meio excluídos, porque simplesmente não tínhamos como falar do que tinha passado na tv a cabo, do jogo novo de computador, nem de nada. Até aí, bastante normal. Eu só ficava um pouco aborrecida nas aulas de Educação Física, porque as meninas da escola particular era muito moles, tinham medo da bola, atitude totalmente contrária das minhas aulas da mesma matéria na escola pública, onde todas as meninas eram fortes e muito competitivas. Dá pra imaginar que eu era vista como alguém particularmente agressiva. (ainda sou, né? Só que de um jeito mais doido agora. haha)

Em um dia normal em sala de aula eu estava conversando com umas meninas na sala, e sabe quando você dá tipo um soquinho, um toque no ombro de alguém quando algo é engraçado? Pois é. Eu não me lembro da menina reclamando particularmente de dor, talvez algo pequeno, normal. Minha próxima lembrança desse dia é da sala inteira fechada lá dentro reclamando de mim pra professora de geografia e pra coordenadora. Eu podia ouvir eles de fora da sala, dizendo que eu era lésbica e que eu ficava me esfregando nas meninas durante a aula de Educação Física. Em outras ocasiões, elas perguntavam pra única amiga que eu tinha feito ali se ela não tinha medo de eu “atacá-la”. Sei lá. Na cabeça delas eu ia estuprar a minha amiga. Crianças não são sutis. Eu podia ouvir tudo, eu estava só do lado de fora da sala, que não era isolada acusticamente.

Eu não gosto de lembrar desse dia, mas vou continuar tentando reproduzir o que eu lembro sem poder consultar meu diário, que ficou em casa.

A certa altura, a porta foi aberta. Me colocaram na minha carteira, e a coordenadora começou a descrever pra mim todas as coisas que tinham acabado de dizer de mim, só que de forma politicamente correta. A professora de geografia, fui saber depois que se compadecia de mim, estava atrás, com uma cara séria, e eu não conseguia entender aquelas acusações. Como eu ia explicar que aquelas menininhas ricas e moles eram frescas demais? Quando você tem treze anos, você não tem confiança pra dizer que elas são imbecis e que nunca teriam a sorte de serem “atacadas” por mim, fosse eu lésbica ou não. Na época eu só fiquei lá, sentada no meio da sala, sem entender por que as pessoas me detestavam tanto, até que certo ponto eu interrompi a coordenadora quando ela dizia que “pedir desculpas era algo muito difícil”. Eu falei bem alto, “Não, não é difícil”, e comecei a pedir desculpas. Eu não sabia pelo quê, mas parecia que era o que elas queriam. Falei sem jeito, como naquelas vezes que a gente fala desembestado. O final, tão patético quanto o começo da história, envolve a coordenadora ficando quieta uns segundos e depois com um papo retardado de estava orgulhosa de mim.

Honestamente? Eu não devo desculpas a ninguém por ser diferente. Mas a gente nunca consegue falar a coisa certa no momento certo, mesmo depois de adulto…

Depois daquele dia o bullying continuou de maneira mais branda, com outras piadas. No ano seguinte as coisas melhoraram porque acho que alguém algum concurso de conto, poesia, não sei direito. Eu queria muito ter tido alguém que me dissesse exatamente o que o Zangief Kid diz no fim dessa entrevista: “escola não é pra sempre”. A gente faz escolhas próprias, leva a si próprio pra presença das pessoas que gosta e essas pessoas te dão a certeza de que você não deve se desculpar por quem você é.

No ano seguinte, a rainha má da minha classe – porque toda classe tem uma rainha má, não é? – foi desmascarada num a clássica intriga de escola, e o bullying se voltou contra ela. Caricaturas na lousa, musiquinhas parodiadas que a classe cantava em uníssono, mas o mais maluco foi voltar com ela da escola um dia e ficar ouvindo que “se eles achavam que iam ser convidados pra festa de aniversário na piscina dela, estavam muito enganados…”

Eu realmente fico feliz quando a internet serve a um propósito bom, como mostrar pra esse menino que ele fez bem em mostrar aos bullies que ele é gente. Que chega. Brincadeiras infelizes de escola que levam uma criança a pensar em se matar? Porra, né, gente.

Bullying não tem graça. Fica como um fantasma na adolescência da gente.

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Escrever ou falar, blog ou vlog

agosto 2, 2010

Ontem criei meu vlog. Minha mãe me perguntou se eu tomei bem cuidadinho pra deixar bem claro pros ladrões da internet o que fazer pra me pegar. Apesar de ela ter uma preocupação válida – exposição sem noção na internet é mesmo um perigo – eu só pensei que ela anda assistindo jornal da Record demais.

A minha estréia na vlogosfera foi tão boa quando poderia ser em termos de verossimilhança.

Meu primeiro vídeo teve uns defeitos, estou cientes deles, pretendo corrigir, etc, etc, mas vamos pra frente.

Ouvi falar sobre uma dualidade do blog com o vlog. Tem gente que diz que o advento dos registros falados, gravados em vídeo, se deve muito à preguiça do brasileiro de ler. Pessoas cuja opinião eu respeito bastante concordaram com isso, ainda que não totalmente, e etc. Agora que eu aderi às duas formas de expressão, percebi que teria que fazer uma demarcação. O que eu escrevo aqui, o que eu falo lá? E eis o mote da postagem de hoje.

Não acho que necessariamente o vlog esteja em alta por conta da preguiça do brasileiro de ler. Na minha opinião, um brasileiro que tem preguiça de ler dificilmente vai buscar uma alternativa pra ter acesso a conteúdo. Simplesmente não vai ter. Vai continuar onde está e o que vier veio e boa. Assumir que se assiste mais do que se lê por preguiça faz algum sentido sim, já que um vídeo é uma absorção de conteúdo muito mais passiva, mas não acho que seja necessariamente o caso.

Os vlogs são uma alternativa sim, mas não aos blogs, e sim à televisão. Isso é muito comentado nas conversas dos próprios vlogueiros. Sobre como os vlogs podem abordar assuntos com mais liberdade do que a televisão, sobre como as coisas são produções individuais, caseiras, humanas, e por isso tão largamente aceitas. Um viés aponta que eles são um movimento de oposição ao conteúdo massificado da tv. Ainda nessa perspectiva, você enxerga uma transição de função: a TV serve para entreter. O tempo todo te enche de coisas “engraçadas”, “bizarras”, “inesperadas”, pra divertir o maior número de pessoas possível. Muitos vlogueiros negam que fazem os vlogs para entreter pessoas que estejam entediadas na internet, embora seja isso o que acaba acontecendo muitas das vezes.

Voltando à suposta dicotomia blog x vlog, eu diria que se tratam de registros diferentes. Pra quem não está familiarizado, em algum estudos se fala de “registro de texto”, uma espécie de classificação. Eu pessoalmente enxergo as duas coisas como dois diferentes registros de expressão pessoal na internet. Na expressão escrita (blog), coloco argumentações, comentários sobre uma série, uma situação, na maioria das vezes fazendo algum tipo de generalização, chegando a alguma conclusão. Por outro lado, o que eu vejo de mais bonito no vlog – eu comentei isso no Videopost – é como nós podemos falar do individual, de coisas da nossa vida ou de opiniões que nos passam pela cabeça no dia a dia, e ainda assim nos identificamos.

Então, na minha opinião, eu diria que o raciocínio vai em direções opostas. No blog, de algo particular eu generalizo, arquiteto um texto, penso a respeito. Num vlog, eu tenho que cuidar para escolher um momento ou um tópico individual que vai gerar uma identificação e talvez mesmo uma reflexão. Enxergo as duas coisas como comunicação, só que em direções distintas. No vlog, o responsável por extrapolar o individual que eu apresento no vídeo é o expectador, e no texto do blog eu procuro deixar tudo destrinchado bonitinho.

Por hora então é isso. Me acompanhem, me ajudem, eu estou muito animada com o vlog mas não tenho a menor intenção de postar menos aqui, até porque escrever me alimenta.

Obs: Quando digo que o vídeo apresenta uma pequenice individual, não é como se não deve trabalho. A edição e a seleção de assunto pro vlog é muito mais delicada do que parece. Eu levei bem umas duas horas editando o vídeo acima e nem ficou tão bom.

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Sobre se expor na internet

junho 5, 2010

Esse post foi idealizado há muito tempo, antes mesmo do Videopost. Sendo eu alguém que passa um tempo preocupantemente alto online, é de se esperar que volta e meia eu tome uns sustos com pessoas sabendo de mim bem mais do que eu gostaria de soubessem.

Por exemplo, não tem coisa mais fácil do que descobrir se eu te bloqueei no msn – o que eu faço sem dó, e provavelmente nunca mais desbloqueio – , porque eu nunca tenho a inteligência de bloquear a pessoa em todas as redes sociais que eu compartilho com a pessoa. Ou seja, se eu não apareço no msn mas apareço no orkut, facebook, pode ver.

Claro que isso não me chateia exatamente, porque o fato de eu bloquear a pessoa é só um jeito de eu dizer que não gosto de conversar com ele ou com ela, e nunca há nada a perder – só a ganhar, na verdade – em alguém com quem você não gosta de conversar saber disso. Afinal, na pior das hipóteses… a pessoa vai parar de falar com você! E não era esse o objetivo quando você a bloqueou? … Eu sei, você tem vergonha de mostrar que não gosta de alguém. Sei que a maioria das pessoas não faz isso. Mas os benefícios desse tipo de pequena honestidade são muito melhores do que a chatice de deixar aquela pessoa forçar presença na sua vida.

De qualquer maneira, o assunto principal não era esse – eu sempre faço isso…

Tenho orkut, formspring (não uso), twitter, facebook, flickr, msn, gmail, youtube, etc, etc etc… E já mais de uma vez, aconteceu de um cara com quem eu posso ter ficado em uma festa descobrir basicamente tudo sobre mim só com meu nome e meu primeiro sobrenome. Assusta um pouco no começo. Dá pra ler toda e qualquer opinião que eu poste aqui, dá pra ver meu rosto no album destrancado do meu orkut, não sei o que dá pra ver no facebook, porque eu nunca aprendi a mexer direito naquilo. Enfim. Isso assusta um pouco? Sim. É um risco que a gente corre quando participa de comunidades virtuais.

Uma vez vi uma entrevista de um cara no Roda Viva sobre isso: sobre a exposição na internet, sobre a ascenção (com sc e cedilha!haha) das redes sociais como uma forma de ter dinheiro. A gente enxergou uma tendência clara no orkut quando ele surgiu, acho que em 2004. Era estupidamente exclusivo, só pra convidados, etc, e ter um convite do orkut era uma grande honra. Isso foi revisitado de leve no começo do novo orkut, mas a certa altura do campeonato, claro, todos já têm acesso (sim, eu me nego a tirar o circunflexo do tem plural). Depois que essas coisas foram escancaradas para o público, tivemos uma correria sem lei pra se mostrar como o mais interessante, o mais isso, o mais aquilo.

Foi quando entraram em cena os filtros de segurança: ninguém vê seu scrapbook, ninguém vê suas fotos, mimimi mimimi mimimi. A gente ainda tá numa fase pra mim faz tão pouco sentido quanto mostrar tudo nos seus perfis sociais: não mostrar nada. Mais de uma vez pra mim foi impossível dizer se eu conhecia a pessoa naquela página, tão poucas eram as informações. Tem gente pra quem eu não consigo mandar scrap de jeito nenhum – o orkut cisma que tudo é spam, por mais que eu digite cuidadosamente a mensagem. Não dou conta de quem tranca tweets, por exemplo, acho besta; o propósito não é justamente divulgar pequenas frases de você, dos seus pensamentos, do seu dia?

É aí que entra o argumento pra um futuro do compatilhamento de informações na internet, de acordo com o cara do Roda Vida cujo nome eu não lembro: uma hora vai chegar em que terá que haver uma troca de informações – você usufrurá de alguns benefícios – músicas, filmes, conteúdos – conforme você permitir que as pessoas e empresas alcancem informações sobre os seus gostos e hábitos online. É muita inocência achar que a internet é só um lugar de retirar. Esses usuários que sugam informações, músicas, contatos, sem nem mesmo serem identificados, tendem a passar por uma maior dificuldade em acessar conteúdo – já que para muitas empresas hoje, as informações disponíveis em redes sociais e coisas parecidas correspondem a uma aproximação muito mais bem sucedida do seu público.

É claro que isso que eu falei é um rascunho bem grosseiro do que ele disse. Aconselho que sigam o link acima e assistam, é muito enriquecedor.

meu gráfico claríssimo.De qualquer maneira, eu já tendo a achar que a exposição na internet só é tão complexa porque ela é uma superevolução da comunicação em massa. Antes você só recebia conteúdo pela tv, depois a gente passou a trocar mensagens pela internet, notícias, etc, por e-mails e outras mensagens diretas simplificadas. Com o surgimento das redes sociais, a coisa fica mais maluca, porque não satisfeita em ser uma via de mão dupla em produção de conteúdo – todo mundo pode fazer – sempre existem terceiros vendo e interagindo silenciosamente com o que você divulga. Um exemplo bem fácil: sua página de scrap. As mensagens ali são pra você, e as que você manda só pra pessoa, mas ali – e em todas as redes sociais – você está também fazendo aquilo pra uma plateía. Tudo que você faz é observado pelos seus outros contatos – isso quando você não interage com a pessoa X e Y só para todos os seus contatos TE VEREM interagindo com essas pessoas. Então toda a interação que é aparentemente bilateral está na realidade enclausurada no crivo de qualquer pessoa aleatória, talvez de nenhum interesse no assunto.

Outro exemplo que povoou as cabecinhas daqueles acompanhando a nova onda do YouTube, o vlog (aliás, agradeço aos mais de 300 inscritos no Videoblog da Belzinha, de verdade!): a comunidade online cresceu com a popularização do PC Siqueira, do Felipe Neto e outros vloggers. De repente todo mundo tem muitos views, todo mundo troca informações e conteúdos maravilhosamente, fizeram parcerias. Estava tudo cor de rosa demais, até o incidente entre dois vloggueiros que costumavam postar no mesmo canal. Pra quem quer a fofoca, leia aqui.

Achei muito surpreendente que tenha demorado esse tempo pra algo acontecer, mas acho compreensível. Exposição no youtube traz algo que as outras redes não trazem: ainda que editado, mixado, aquele na tela falando é você, seu rosto, seus tiques. Você mostra a cara mesmo. E em qualquer ambiente, quando você mostra a cara, está assumindo o risco de ser reprovado ou aprovado – ou solenemente ignorado, claro, o que é mais triste. Outra coisa que se forma é a sua persona pró-internet. Você expectador, não seja inocente em achar que você realmente conhece quem está ali falando no vlog. Não. Aquele é um lado, talvez até uma persona. O contato gerado ali é ilusório. Daí entra a possibilidade de acontecer um perigoso jogo de egos. O ego da sua persona virtual é alimentado pelos inscritos, pelos amigos, pelos comentários, pelo AdSense do Google. Por isso, gente, CUIDADO. Aquele que você assiste é uma parte de alguém que existe. Esses que comentam te adorando não te adoram merda nenhuma. Deu uma opinião? Você também detesta maconha e está de saco cheio de ter que fingir que tá de boa? Pois é, mostre o rosto, não tem nada errado com isso. Mas você assume riscos.

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Nota sobre um vício.

abril 19, 2010

Lembram quando eu disse antes que sou beeeem ruim com finais?

Bem, acabei de pensar melhor e quero colocar mudanças nessa lista, também.

Acabo de ver o primeiro episódio da quarta temporada de House e descobri que simplesmente o time acabou: quero dizer, sem mais Chase e Cameron, sem mais Foreman? *crise de desespero*

Corri pra Wikipedia. Ela deu um tapinha no meu ombro, riu de leve, e me contou que eles continuam aparecendo. E estou pressentindo um mimimi duradouro enquanto tento ver os próximos episódios e dar uma chance pros novatos. Bosta, nem de personagens de SÉRIE eu consigo me separar.

Sorte que eu tô fazendo duas matérias. Se fossem seis, igual semestre passado, mais namoro, mais trabalho, bem, digamos que eu agora estaria desempregada, teria tomado meu pé na bunda ainda antes e trancaria 4 matérias, ao invés de uma. Sério, só comece a ver uma coisa dessas (aka House) se puder.

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Videoblog da Belzinha

março 11, 2010

Essa é old pra maioria dos meus amigos, mas trago novidades!

Um belo dia, direto do túnel do tempo, estou eu no D.A. Letras, feliz da vida com minha última aquisição: minha câmera digital lindíssima. Automática, mas potente. Descobri a função filmar, a Belzinha estava na frente… Ah, o resto é história.

Daí saiu o não menos que fantástico e hilariante “Videoblog da Belzinha” (insira música espetacular aqui). A primeira temporada é composta de 21 episódios mais ou menos diários, conhecidos também carinhosamente como “crônicas da letras”. Passando por professores picaretas, cerveja antes da calourada da Belas Artes, lições de flerte, indicações de leitura cínica… O videoblog tornou-se um fenômeno, atingindo pessoas esquisitas de todo o país, e Belzinha tornou-se uma maravilhosa celebridade instantânea da internet – no momento ela está considerando convites pra três diferentes reality shows.

Eu, como diretora e idealizadora do projeto super audacioso, faço o papel do Lombardi: você não me vê, só me ouve. Algumas tentativas foram feitas pra tirar a câmera da minha mão, todas infrutíferas. Segue abaixo o episódio 4, que é tido como o melhor de todos:

Depois de tantas emoções, saímos de férias em julho de 2009 e no segundo semestre houve uma tentativa de segunda temporada, que morreu na preguiça do youtube e na falta de idéias. Mesmo depois do estímulo das apoiadoras Donas Drags (aquelas do Projeto D, lembram?), fazendo o famosíssimo Videoblog da Belzinha Sem A Belzinha, as postagens pararam.

Pois eis que agora, em 2010, Belzinha e suas estripulias estão de volta ao youtube! Tchan tchan tchan tchan…

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Comentário: Lost, primeira temporada

fevereiro 20, 2010

Em primeiro lugar, agradeço o feedback sobre o último post e fico feliz de saber que eu sou mais normal do que imaginava. Morte aos babacas!

Em segundo lugar, caí em tentação e acabei fazendo o muita gente já tinha me aconselhado: peguei esse tempo todo de férias, cujas madrugadas eu gastei jogando the sims avidamente, e comecei a baixar Lost, o famoso seriado superpopular. Tem gente enlouquecida com as várias temporadas. Uma grande amiga minha, Melissa, me disse que só valiam a pena as duas primeiras temporadas, porque foi quando começaram a esticar e confundir a história só porque estava dando dinheiro.

Pelo sim, pelo não, resolvi dar uma chance e se achasse ruim, poderia falar mal com propriedade. Demorei tanto por dois motivos: o negócio me parecia assustadoramente popular e porque semestre passado eu estava muito ocupada, não podia me dar ao luxo de viciar numa outra história (já que no fim do semestre eu estava na onda Artemis Fowl, que merece um post – qualquer dia desses) . De qualquer maneira, noite passada terminei a primeira temporada, e já baixei dois episódios da segunda, agendados pra madrugada de hoje.

Em primeiro lugar, muita gente gosta de Lost por causa das narrativas em paralelo: você sempre tem um dos personagens colocado em posição central nos acontecimentos e intercala essa ação com flashback. Como a história se passa numa ilha deserta com cerca de 40 improváveis sobreviventes de uma queda de avião (de Sidney a L.A.), os episódios da primeira temporada estão focados no que trouxe cada um dos cerca de dez personagens principais àquele voo específico.

O protagonista dos protagonistas, Jack, é um tipo irritante pra mim. Ele é toda a romantização que se faz da carreira de médico transformado em realidade. É um líder natural, mas também é impulsivo e, sinceramente, nada disposto a compreender os outros. É cheio de julgamentos de moral. Pessoalmente, não me dou maravilhosamente bem com esse tipo de pessoa. O clichê dele entrar em desespero quando perde um paciente me deixa muito aborrecida, e me dá uma sensação daquela cena do início de Cidade dos Anjos.

O potencial par romântico dele, Kate, é uma personagem cheia de segredos, mais do que todos os outros. Cada pequena informação dela é obtida com muita dificuldade. Ela é muito bonita, como seria de se esperar, de tão cabeça dura e intempestiva quanto Jack.

Resta só se apaixonar pelo personagem mais previsível de me conquistar: Saywer.Josh Holloway como Sawyer

Por que é previsível sendo eu? Bem, ele é durão, tem humor negro, é imprevisível e, claro, delicioso. Nó gente. Tudo bem que exageram nas cenas sem camisa, mas não sou eu que vou reclamar. Na primeira temporada ele é visivelmente apaixonado – ou pelo menos tem uma coisinha – pela Kate. Gosto muito do jeito como ele demonstra. É sutil, e ainda assim honesto. Gosto muito de quando ele conta ao Jack sobre alguém que encontrou antes de pegar o avião.

Sobre os mistérios da ilha, bem… Todos eles me remetem com força a um seriado velhíssimo, que passou na Record e depois na Band, “O Mundo Perdido“. No fim da postagem deixo o link pra um dos episódios. Esse seriado mais antigo está não numa ilha, mas num platô, e o elenco é composto de uma expedição científica que não consegue encontrar a saída pro litoral. O que eles tem em comum: simples. Ambos tem enredos que começam clichês, mas que vão ficando mais e mais complicados conforme se desenvolvem.  Até aí continua tudo bem, mas ambas as histórias vão progredir para concluir que algum propósito fez com que exatamente esses personagens estivessem naquela situação, e que para todas as perguntas haveria uma só resposta. “O Mundo Perdido” não terminou, e o máximo que pude achar há uns anos na internet foi um esqueleto do roteiro do final, pra saber por cima como seriam essas respostas, que até agora achei mais bem amarradas que em Lost.

Voltando ao seriado, tudo bem que ele é focado em flashbacks, e que estes são responsáveis por tocar a história pra frente, de modo a conquistar quem assiste. Basicamente, esses flashbacks tentam fazer a gente se identificar com a dor dos personagens, colocados em cenários familiares a nós: fim de namoro, gravidez indesejada, traição, problemas familiares… É bom e velho Aristóteles atacando novamente: assim você pensa, “nossa que foda, hein” e ao mesmo tempo “que bom que não é comigo”, citando o Jacyntho, professor de literatura grega da FALE.

O problema é que os personagens se comunicam muito pouco. Não sei se isso melhora e/ou progride na segunda temporada, que ainda vou começar a ver, mas eles estão sempre imersos no passado, e são afetados demais por ele nas ações presentes. Isso faz com que seja muito difícil qualquer aproximação real. Na verdade, aproximações não são o foco nessa temporada. Por exemplo, você só vê nuances de como Shannon e Sayid ficam juntos.

Bem, eu vou terminar esse post por aqui. Agora também estou baixando Gossip Girl – eu mereço minha pílula diária de futilidade + vocabulário nova iorquino – e quem sabe eles ganhem um post, caso tenha algo que valha a pena analisar. Fico por aqui, sabendo que ninguém vai ler esse post, já que os de Solitários e Emma, tão grandes quanto esse, foram os menos populares. Mas ah, se fosse pra ser popular eu entrava na academia e ia pro Big Brother… =]

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Reality show lado B

fevereiro 9, 2010

Atualizações diárias? Bom, quem sabe. Meus caros, enquando houver assunto e tédio nessas férias, eu estarei aqui pra lidar com esse paradoxo maravilhoso da cabeça vazia.

Um deles que entra mesmo na mente de nós, grandiosos universitários da maravilinda elite intelectual brasileira – aham, cláudia, senta lá – , odiado por seres superiores como nós e amaaaado em massa pelo país, pelo mundo, quiçá pela galáxia… é o reality show.

Todo mundo pensa direto em Big Brother. Outro dia eu perguntei pro meu pai: pai, cê sabe de onde vem a idéia do Big Brother? E gastei cinco cuidadosos minutos falando de 1984, do jeito do George Orwell de escrever e tal, e ganhei em troca um olhar bem Xuxa mesmo. Tá, tudo bem, eu mereci por querer ficar querendo vomitar literatura, mas ainda assim, né… Apesar de BBB ser uma merda, 1984 tem seus méritos, e seria bem legal se alguém espalhasse mais esse detalhe. Engraçado como ninguém pergunta de onde veio o nome, ou os motivos dele ser assim. Né? Mas acho que os canais televisivos também não tem o menor interesse em ver que se inspiraram em um sistema ditatorial maluco ao extremo, que previu inclusive seus rebeldes e como trazê-los de volta cuidadosamente. É, né. Não seria o marketing mais positivo do meu Brasil sil.

Caso é, o post não é sobre o BBB, e sim sobre Solitários, o reality show do SBT, que, pra variar, parece que não entende muito bem o valor das coisas que compra e transmite. Em primeiro lugar, fica difícil respeitar uma emissora na qual a programação não tem horário. Já percebeu? Todos os comerciais do SBT sobre a sua programação anunciam depois do quê ela passa, o que tem depois, que dia da semana, mas jamais em tempo algum diz que horas vai passar! Ah, Silvio Santos…

Solitários já é esquisito pela frequência: segundas e quintas. O horário é mais ou menos constante, apesar de nunca anunciado: por volta de 10 da noite. Já começa melhor que BBB no mestre de cerimônias: não temos um grisalho engraçadinho fazendo piadas sem graça, e sim uma voz de mulher que age como se fosse um computador. De acordo com a página do reality na Wikipedia, o nome desse suposto computador, Val, faz referência ao computador do filme 2001, uma odisséia no espaço (fonte). Ela encerra os participantes, que nunca se encontram, em cabines isoladas, e durante todo o tempo do programa eles apenas ouvem a voz dela através de uma tela plana. Dormem no chão, comem e dormem em horários absurdamente iregulares, nunca ou quase nunca tomam banho – apenas tem um banheiro disponível num cubículo separado.

Tudo isso vocês descobrem em qualquer lugar da internet além daqui. O que eu acho mais interessante nesse reality show, além do participante número 6 (<3) , é o sadismo evidente no modo do jogo. A Val leva os participantes a extremos de raiva e apreensão apenas fazendo perguntas. Eles fazem duas provas, uma de imunidade, e os outros que não a vencem fazem a de eliminação – ambas são provas de resistência. O primeiro a desistir é quem sai – com exceções, como hoje.

Hoje, o número seis deveria ter sido eliminado, mas não foi. Já conferi uma discussão emocional na internet sobre a não saída dele ser injusta com a saída dos outros. Tá, isso é até verdade, mas tem outra coisa que me chamou atenção (depois que eu me acalmei e parei de gritar ELE NÃO SAIIIIIIIIUUU….): como a coisa toda é passada pra gente como se fosse um experimento social, para testar reações humanas em adversidades, mas em especial, ao isolamento total de convivência humana, o jogo meio que tira uma com a cara da gente também, que assiste. Dum jeito mais honesto, porque tem uma hora que a gente percebe que também está agindo de forma inesperada. Por exemplo, eu não me envolvo em reality show desde que a sabrina sato saiu do BBB3 (oh, sim, eu lembro), mas de repente eu me peguei grudada na tela igual criança, feliz da vida porque o cara não foi eliminado. Ao mesmo tempo, o comportamento desse cara seria visto por mim como muito chato se eu fosse uma participante – porque ele se esforça pouco, apesar de ter o melhor senso de humor.

Concluo uma coisa meio óbvia, no fim das contas: eles não querem realmente saber quem é mais o resistente, quem vence a si mesmo, etc, etc. Eles querem – e se depender de mim, conseguem – audiência através do extremo humano. Evidentemente isso é muito mais interessante e dá uma discussão muito melhor do que centrar um reality show no tanto que alguém pode mentir, dissimular, ou usando o eufemismo do programa, “jogar”, que é o que rola no Big Brother. Este último é um teste de popularidade, cercado de gostosas e bombados mas sempre vencido pelo pobre, feio, negro, gay. Se for todos então, o mar de lágrimas é ainda mais comovente. Ainda assim, nenhum dos dois é nobre: só acho o do SBT infinitamente mais interessante.

Mas não eliminar o personagem mais carismático do programa realmente me fez pensar nas motivações reais, depois que minha euforia passou. Sabe, uma coisa é curtir cultura pop, e eu curto mesmo. Muitas vezes me divirto horrores. Mas, né? Acho que é sempre legal fazer a coisa mais interessante. E ao contrário de BBB, fazenda, e outras besteiras que estão no ar, acho graça que ninguém discute o que se passa em Solitários, nem o próprio SBT. Ai, Silvio Santos, doidão…

Este é o episódio mais recente que eu pude encontrar no youtube:

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The Cranberries, Belo Horizonte

fevereiro 1, 2010

Essa gravação foi feita por mim! [/momento orgulho pessoal]

O show de ontem foi, como esperado, indescritível. Tá certo que antes de eles virem pra cá já fazia um bom tempo que eu não ouvia Cranberries – mas vá lá, fazia muito tempo que eles não lançavam cd, e depois de decorar toda a discografia a gente cansa… Só que, como disse pra uns amigos meus, eu ouvi demais os cds e gosto demais deles pra não ir no show, pra não encarar horas de fila, pra perder uma chance dessas. Sei lá, Cranberries tem muito a ver comigo – exceto o catolicismo, claro.

Cheguei pouco antes das três da tarde na fila – album postado no orkut XD. Levei meu fiel escudeiro, Cheetos requeijão tamanho família, passatempo sem recheio, aguitcha, e como diria a boa bicha, se joguei, filhinha.

Por pouco não consegui lugar na grade, mas não sei se teria aguentado… eles abriram as portas mais de duas horas antes do show. Fiquei de boa lá na arquibancada. Tinha uma loira nojenta e espaçosa do meu lado, que me deixou meio puta, mas fiz amigos fugazes do outro lado e ficou tudo bem.

Acreditam que na fila tinha um cara vendendo whisky com red bull? E tinha gente comprando! Eu fiquei passada. Tirei foto também, pra quem duvida. XD

Dolores <3

Depois reencontrei meus amigos permanentes, me separei dos fugazes e fomos prum after feliz num boteco fim de vida em frente ao bar do joão – que estava fechado.

Essa foto da Dolores embaixo também fui eu que tirei –  e to morrendo de orgulho até agora!

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