Mini-Malfoy

Gente… Estou de volta ao Lamento da Fênix. Mas a coluna dessa vez é da Melissa. Estamos sem teto, então… É a vez dela!! Por Melissa Hogwarts….
 

Mini-Malfoy

 

Melissa Hogwarts

 

 

Em “Harry Potter e a Pedra Filosofal” somos apresentados a um garoto loiro, metido e preconceituoso na Madame Malkin. É Draco Malfoy, um personagem controverso que mesmo sacaneando o trio sempre que possível parecer ser um alvo de preferência para meninos e principalmente, para as meninas.

 

A maioria prefere acreditar naquela velha história do garoto incompreendido, do Draco bonzinho, que não gosta do pai e que sempre tendo sido criado em meio à maldade acabou se tornando uma espécie de marginal escolar. Que na verdade ele é bom, quer fazer o bem mas não tem coragem, que não vê nada de errado com os Weasley e que na verdade até gosta do Harry. A turma de Sonserinos o entedia e seu maior desejo é se libertar daquilo tudo e se tornar uma espécie de revolucionário gente boa. Muitos freqüentemente o comparam a Sirius Black (que também vem de uma família bruxa tradicional e parcial, mas que acaba se revoltando). Eu acho isso uma das maiores piadas que já li em toda a minha história de fandom, sinceramente. E é impressionante o número de fics que aborda o tema, colocando o Draco um verdadeiro primor da boa ação.

 

É por isso que resolvi escrever essa coluna, pra mostrar o que eu acho ser mais condizente com a personalidade do Draco. A meu ver Draco é um garoto loiro, metido e preconceituoso. Nada diferente daquilo que vimos em “Pedra Filosofal”. É só olhar o que ele diz. Draco abomina mestiços, quem não se lembra do que ele disse em “Câmara Secreta” quando aparece a pichação nas paredes? “Vocês serão os próximos, sangue-ruins!”. Ele aprecia métodos ilícitos de persuasão (o pai dele deu vassouras para todo o time de quadribol da Sonserina e assim, Draco entra no time). É um dedo-duro de mão cheia, vemos isso diversas vezes nos livros. Desde o dragão em “Pedra Filosofal” até Umbrigde em “Ordem da Fênix”, isso passando por Rita Skeeter em “Cálice de Fogo”. Draco não segue bons exemplos, mas os aprecia e acredita neles. Ele realmente admira a imagem do pai. Draco trapaceia e não vê nada de errado nisso. Afinal, o mundo e as outras pessoas que o habitam são insignificantes perto da esperteza e superioridade da família Malfoy e em segundo plano, as outras puro sangue.

 

Draco foi completamente absorvido pelo mundo em que vivia. Acho que isso o faz diferente de Sirius. Draco passou a vida vendo o pai discriminar e classificar as pessoas, cresceu vendo artefatos das trevas embaixo da sala de estar. E achava isso natural, normal. Certo. Diferente de Sirius que também viu essas coisas mas conseguiu captar o senso de que alguma coisa estava errada. Draco e Sirius não poderiam ser mais diferentes. Draco é covarde, desleal. Um mimadinho que vai se esconder atrás da capa do pai o resto da vida. Ao menos eu pensava assim, até ler “Harry Potter and the Half-blood Prince”.

 

Eu levei um susto danado ao ver Draco “na ativa” nesse livro. Quer dizer, antes ele era somente um infeliz irritante dedo-duro. Em HBP ele se tornou um infeliz irritante dedo-duro que tentou matar Dumbledore! Céus! Eu não esperava isso. Não do Draco. Toda aquela convicção. Que foi aquele soco no Harry dentro do trem? Que foi a esperteza de perceber que Harry estava lá? E ele brigando com Snape? Rejeitando a ajuda do professor que sempre o protegeu? Oras, não é que Draquinho acordou pra vida? Acordou do lado errado, deve dizer, mas acordou. É claro que ele não deixa de ser tudo que eu disse ali em cima, mas ele mudou.

 

Acho que “mudança” começou quando Lucius foi preso. Veio um desejo natural de vingança, de revanche. Foi quando Draco percebeu que não havia como “escapar”, como sempre fizera. Da última vez Lucius alegara estar sob a Maldição Imperius, mas agora, na cena do crime, não havia contestar. Pela primeira vez não teve jeito de recorrer. Lucius estava preso. Seu pai estava em Azkaban, a imagem da família manchada e pior, o Lord não estava nada satisfeito. Então… será que seu pai tinha ido pra Azkaban por nada? De que adiantou por o nome da família em risco?

 

Voldemort a meu ver, é o cara mais sensacional da história inteira. Ele consegue perceber os desejos das pessoas e usar isso a seu favor. Ele percebeu o desejo de vingança de Draco e ofereceu essa oportunidade para ele. Ofereceu  a ele a chance de matar Dumbledore, matar o homem que colocara seu pai atrás das grades. E mais, matando Dumbledore ele estaria atingindo diretamente Harry Potter e ainda expurgando da escola um homem (que segundo suas crenças) era indigno de dirigi-la. Assim, Draco teria a chance de sua vida, e Voldemort, não teria nada a perder. Se Draco completasse sua tarefa, ótimo, se não, ótimo também. Haveria outros para faze-lo. Draco não representava nada para Voldemort.

 

Em HBP vemos um Draco mais sério, mais concentrado. Chega a ser até divertido. Vê-lo cego e desesperado para cumprir uma tarefa fadada a desgraça. Mas o que mais surpreende ainda é ver que Draco consegue. Depois de inúmeras falhas é verdade, mas ele consegue ter a chance que queria. A chance de matar Dumbledore! Pois é, então acontece o que eu chamo de “segunda revolução na vida de Draco”. Ele se depara com um diretor já debilitado e mesmo assim, sem medo nenhum de morrer. E pior. Dumbledore lhe dizia que já sabia de seu plano a muito tempo, que não agira antes porque acreditava que Draco não era um assassino, que ainda podia se recuperar! Acho que tudo isso deixou o Draco meio passado. Nunca lhe fora mostrado essa possibilidade antes, não daquela forma tão verdadeira, a chance de poder ser perdoado. Tanto que ele vacila, e acredito que se os Comensais não tivessem entrado ali naquela hora, Draco teria aceitado a proposta do Dumbledore. Mas acho que Dumbledore por outro lado, sabia que não tinha saída naquela hora, sua verdadeira intenção era mostrar a Draco uma nova possibilidade. E deixa-lo sensível a esse lado.

 

Draco Malfoy pode até continuar seguindo os Comensais da Morte por mais algum tempo (como creio que o fará) mas acho que no fim, ele volta. Não como um cara bonzinho e feliz, mas como o cara que fez a coisa errada, que fez besteira, mas que se arrepende. Ele vai continuar sendo arrogante, chato, metido, covarde e preconceituoso, mas ao menos estará num caminho mais certo. Acho que com Draco a J.K quis mostrar como valores errados, como pensamentos de preconceito e discriminação podem destruir vidas ou ao menos, chances delas.

 

Draco Malfoy definitivamente não é Sirius Black, ele não vai rebelar e lutar pela causa do lado bom da coisa, mas ao menos vai aprender. Vai ser redimir. E deixar de ser o Mini-Malfoy.

 
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Uma opinião sobre “Mini-Malfoy

  1. Também não gosto dessas fics, ou teorias, que colocam o Draco como sendo bonzinho, injustiçado e etc, mas não consigo ve-lo como vilão, acho que você o denifiu bem, ele foi absorvido pelo mundo em que vivia, cresceu naquela realidade onde odiar trouxas era uma coisa normal. E também não acho que um dia ela vai lutar pelo lado do bem, eu acho que o Draco da "Como eu vejo" da Amanda, é o que o Draco dos livros pode vir a se tornar. Indiferente a guerra, e ajudando o lado que é mais conveniente. Ou como você falou, ele pode admitir que está errado, mas longe de ficar bonzinho.E eu nunca tinha visto essas comparações com Sirius Black, que coisa mais nada a ver XD

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