Opinião

Opinião.

 

Ontem eu li no Orkut – sim, no site de relacionamentos tido como maior lixo social que se encontra on line – uma coluna de um cidadão relatou estar simplesmente cansado de ter opiniões. Eu, uma vestibulanda desesperada e que já cogitou todas as maneiras de não zerar Matemática e Física no final do ano, não pude deixar de me sentir compreendida. Quero dizer, exigem de mim uma dissertação por semana. Nessa dissertação, eu deveria agrupar fatos e relacionar com a História, com a Geografia, com tudo que eu aprendi em todos esses anos. Eu tenho que saber o que fazer para melhorar o ensino no Brasil e eu tenho que dar um jeito de devolver a autoridade que os Estados Unidos tiraram da ONU. Dois anos atrás, eu até tive que resolver se o comércio de armas de fogo deveria ou não ser proibido no país em que eu nasci.

É esse o meu dever? Uma boa parte das pessoas que votaram branco ou nulo argumentam que elas não tinham a menor obrigação de votar naquele referendo. Afinal, centro e oitenta milhões de pessoas, tendo dinheiro ou não, pagam impostos para manter funcionando a máquina pública. O governo, e não só o do Brasil, é pago para resolver esses problemas, de modo que nós, reles cidadãos E eleitores, apenas deveríamos seguir com as nossas vidas.

A questão central é que estamos o tempo todo sendo cobrados de opiniões que em nada nos ajudam. Meu professor de Filosofia vive dizendo que nós devemos dar um valor maior à nossa liberdade de pensamento; que por mais que nos oprimam e nos censurem, por mais que tenhamos que nos aliar a correntes ideológicas que não condizem com as nossas próprias idéias, nós sempre seremos livres enquanto pensarmos por nós mesmos, porque isso ninguém consegue manipular (é claro que George Orwell tem outras opiniões sobre o assunto, mas não é esse o ponto agora). Entretanto, eu sempre tive outro tipo de indagação: de que serve ter o pensamento livre se eu continuo associando o meu nome com atitudes contrárias àquelas dos meus valores? O conhecimento e o pensamento advindo dele são lindos, eu concordo. A sensação momentânea de saber alguma coisa é maravilhosa, muito bem. Mas se você sabe que há gente precisando de ajuda, por que não ajudar? Por que não contribuir com algo que você sabe que faz bem?

Os argumentos pessimistas vêm, então, cheios da arrogância de saber que o ser humano não tem salvação; mas como eles sabem? Eles já tentaram salvar o ser humano, por acaso? É claro que você encontra argumentos fortíssimos contra a nossa espécie. Mas não se pode considerar a maioria e esmagar uma minoria que luta todos os dias por uma existência decente. A democracia não é assim tão bonita e tão superior a todas as formas de governo, porque não há como ter certeza se a maioria está sempre certa. Nunca há como saber quem está certo.

Dessa maneira, você liga a televisão e saltam opiniões da tela: sobre moda, sobre política, sobre esportes… Você lê revistas e tenta memorizar freneticamente quem disse o quê, sobre qual assunto, em qual época. Tudo isso apenas – no meu caso – para que eu me sente diante de uma folha de papel com linhas metrificadas e saiba fazer o melhor discurso, que será corrigido por uma banda que também corre o risco de não estar certa. Isso ocorre porque, não importa o número de seres envolvidos, tendemos fatalmente a errar.

A este ponto, ergue-se uma mão entre as colegas da minha classe e diz que nós deveríamos sempre ter aulas apenas das matérias que nos interessam. Apesar do horizonte colorido que se abre diante de mim num primeiro momento, eu ficaria realmente entediada em corrigir textos por um dia inteiro ou em filosofar sobre um assunto transcendental.  Tudo em exagero cansa, não é? Além do mais, um pensamento “viciado” também não é apreciado pelas faculdades.

Eis algo que também me cansa. Eu tenho a impressão de que não ocorria isso quando eu era menor, mas quem sabe? Olho em volta e vejo as crianças lendo Machado de Assis, quando deveriam ler a Série Vaga Lume. Elas têm doze anos e sabem o que fazer com a dívida externa. Ou ao menos pensam que sabem. Descobrem o socialismo e desfilam pelas ruas com camisetas do Che Guevara. Pintam os cabelos, usam batom preto, estudam três horas por dia, mesmo que não tenham matéria a estudar. Tudo para o vestibular. Então você pergunta a elas que curso querem fazer. E veja se metade delas sabe. Não sabe!

Mas é claro que não sabem. Elas nem deixam um tempo para pensarem no que querem… Elas querem passar no vestibular, querem sair no jornal, querem uma vida bem sucedida. Apenas se esqueceram de pensar no quê querem ser bem sucedidas.

O que eu quero dizer é: as escolas são culpadas de criarem robôs programados para passar no vestibular.

A que ponto o aluno percebe isso? É relativo, porque muitas vezes ele quer ser esse robô. Só que muita gente se esquece que antes de ser vestibulando, nós somos pessoas. Pessoas com necessidades! Nós precisamos nos divertir, precisamos ler o que gostamos, e não o que a UNICAMP pediu. Precisamos respirar fundo e largar o curso extra de matemática, se quisermos fazer piano.

Vejam bem: houve um tempo em que a riqueza era representada por terras. Nos últimos cinco séculos, riqueza foi expressada por si mesma, em notas, em moedas, em pesos de metal. Mas o que está acontecendo agora? A informação está se tornando o objeto de poder. Quem sabe mais, consegue o melhor emprego e, consequentemente, o melhor salário.

Eu só queria que as pessoas parassem e pensassem no que elas realmente querem. Mas são tantos valores a serem relaxados, tantos juízos que estão nas nossas cabeças há tanto tempo que nem se sabe de quem são mais…

Agora vocês entendem que formar opiniões sobre tudo nos leva a um labirinto dos mais confusos… E que nós deixamos os nossos próprios pensamentos bem na entrada? Nem sempre o melhor curso é o que eu quero mesmo fazer. Nem sempre o mais caro é o meu favorito. E nem o mais barato é sinônimo de pobreza. E se fosse também, qual seria o problema?

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3 opiniões sobre “Opinião

  1. Olá! Menina, estou pasma com o seu post. Já faziam algumas semanas ou meses q eu ñ lia algo tão bom, e certamente já faziam meses q eu ñ lia um post tão bom. Ñ sei c tenho no q discordar, vc apontou um monte d erros q eu cometo e acho q vou repensar algumas coisas. Precisamos conversar sobre isso longamente… aiai…
     Acho q, aliás, tenho certeza q, c vc ñ fosse uma pessoa com senso crítico, ñ teria feito essas observações: essas são antes d + nda a SUA OPINIÃO SOBRE O Q T DISSERAM Q ESTAVA CERTO. Ñ é mega-confusérrimo??????????????
     Eu ñ consigo imaginar c/ associar o pagamento d impostos ao referendo, eu acho q nós ñ pagamos p/ o governo p/ ele ter opinião p. nós + p/ ele manter a ordem no país levando a nossa opinião em consideração. Hmmmm… o q vc acha?
     Eu estou bem nessa situação: informação até vazando pelas orelhas, já q na kbça ñ cabe +, mas s/ saber o q vou fazer da vida com isso. Por outro lado, acho q prefiro q o saber seja o tesouro da nossa sociedade ao invés d ouro e terras. Vc ñ?
     Eu acho q é o q vc faz com a informação q faz a diferença. Eu acho q, com as suas opiniões, vc sempre será + livre mesmo q seja forçado a algumas coisas, c/ vc mesma flw, mas tbm acho q agora q mtos têm acesso à informação vc precisa d algo +, q é usar as suas opiniões p/ mudar alguma coisa – e isso é difícil, perigoso e desconfortável, c/ vc provavelmente já sabe.
     Vc pode cuspir td numa folha d prova, e fazer alguma coisa descente c/ o q vc cuspiu; vc pode ñ prestar prova nenhuma e mudar o mundo c/ as suas idéias; vc pode cuspir td numa folha d prova e nda fazer pela sua sociedade – com certeza a última possibilidade é a pior d tdas. É essa q eu tento evitar. Eu fico com a 1ª: fazer uma carreira d sucesso (em q? ainda ñ sei!!!! esse é outro problema) e, tendo uma opinião, mudar o mundo p/ o q eu quero q ele seja – ou morrer tentando. =^^=
     + eu estou vendo os meus sonhos serem jogados pela janela p. td com essa situação tda. Eu quero fazer japonês, podia ter feito isso + fiz espanhol p/ o meu futuro profissional – e futuramente vou fazer inglês pelo mesmo motivo. E o meu sonho? Esquecido ñ vai ficar, + vai t q c adiado – é tão cruel, e doloroso, e eu ñ gosto d t q me submeter a isso. Eu poderia simplesmente dizer "Não"! Não é isso q eu quero p/ mim!!" e, mesmo sendo forte o bastante p/ isso, ñ é o q eu vou fazer. Um caso em q ter opinião ñ valeu em nda ou quase nda. Reflitamos.
     Acho q a melhor solução é formar opinião sobre td, entrar nesse labirinto confuro e NÃO deixar os próprios pensamentos na porta d entrada – um desafio digno d Hércules, um passo à frente, algo capaz d ser o diferencial qdo nós com nossas próprias opiniões estivermos no meio d outros tantos tbm com opiniões.
     Bem, fico feliz q vc tenha gostado da forma c/ eu escrevo – ñ sei c eu mesma estou satisfeita. Só sei q penso mto, td dia, no q vc me disse uma vez sobre ninguém gostar da idéia d escrever histórias. Eu agora quero escrever uma, e qm disse q sai alguma coisa?? Eu tbm ando pensando nas opiniões da tia Jô e d C. S. Lewis sobre isso: eles escrevem histórias pq eles simplesmente ñ sabem passar o q eles querem passar d outra forma, e eu escrevo c/ escrevo pelo mesmo motivo, até q pto devo tentar mudar isso, c eles escrevendo o q naturalmente sabem escrever melhor c deram bem eu tbm posso, ñ?
     É, o Ide c deu mal na Fórmula 1, dá dó né? Eu lembro d ter escrito em um post passado, c vc procurar no AG vc encontrará, do o Ide entrou na F1 no começo da temporada q ele era o + novo japonês no ramo e q eu esperava q esse tivesse + juízo q o compatriota Takuma Sato – + ele ñ teve, paciência.
     Estou feliz com a melhora na escola, + ainda ñ dá pra relaxar: escapei dessa vez, agora vamos v no q vai dar.
     Bem, já falei d+ p. hj. espero t encontrar no msn logo.
     bjos =***

  2. Nossa, Amanda, muito bom o seu post. Retrata bem o nosso mundo atual, muita vezes somos sufocados por uma avalanche de exigências do que devemos ser, que nem temos tempo para no que queremos ser. A maioria das escolas relacionam tudo ao vestibular, querem discutir questões ambientais, mas no fim, é só por que esse assunto está em alta e pode ser pedido na redação de alguma universidade. Temos que assistir a discovery channel o dia todo e navegar pela net procurando nossas formas de estudar, senão estaremos contenado a uma vida de miséria, por não termos atingido a nota de corte.
    Mas também é dificil as pessoas não seguirem esse caminho de pensar só no que parece melhor, hoje em dia tudo se resume a dinheiro, e as pessoas não pensam no sacrificio que fazem para consegui-lo.
     
    Bm, temos poucos tempo de vida, não sei o que me acontecera depois que eu partir, então o minimo que eu posso fazer é aproveitar a minha estadia aqui, fazendo o que gosto e dando o melhor de mim

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