Hi Again

Bem, hoje eu achei que não deveria postar. É o cúmulo da falta de assunto, porque continuo pesquisando um monte de mitologias. A celta é TÃO interessante… E como eu quero me enturmar melhor no fórum do Mugglenet também, já vou indo^^.
Anúncios

Projetos + ócio

Olá ^^ Agora atualizando todos os dias… A tecnologia atingindo mesmo os confins do mundo, sendo que estes confins mencionados incluem Santa Cruz das Palmeiras…
Muito bem, hoje eu quero falar de Mitologia. Mas antes disso, vou dizer por quê.
Todo final de ano acontece isso. Todo mundo fica mais nobre, mais poético, e alguém sempre acaba falando algumas palavras, nunca muitas, que fazem aquele tic de compreensão e eu começo a ter um monte de idéias.
Resumindo, se eu fosse impulsiva, a cada final de ano sairia um livro novo.
Este ano, liguei a tv bem na hora de ouvir alguém falando de "três reis". Certamente era sobre os três reis magos, mas já era tarde. Eu comecei a inventar histórias, como se fossem flashes de um sonho. Anotei umas palavras chaves… E me lembrei do que fazem todos os escritores de aventura: pesquisar sobre mitologias desconhecidas.
A primeira em que eu pensei foi a celta. Mas cheguei num site e me deparei com quase todos os nomes dos personagens da série de Prydein, do Lloyd Alexander. Gwydion, Math, Taliesin… Só os principais ele inventou, o que foi bem legal da parte dele. Se bem que existia Llyr, que é um dos antepassados da Eilonwy. O que, afinal, não importa agora. ^^
Sendo assim, eu escolhi os deuses mais interessantes e imprimi. Ainda tenho quase um livro baixado para ler sobre as valquirias! Não me perguntem como ou por quê, mas a idéia me atraiu. Nada no estilo Hércules, né, com amazonas lindas e independentes, mas uma coisa mais prática. Também quero dar uma olhada nestas festas bruxas, como o Imbolc… Tudo é aproveitável.
Enfim, hoje eu não estou profunda. Estou é com alergia – dos livros velhos e empoeirados de História, já comecei a estudar pra segunda fase da Fuvest… E a escola já começou a soltar papeletas com a foto dos aprovados, sendo que nem terminamos ainda as provas. Quero ver se ninguém passar como fica a cara da secretaria no final ¬¬.

Ah! Outro Weasley…

Voltei a escrever só pra mim. Semana com internet, às vésperas do ano novo. Meus planos se resumem em ficar aqui filosofando e escrevendo, e publicando colunas, e trabalhando em idéias para um livro novo. Por enquanto, gostaria que vocês ficassem com a coluna que eu escrevi sobre Ron Weasley.
 

O Lamento da Fênix

 

Ah! Outro Weasley…

 

“Sim, sou eu… Ron Weasley, o amigo estúpido de Harry Potter”, ele diz no quarto filme, logo depois de Harry ter seu nome tirado do Cálice de Fogo, e tenta se explicar para ele. Aquela foi a gota d’ água! Desde o maldito momento em que ele dividiu uma cabine do Expresso de Hogwarts com o Menino-Que-Sobreviveu, teve que se acostumar a andar com alguém que recebia atenção exagerada o tempo todo, com alguém que tinha derrotado o bruxo das trevas mais poderoso que existia… Isso tudo, depois de uma infância na Toca, com seis irmãos mais velhos, e, na sua cabeça, mais inteligentes e espertos do que ele.

Já era demais! Já era hora de sair da sombra daquele garoto que não fazia nada, NADA para ser um herói. No fundo, Ron sabia que Harry não tinha culpa de nada. Mas mesmo os nossos melhores amigos se sentem assim, de vez em quando. Quem não tem aquela amiga linda e inteligente que atrai todos os olhares, que te trata maravilhosamente e é confiável mas… Que você desejaria que fosse igual a você, de vez em quando?

É muito fácil se identificar com Ron, porque ele é impulsivo, direto, e tem uma auto-estima exageradamente frágil, que é um problema quase crônico na sociedade trouxa atual. Ninguém acha que é bom o suficiente. Por mais que sejam lindas, as mulheres se sentem terríveis e nada atraentes. Os homens se sentem fracos e se enterram nas academias para agradar as mulheres e pôr inveja nos amigos. Nós vivemos hoje num clima de competição sem descanso, que é justamente o que se reflete na vida toda de Ron. Pensem comigo: ele viu seus irmãos mais velhos sendo monitores de Hogwarts, jogadores incríveis de quadribol, via como todos os admiravam e pensava consigo mesmo… Nunca vou conseguir ser assim.

Mas mesmo assim ele tentava. Tanto que se meteu em diversas encrencas depois, com Harry. Mas qualquer coisa, qualquer erro, era suficiente para fazê-lo se lembrar de que ele não poderia ser como os irmãos. Quando estava no primeiro ano, Ron se viu no Espelho de Ojesed como Monitor Chefe, como jogador de quadribol, como diversas coisas que seus irmãos tinham sido e que ele julgava ser o melhor que alguém poderia conseguir. Nada do que ele fazia estava bom.

Arrumar Harry e Hermione como amigos lhe fizeram bem para desenvolver o espírito de confiança nos outros, já que eles ficavam o tempo todo juntos em Hogwarts e compartilhavam todas as experiências. Só que, aos olhos dos outros, ele sentia que não era digno de ser amigo deles, de certa forma. Afinal, Harry era apenas Harry Potter, não havia mais nada a comentar… E Hermione era simplesmente a melhor aluna do ano. Era inteligentíssima  e nunca falhava numa resposta, conseguia ter sangue frio nos momentos necessários, enquanto ele não era nem uma coisa, nem outra.

Quando Ron não conseguia fazer algo que seus amigos conseguiam, como um feitiço, como qualquer coisa, aquele pequeno fato ia se somando.  Até que tudo transbordou no quarto ano.

Ron sofreu dois grandes processos de amadurecimento, eu acho: a briga com Harry no quarto ano, quando ele andou com Fred e George, tentando ser alguém independentemente dos amigos, e no sexto ano, depois que Ginny jogou na cara dele que ele nunca tinha beijado ninguém e ele acabou aos amassos com Lavender…

Oh sim, porque Hermione é grande responsável pelo amadurecimento dele. As briguinhas entre os dois não eram exatamente desentendimentos, acontecia apenas que um era sensível demais ao que o outro falava ou pensava. Ao mesmo tempo, queriam manter as atenções neles, mas quando tudo se acalmava Ron ficava pensando… Por que Hermione iria gostar dele? Afinal, ele se achava um grande fracasso. Não era inteligente, não era um bruxo incrível… Ao mesmo tempo, ficar perto dela o fazia se sentir bem como ele era, mas estava sempre confrontando o modo como ele achava que era perto dela com o modo como ele se via diante do espelho, sozinho.

Vale lembrar que ele demorou quatro anos para perceber que ela era uma garota. Krum teve que lembrá-lo disso, a duras penas. Mas depois o processo se intensificou cada vez mais… Até os canários do sexto ano.

Aparentemente, todas as coisas incríveis que ele tinha feito não tinham o menor valor. A gente tende a pensar assim, quando não gosta de si mesmo. Tudo que se conseguiu foi por pura sorte, nunca mérito nosso. Nunca poderíamos ter feito duas vezes aquilo, já que milagres não acontecem duas vezes. Pelo jeito, Ron se esquecia constantemente que ganhara uma partida de xadrez potencialmente assassina com onze anos… Esqueceu-se que tomou a Poção Polissuco e se enfiou na sala comunal da Sonserina com Harry para investigar Malfoy… E não se sabe de muita gente que tenha feito isso. Esqueceu tudo, inclusive que esteve no Departamento de Mistérios, no quinto ano, e ganhou um campeonato de quadribol, tão logo se esqueceu do que poderiam pensar os que estavam assistindo-o (Weasley é nosso rei…) e apenas jogou. Ron se esquecia de que, se não fosse por ele, Harry teria enlouquecido, não teria sido capaz de enfrentar nem a metade.

Ron se esquece que ele é um amigo leal e que está sempre lá quando precisam dele, Ron se esquece que ele é engraçado e que sabe animar alguém, se esquece que por algum motivo ele foi feito monitor…

E não venham me dizer que ele se tornou monitor porque Dumbledore julgou que seria sobrecarregar Harry. O Escolhido tem um desprezo excessivo pelas regras – é certo que Ron também o tem, mas o passado de Harry depõe contra ele. E além do mais, não existem apenas dois meninos no último sexto ano da Grifinória. Se Ron é tão incapaz, por que ele teria sido escolhido? Ele É alguém sim, mas ainda não se deu conta disso… De repente ele vai ter que parar pra pensar e ver que conseguiu, que acabou se tornando mais do que todos os seus irmãos, porque afinal, ele é monitor, ele é goleiro no quadribol… E ainda já teve experiências terríveis ajudando Harry a enfrentar Voldemort! Sem mencionar o que está por vir no sétimo livro. Ele vai ajudar Harry com as Horcruxes… Vai acabar se provando valoroso para ele mesmo. Pois todos já sabem a pessoa que ele é, menos o próprio Ron. E quantas vezes nós não agimos desse jeito? Quantas vezes não temos a impressão de que os outros sabem mais de nós do que nós mesmos?

Não dava pra deixar de falar do medo de aranhas, despertado pelos gêmeos. Essas coisas começam mesmo na infância. Nós nos vemos de frente para um animal e, de repente, ele nos causa um pânico irracional… Não se pode culpá-lo.

Acho que essa foi a coisa mais parcial que eu já escrevi aqui. O problema é que eu me identifico demais com o Ron! Ele é um dos personagens mais reais da saga. Como a tia Jô diz, tem um pouquinho dela em cada personagem, e isso os torna tão verdadeiros. Por isso nós sentimos como se ele existisse… Ou não.

Eu sei que é chato, mas não dá pra escrever uma coluna sobre o Ron sem me perguntar o motivo do ódio que tantos sentem por ele. A grande maioria, como já provado, são os conhecidos Harry/Hermione shippers, além de um grupo de sonserinos viciosos que se divertem agindo exatamente como Draco Malfoy – mas o Draco de onze anos.

O argumento principal nas teorias que explicam o ódio a Ron é que ele impossibilitou que Harry ficasse com Hermione, no final. O que, apesar do que Steve Kloves queira nos fazer pensar nos roteiros dos filmes, NÃO acontece. Mas… Eu acho que, além disso (além do pensamento fechado de que existem apenas dois homens no mundo que poderiam ficar com Hermione, Ron e Harry), há um medo de assumir as nossas fraquezas, que é exatamente o que o ruivo faz, o tempo todo. Sempre nós o vemos expondo suas fraquezas, nem sempre voluntariamente. E aquela imagem fraca, a imagem do escudeiro que não faz nada o tempo todo parece irritar. Será que não é porque várias vezes nós agimos dessa maneira? O que há de tão errado nisso?

Bem, eu só queria mencionar o assunto chato de quem não sabe interpretar as atitudes de Ron Billius Weasley, porque realmente acho que não é algo tão polêmico a ponto de gastar-se mais tempo nisso. Por hora, acho que é bom falar apenas isso dele… Quem sabe uma próxima vez.

Vou ficando por aqui. E continuem sendo fiéis, como sempre!

Semana

A verdade existe? Alguém poderia me dizer? Nós vivemos, muitas vezes, enganando a nós mesmos, nos dizendo que somos honestos, quando não somos, nos dizendo que somos corajosos, quando não somos… Mas será que existe um ato, um pensamento, capaz de dizer: pronto, agora eu realmente sou corajoso! Esse negócio de encontrar a verdade é papo antigo. Filósofos vindos antes e depois de Sócrates já se perguntavam isso, enquanto o velho feioso se limitava a cantarolar pelo mercado de Atenas: tudo que sei é que nada sei… Wow, por anos eu fiquei fascinada com isso. Eu SEI que é verdade. Nós não sabemos de nada.
Mas eu não posso me controlar.
A Astrologia é engraçada às vezes. Ela me diz que eu tenho uma compulsão pela sabedoria e que quero sempre o saber, acima de tudo. Muitas vezes eu já me perguntei sobre esse "acima de tudo", mas acho que, no fundo, talvez o saber seja o meu objeto de ambição. Sou um dragão de fogo de sagitário, já mencionei aqui? E a gente pode passar horas, apenas se perguntando o que acontece de verdadeiro. Por isso Pitágoras gostava tanto de matemática, talvez. Os cálculos são sempre exatos e são as únicas verdades. São prováveis, demonstráveis, e muitos outros áveis que podem ser encontrados por aí.
Entretanto, não são os números que sustentam as vidas das pessoas, e sim os sentimentos. Nós vivemos por uma pessoa, ou por um objetivo, determinado pelas nossas paixões. Nós nos iludimos com amizades e com amores, e acreditamos piamente que podemos confiar, que podemos amar e por que não ter tudo isso em retorno? Nós dizemos que sabemos apenas por sentir. Vale lembrar aqui uma cena de "Cidade dos Anjos", quando a personagem da Meg Ryan diz não acreditar que o de Nicolas Cage sente que ela é uma boa médica. Então ele pega a mão dela, a faz fechar os olhos e corre os dedos pela mão dela. Em seguida ele diz: "O que eu estou fazendo?", e ela responde. "Você está tocando a minha mão." Ele replica: "Como sabe disso?", e ela, "Eu sinto."
A mensagem que fica implícita é que temos outros sentidos, além dos cinco físicos que nos dominam, e, de acordo com filósofos da gangue de Parmênides, nos iludem. E eu quero saber. Esse sentido insinuado pelo Nicolas Cage são sentimentos? Emoções que, através dos séculos, foram amaldiçoadas por enganarem e ludibriarem poetas e artistas em geral? Não venham me dizer que o filme tem teor católico, porque não tem. Ele apenas insinua a existência de Deus, não importa se o dos católicos, dos judeus, dos bruxos, enfim.
Em uma das minhas fics, eu dei a seguinte frase para o Dumbledore: "A verdade é a única dor justa no mundo." Depois de escrever isso, fiquei olhando para a tela por um tempão e pensando… Desde então, tem sido um statement fixo do meu modo de viver. O problema é: como se faz quando não se sabe onde está a verdade? Nem sempre ela pode ser sentida. A esperança e o desejo de ser amado ou ser querido em retorno sim, nos cega.

Tradução de HBP: por que tanto ódio?

Seguinte: o weblogger do Terra resolveu parar de funcionar misteriosamente… Sendo assim, como estou com duas colunas novinhas a serem publicadas e não tenho onde, pensei em colocá-las aqui, temporariamente. Peço desculpas aos filósofos ocasionais e torço para que venham quanta coisa há para se dizer sobre a série que aparentemente, é coisa de crianças. Obrigada! ^^
 
 

O Lamento da Fênix

 

Tradução de HBP… Por que tanto ódio?

 

Muito bem, eu adiei o quanto eu pude essa coluna. E agora estou satisfeita por ter feito isso, porque se tivesse escrito antes de dar uma boa olhada na versão brasileira do Half Blood Prince, teria falado várias coisas completamente opostas do que direi hoje.

Uma das maiores, para não dizer a maior vítima de criticas por parte dos potterianos é Lia Wyler (seguida de perto talvez por Steve Kloves, o roterirista dos filmes da série), tradutora selecionada pela editora Rocco para traduzir a série Harry Potter para o português brasileiro. Vale lembrar que os portugueses têm outra tradução exclusiva.

Jô Rowling mandou, antes da chegada do primeiro livro, uma lista para Lia com os nomes que ela queria que fossem traduzidos. Foi uma das esporádicas vezes em que as duas tiveram contato. A primeira pergunta é: será que o nome de Draco Malfoy estava nessa lista? Porque na primeira edição de A Pedra Filosofal, ele é chamado o livro todo de Drago. A partir do segundo, o nome volta ao original. O primeiro livro, de acordo com a própria tradutora, foi traduzido visando um público entre sete e dez anos, na média. Entretanto, vários como eu leram ao serem mais velhos (eu tinha treze anos), e concordamos que qualquer criança pode ligar Draco a dragão, sua tradução do latim, apenas pela semelhança dos sons. Ninguém precisa de aulas de latim para entender a série e a grande maioria das suas piadas escondidas.

Muita gente costuma criticar a tradutora também por ter traduzido os nomes das Casas – coisa que não ocorreu na versão portuguesa -, transformando-as em nomes como Grifinória e Lufa-Lufa. Entretanto, desse caso ela deve ser absolvida, afinal nem mesmo imaginava que esses nomes vinham dos quatro fundadores, já que a história sé é contada no segundo volume. Eu, particularmente, depois de pensar bem no assunto, resolvi que foi um acaso feliz nós podermos separar os fundadores de suas Casas, de modo que dê para perceber claramente a semelhança fonética do fundador com sua respectiva casa. Permitam—me um parênteses aqui: seria ótimo se as traduções dos filmes concordassem com as dos livros. Nós vemos McGonagall dizendo “Godrico Gryffindor” no segundo livro, mas no segundo filme ele subitamente se transforma em “Godric Grifinória”.

Deixando o assunto das Casas de lado, temos ainda graves erros de continuidade. Há o Hog’s Head, que se transforma de repente no Cabeça de Javali; esse erro, de acordo com Lia, foi derivado da idéia dela de que o bar não teria importância alguma na história. E também temos Katie Bell que, a partir da Ordem da Fênix, virou Cátia Bell. E certo, essa é mesmo imperdoável. Será que a artilheira resolveu contratar um advogado para mudar de nome? Erros de continuidade são realmente graves! Lia não pode simplesmente ter se esquecido que aquela personagem usava o nome original desde o começo dos livros… Ou pode? Se ao menos se tratasse de uma personagem muito secundária, mas NÃO, nos primeiros livros Harry se importa demais com o quadribol; portanto, Katie/Cátia está sempre presente, nos treinos e nos jogos.

Quando eu ainda era pró-Wyler, estava no fórum do potterish (querendo postar bastante para ganhar aquele dinheirinho bruxo post) e participei de uma discussão sobre a capacidade dela para traduzir a série. E além do mais, conforme ela progredia, deveria ir respeitando o crescimento dos leitores, e etc. Eu dizia que sim, ela cometia erros crassos, mas ela conseguia colocar certa musicalidade nas frases, usava certos sinônimos que implicavam uma variação nas frases, que até de acordo com meu professor de inglês, não está no original em inglês. Eu mesma cheguei a pensar, enquanto lia o livro 6, o quanto era fácil para mim, que não sou diplomada em inglês nem nada, aprendi na escola. Afinal, eu também li 1984, de George Orwell, em inglês e achei muito mais complicado. Assim, Lia era responsável por um acréscimo na qualidade dos textos, em português brasileiro.

Já não posso dizer se isso acontece com HP e o Enigma do Príncipe, porque vocês sabem que eu li no original. A minha revolta começou logo com o título. Não gostei. Não importa se dizem que foi a própria Jô quem escolheu, mas a lista que ela recebeu também era bem curta. Eu defendia sim “Príncipe Mestiço”, porque achava que os leitores poderiam entender o trocadilho uma vez que terminassem o livro. Ora, Snape é o Príncipe Mestiço apenas porque sua mãe tinha o sobrenome Prince, e acabou! Não tinha tanto mistério assim. E a coisa vai embora.

Quando peguei a edição brasileira para folhear, fui ficando cada vez mais triste. Córmaco McLaggen… Achei uma tradução infeliz. Mesmo as crianças são perfeitamente capazes de dizer “Cormac”. O acento agudo deixou o nome mais deprimente ainda… E uma das coisas que mais me deixou irada foi a história de “Voto Perpétuo”. O original, “Umbreakable Vow”, significaria literalmente “Juramento Inquebrável”. Inclusive, eu já usei esse termo, quando escrevi sobre a Teoria da Fidelidade. O termo pode ter ficado muito longo em português, e inquebrável pode ter soado estranho, já que não consta em nenhum dos dois dicionários que eu tenho no computador. Mas existe uma coisa chamada sinônimo.  Não acho que perpétuo se encaixa no contexto, pois uma vez cumprido, ele deixa de existir. Quando Snape fez o Umbreakable Vow, tinha um evento específico em mente onde deveria proteger Draco e fazer o que ele deveria ter feito.  Agora ele está livre. Não terá que ficar feito babá de Draco o resto da vida. Não é perpétuo! Poderia ter sido, caso não fosse cumprido. Afinal, Snape teria morrido. Os dicionários de sinônimos não estão aí à toa. Pode não existir inquebrável, mas existe inflexível, que também não se encaixa. Mas… “inflexível: implacável. Inexorável. Indiferente. Impassível.” E ainda em “ineroxável”, há “imparcial”. Palavras não faltam. Parece que não, mas “Imparcial” caberia. Porque não interessa, uma vez feito o juramento, ou ele é cumprido, ou quem o fez morre. Não há alternativa, nem exceção.

Muito bem, eu assumo que talvez tenha ido fundo demais nessa.  Passemos adiante.

Há outros pontos. Nessa mesma conversa que eu tive quando passei pelo fórum do potterish, alguém mencionou o que seria um dos piores erros de continuidade já cometidos. Em a Ordem da Fênix, Hermione está corrigindo pela milésima vez as tarefas de Ron e Harry, de modo que, ao pegar o ensaio de Astronomia de Harry, ela diz: “Aqui tem um erro, Harry, esta lua de Júpiter é coberta de gelo, não de grelos”. Vale lembrar: gelo = ice. Enquanto isso, na versão original, no lugar de ice, Harry escreveu mice.  Sim, eu concordo que colocar “ratos” deixaria a confusão completamente estranha e é até justificável a invenção da palavra. Entretanto, quando Harry presta seus N.O.M.s, Jô cita o seguinte: “Ao menos Harry sabia que [suposto satélite, não me lembro o nome] não era coberta de ratinhos.” Lia traduziu o livro todo. Certo que era uma piada baseada nos detalhes, mas ela deveria ter se lembrado dos grelos que ela colocou lá atrás. Essa é realmente difícil de perdoar, por favor…

Também há a polêmica de James e Tiago, que dizem ser nomes totalmente destoantes e que as crianças podem perfeitamente pronunciar o nome original, ou pelo menos compreendê-lo. Entretanto, eu conversei com o meu professor de inglês – é ótimo ter um professor que também é potteriano! – e ele disse que alguns nomes possuem tradução, e que é exatamente o que acontece com James, cujo correspondente é Tiago. Só não me perguntem quem foi que criou esses correspondentes.

Quando eu estava escrevendo uma fanfic Tiago/Lílian, e usei todos os nomes em português – menos Severus e Lucius, eu acho… – eu era da opinião de que Tiago ainda era um nome mais condizente com a personalidade do pai de Harry. É um nome mais despojado e menos sério do que James, indicando o modo maroto dele, talvez – mas é tudo uma questão de hábito, quando você pensa bem. Eu também preferia Lílian a Lily, porque era o contrário. Lílian seria mais sério e responsável, o que se enquadraria na mãe dele. Mas enfim, todos os nomes da saga têm seus significados, e não me cabe discuti-los. Eu só acho que traduzir os nomes dos pais de Harry foi uma atitude tão sofrível.

Lia Wyler tinha a missão de traduzir o máximo de termos que pudesse; inclusive, se não me engano, isso estava em seu contrato. Mas por favor, nós não gostamos que nos vejam como completos estúpidos. Eu estava falando com isso sobre a Melissa no msn. Ela me contou que também leu uma entrevista da acima citada tradutora, onde ela dizia: “como acho que vocês sabem, a penseira é um recipiente de lembranças e memórias…” Mel, inclusive, seguiu me contando da sua vontade de estrangular a mulher.

Em suma, nós não somos idiotas. E o curioso é, eu ainda acho que deviam dar mais crédito aos fãs, que andam sendo muito mais profissionais do que os originais. A tradução pirata foi mais rápida e de melhor qualidade. Lia chegou mesmo a mudar completamente o sentido de uma frase neste último volume, apenas porque não enxergou um “not” no meio da frase. A frase virou afirmativa de repente!

A primeira medida seria, por favor, dêem mais umas duas semanas para a mulher revisar o que ela fez, se quiser que nós, fãs, paremos de cair em cima. A segunda é, deixem os fãs entrarem nas máquinas oficiais. Eles sabem o que estão fazendo porque trabalham com Potter de graça e por diversão desde que a saga começou a ser publicada. E não somos poucos. Os potterianos, se colocados juntos, poderiam encher cidades, talvez até um pequeno país!  Inclusive a produção dos filmes poderia ter mais fãs envolvidos. Nas entrevistas com os atores, com Jô Rowling – quando colocaram Emerson e Melissa, do Mugglenet e do Leaky Cauldron para entrevistar a autora, finalmente tivemos uma entrevista legível por potterianos sem momentos de frustração com a ignorância do entrevistador no assunto.  Aqui tenho que citar a Melissa mais uma vez: “Por que ninguém reclamou da adaptação de Senhor dos Anéis? O Peter Jackson era fã dos livros, por isso. Ele sabia o que estava fazendo.” Agora, até hoje nós tivemos Chris Columbus nos dois primeiros filmes, depois Alfonso Cuarón, e o último, Mike Newel, antes produtor. Por mais que eles digam que são fãs, não são potterianos, entendem? O trabalho de fato fica melhor quando é feito por quem já conhece e acompanha a história.

Salvem pelo menos o último livro! Não me forcem a comprar em inglês de novo, eu não sei se vou ter tanto dinheiro outra vez. E eu NÃO vou ler tradução pirata, porque pra mim (e para a maioria maciça dos fãs) não é a mesma coisa do que ler o livro de papel, pronto, com a capa e tudo certinho. Mesmo que a tradução pirata seja melhor do que a oficial.

Muito bem, eu vou ficar por aqui. Antes de ir, só queria avisar que quero ver mais uma vez o quarto filme antes de escrever uma análise. Fui obrigada a assistir dublado (ninguém merece!) e quero ver as vozes originais.  Obrigada por lerem todo esse desabafo e, vocês já conhecem o recado, continuem sendo fiéis!

Voltando aos pouquinhos

Hum… Eu planejei por muito tempo o que eu escreveria quando voltasse pra cá. Porque acho que desde o começo, eu sabia que num ia matar o blog aqui. Não sei o que escrever agora, não sei mesmo. Entretanto, durante a semana eu escrevi um texto muito interessante. O único problema é… Ele está em inglês. Deve até ter vários erros. Mas quando eu dei por mim, estava escrevendo em inglês. E como estou com preguiça de traduzir, lá vai…
 
 

Look. I was just thinking… How will be my life in a year? I may have already passed in some wicked vestibular, I may have a damned boyfriend, I may have so many things… And meanwhile, I’ve planned a whole life to be lived far away from here. It’s strange, you know. Tonight I was just looking at the street in front of my house and remembering of when I was six, seven… Was I happy, then? I don’t know, but I wish I knew, because at least I would have a note about something that IS able to make me happy. I remember when we were just playing out there, doing nothing special, but it was just this nothing special that I heard one philosopher talking about once, at TV. Kids develop themselves, it seems, at these nothing-doing times, according to her. Well, I don’t know if I had any good development at that age, but all I wanted was there. I almost can’t remember how it feels to have such a small world, a child’s world. All you care about is going out to play with your friends. It doesn’t matter if they will be by your side when you’ll need them, you don’t care if you like the same boy as your little friend does, all you care about is to have fun at that singular moment. Why does it sound so wrong to me now? Now I’m used to worry about big things – about wars, about men and their universal questions, and about Amazon and how people want to destroy it – and I also think now everything else is unimportant. Even I am unimportant, if you look at it with a general point of view. That’s when I wonder: to be dumb is to be happier? IS ignorance a good way to get happy, to have no worries? I am no longer a kid – I wish I were, however -, and I’m trying hard to remember exactly what I had in mind when I said I wanted to be seventeen, when I said I wanted to be an adult.

At that very moment, all I wanted was to play, and that’s my only wish for tonight, either. Although there was no child to play with me this time, I wanted. Perhaps there’s really something about kids and happiness, as so many say.