Tradução de HBP: por que tanto ódio?

Seguinte: o weblogger do Terra resolveu parar de funcionar misteriosamente… Sendo assim, como estou com duas colunas novinhas a serem publicadas e não tenho onde, pensei em colocá-las aqui, temporariamente. Peço desculpas aos filósofos ocasionais e torço para que venham quanta coisa há para se dizer sobre a série que aparentemente, é coisa de crianças. Obrigada! ^^
 
 

O Lamento da Fênix

 

Tradução de HBP… Por que tanto ódio?

 

Muito bem, eu adiei o quanto eu pude essa coluna. E agora estou satisfeita por ter feito isso, porque se tivesse escrito antes de dar uma boa olhada na versão brasileira do Half Blood Prince, teria falado várias coisas completamente opostas do que direi hoje.

Uma das maiores, para não dizer a maior vítima de criticas por parte dos potterianos é Lia Wyler (seguida de perto talvez por Steve Kloves, o roterirista dos filmes da série), tradutora selecionada pela editora Rocco para traduzir a série Harry Potter para o português brasileiro. Vale lembrar que os portugueses têm outra tradução exclusiva.

Jô Rowling mandou, antes da chegada do primeiro livro, uma lista para Lia com os nomes que ela queria que fossem traduzidos. Foi uma das esporádicas vezes em que as duas tiveram contato. A primeira pergunta é: será que o nome de Draco Malfoy estava nessa lista? Porque na primeira edição de A Pedra Filosofal, ele é chamado o livro todo de Drago. A partir do segundo, o nome volta ao original. O primeiro livro, de acordo com a própria tradutora, foi traduzido visando um público entre sete e dez anos, na média. Entretanto, vários como eu leram ao serem mais velhos (eu tinha treze anos), e concordamos que qualquer criança pode ligar Draco a dragão, sua tradução do latim, apenas pela semelhança dos sons. Ninguém precisa de aulas de latim para entender a série e a grande maioria das suas piadas escondidas.

Muita gente costuma criticar a tradutora também por ter traduzido os nomes das Casas – coisa que não ocorreu na versão portuguesa -, transformando-as em nomes como Grifinória e Lufa-Lufa. Entretanto, desse caso ela deve ser absolvida, afinal nem mesmo imaginava que esses nomes vinham dos quatro fundadores, já que a história sé é contada no segundo volume. Eu, particularmente, depois de pensar bem no assunto, resolvi que foi um acaso feliz nós podermos separar os fundadores de suas Casas, de modo que dê para perceber claramente a semelhança fonética do fundador com sua respectiva casa. Permitam—me um parênteses aqui: seria ótimo se as traduções dos filmes concordassem com as dos livros. Nós vemos McGonagall dizendo “Godrico Gryffindor” no segundo livro, mas no segundo filme ele subitamente se transforma em “Godric Grifinória”.

Deixando o assunto das Casas de lado, temos ainda graves erros de continuidade. Há o Hog’s Head, que se transforma de repente no Cabeça de Javali; esse erro, de acordo com Lia, foi derivado da idéia dela de que o bar não teria importância alguma na história. E também temos Katie Bell que, a partir da Ordem da Fênix, virou Cátia Bell. E certo, essa é mesmo imperdoável. Será que a artilheira resolveu contratar um advogado para mudar de nome? Erros de continuidade são realmente graves! Lia não pode simplesmente ter se esquecido que aquela personagem usava o nome original desde o começo dos livros… Ou pode? Se ao menos se tratasse de uma personagem muito secundária, mas NÃO, nos primeiros livros Harry se importa demais com o quadribol; portanto, Katie/Cátia está sempre presente, nos treinos e nos jogos.

Quando eu ainda era pró-Wyler, estava no fórum do potterish (querendo postar bastante para ganhar aquele dinheirinho bruxo post) e participei de uma discussão sobre a capacidade dela para traduzir a série. E além do mais, conforme ela progredia, deveria ir respeitando o crescimento dos leitores, e etc. Eu dizia que sim, ela cometia erros crassos, mas ela conseguia colocar certa musicalidade nas frases, usava certos sinônimos que implicavam uma variação nas frases, que até de acordo com meu professor de inglês, não está no original em inglês. Eu mesma cheguei a pensar, enquanto lia o livro 6, o quanto era fácil para mim, que não sou diplomada em inglês nem nada, aprendi na escola. Afinal, eu também li 1984, de George Orwell, em inglês e achei muito mais complicado. Assim, Lia era responsável por um acréscimo na qualidade dos textos, em português brasileiro.

Já não posso dizer se isso acontece com HP e o Enigma do Príncipe, porque vocês sabem que eu li no original. A minha revolta começou logo com o título. Não gostei. Não importa se dizem que foi a própria Jô quem escolheu, mas a lista que ela recebeu também era bem curta. Eu defendia sim “Príncipe Mestiço”, porque achava que os leitores poderiam entender o trocadilho uma vez que terminassem o livro. Ora, Snape é o Príncipe Mestiço apenas porque sua mãe tinha o sobrenome Prince, e acabou! Não tinha tanto mistério assim. E a coisa vai embora.

Quando peguei a edição brasileira para folhear, fui ficando cada vez mais triste. Córmaco McLaggen… Achei uma tradução infeliz. Mesmo as crianças são perfeitamente capazes de dizer “Cormac”. O acento agudo deixou o nome mais deprimente ainda… E uma das coisas que mais me deixou irada foi a história de “Voto Perpétuo”. O original, “Umbreakable Vow”, significaria literalmente “Juramento Inquebrável”. Inclusive, eu já usei esse termo, quando escrevi sobre a Teoria da Fidelidade. O termo pode ter ficado muito longo em português, e inquebrável pode ter soado estranho, já que não consta em nenhum dos dois dicionários que eu tenho no computador. Mas existe uma coisa chamada sinônimo.  Não acho que perpétuo se encaixa no contexto, pois uma vez cumprido, ele deixa de existir. Quando Snape fez o Umbreakable Vow, tinha um evento específico em mente onde deveria proteger Draco e fazer o que ele deveria ter feito.  Agora ele está livre. Não terá que ficar feito babá de Draco o resto da vida. Não é perpétuo! Poderia ter sido, caso não fosse cumprido. Afinal, Snape teria morrido. Os dicionários de sinônimos não estão aí à toa. Pode não existir inquebrável, mas existe inflexível, que também não se encaixa. Mas… “inflexível: implacável. Inexorável. Indiferente. Impassível.” E ainda em “ineroxável”, há “imparcial”. Palavras não faltam. Parece que não, mas “Imparcial” caberia. Porque não interessa, uma vez feito o juramento, ou ele é cumprido, ou quem o fez morre. Não há alternativa, nem exceção.

Muito bem, eu assumo que talvez tenha ido fundo demais nessa.  Passemos adiante.

Há outros pontos. Nessa mesma conversa que eu tive quando passei pelo fórum do potterish, alguém mencionou o que seria um dos piores erros de continuidade já cometidos. Em a Ordem da Fênix, Hermione está corrigindo pela milésima vez as tarefas de Ron e Harry, de modo que, ao pegar o ensaio de Astronomia de Harry, ela diz: “Aqui tem um erro, Harry, esta lua de Júpiter é coberta de gelo, não de grelos”. Vale lembrar: gelo = ice. Enquanto isso, na versão original, no lugar de ice, Harry escreveu mice.  Sim, eu concordo que colocar “ratos” deixaria a confusão completamente estranha e é até justificável a invenção da palavra. Entretanto, quando Harry presta seus N.O.M.s, Jô cita o seguinte: “Ao menos Harry sabia que [suposto satélite, não me lembro o nome] não era coberta de ratinhos.” Lia traduziu o livro todo. Certo que era uma piada baseada nos detalhes, mas ela deveria ter se lembrado dos grelos que ela colocou lá atrás. Essa é realmente difícil de perdoar, por favor…

Também há a polêmica de James e Tiago, que dizem ser nomes totalmente destoantes e que as crianças podem perfeitamente pronunciar o nome original, ou pelo menos compreendê-lo. Entretanto, eu conversei com o meu professor de inglês – é ótimo ter um professor que também é potteriano! – e ele disse que alguns nomes possuem tradução, e que é exatamente o que acontece com James, cujo correspondente é Tiago. Só não me perguntem quem foi que criou esses correspondentes.

Quando eu estava escrevendo uma fanfic Tiago/Lílian, e usei todos os nomes em português – menos Severus e Lucius, eu acho… – eu era da opinião de que Tiago ainda era um nome mais condizente com a personalidade do pai de Harry. É um nome mais despojado e menos sério do que James, indicando o modo maroto dele, talvez – mas é tudo uma questão de hábito, quando você pensa bem. Eu também preferia Lílian a Lily, porque era o contrário. Lílian seria mais sério e responsável, o que se enquadraria na mãe dele. Mas enfim, todos os nomes da saga têm seus significados, e não me cabe discuti-los. Eu só acho que traduzir os nomes dos pais de Harry foi uma atitude tão sofrível.

Lia Wyler tinha a missão de traduzir o máximo de termos que pudesse; inclusive, se não me engano, isso estava em seu contrato. Mas por favor, nós não gostamos que nos vejam como completos estúpidos. Eu estava falando com isso sobre a Melissa no msn. Ela me contou que também leu uma entrevista da acima citada tradutora, onde ela dizia: “como acho que vocês sabem, a penseira é um recipiente de lembranças e memórias…” Mel, inclusive, seguiu me contando da sua vontade de estrangular a mulher.

Em suma, nós não somos idiotas. E o curioso é, eu ainda acho que deviam dar mais crédito aos fãs, que andam sendo muito mais profissionais do que os originais. A tradução pirata foi mais rápida e de melhor qualidade. Lia chegou mesmo a mudar completamente o sentido de uma frase neste último volume, apenas porque não enxergou um “not” no meio da frase. A frase virou afirmativa de repente!

A primeira medida seria, por favor, dêem mais umas duas semanas para a mulher revisar o que ela fez, se quiser que nós, fãs, paremos de cair em cima. A segunda é, deixem os fãs entrarem nas máquinas oficiais. Eles sabem o que estão fazendo porque trabalham com Potter de graça e por diversão desde que a saga começou a ser publicada. E não somos poucos. Os potterianos, se colocados juntos, poderiam encher cidades, talvez até um pequeno país!  Inclusive a produção dos filmes poderia ter mais fãs envolvidos. Nas entrevistas com os atores, com Jô Rowling – quando colocaram Emerson e Melissa, do Mugglenet e do Leaky Cauldron para entrevistar a autora, finalmente tivemos uma entrevista legível por potterianos sem momentos de frustração com a ignorância do entrevistador no assunto.  Aqui tenho que citar a Melissa mais uma vez: “Por que ninguém reclamou da adaptação de Senhor dos Anéis? O Peter Jackson era fã dos livros, por isso. Ele sabia o que estava fazendo.” Agora, até hoje nós tivemos Chris Columbus nos dois primeiros filmes, depois Alfonso Cuarón, e o último, Mike Newel, antes produtor. Por mais que eles digam que são fãs, não são potterianos, entendem? O trabalho de fato fica melhor quando é feito por quem já conhece e acompanha a história.

Salvem pelo menos o último livro! Não me forcem a comprar em inglês de novo, eu não sei se vou ter tanto dinheiro outra vez. E eu NÃO vou ler tradução pirata, porque pra mim (e para a maioria maciça dos fãs) não é a mesma coisa do que ler o livro de papel, pronto, com a capa e tudo certinho. Mesmo que a tradução pirata seja melhor do que a oficial.

Muito bem, eu vou ficar por aqui. Antes de ir, só queria avisar que quero ver mais uma vez o quarto filme antes de escrever uma análise. Fui obrigada a assistir dublado (ninguém merece!) e quero ver as vozes originais.  Obrigada por lerem todo esse desabafo e, vocês já conhecem o recado, continuem sendo fiéis!

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Uma opinião sobre “Tradução de HBP: por que tanto ódio?

  1. A cada livro que passa a tradução fica pior, são tantos erros que dá a impressão que o livro nem é revisado.Também torço para que salvem pelo menos o sétimo livro, Eu leio a tradução pirata, mas concordo que não é a mesma coisa e sempre compro o oficial.E também concordo que deveriam deixar os fãs participarem mais das produções dos filmes, na maioria das vezes eles dão enfase nas partes da história que ficam legais na tela e deixam de lado as que interessam para quem leu o livro.

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