Siiiiim!

Gente, férias batendo na minha porta! Vejam só que alegria! Finalmente vou viver um pouquinho… Sair, fazer bagunça e postar bobeiras no space!! Oba!
Ler os livros da UFMG… os resumos da usp e da unicamp… E olha lá!
 
Valeu pelos comentários na minha primeira coluna… O dono do jornal falou que eu tenho que escrever menos, e tomar mais cuidado ao mencionar política, hahaha…
Fiquei me sentindo aqueles autores da literatura, cheios das suas sátiras! /o/
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Jornal ^^

Gente, vejam só. Ganhei uma coluna no jornal A Folha, daqui da Palmeiras! O jornal é pequeno, humilde, mas tem boa vontade, até. Fora as piadas que só sabem zuar o PT. Paciência.
 
E pra quem nunca tem acesso ao jornal, resolvi publicar minha primeira coluna aqui:
 

Palmeiras: ame-a ou conserte-a

 

Santa Cruz das Palmeiras abre os olhos.

Existem diversos núcleos na cidade que parecem às vezes ter tanta vida própria como ‘O Cortiço’, de Aluízio de Azevedo, mas seus traços são tão opostos que, a fim de formar alguma opinião sobre a vida na cidade, foi necessário ir às ruas.

O que leva uma pessoa a passar a vida toda nesta cidade? As respostas foram diversas. Houve quem escolhesse a vida doméstica em contrapartida à acadêmica. Houve quem dissesse que sua vida já estava estabilizada. Ninguém se atreveu a dizer que não gosta daqui.

A pergunta que não se cala: por que então eu ouvi tantas reclamações? Da sujeira, da poluição derivada das queimadas (queimadas essas que são altamente tóxicas ao meio ambiente e são também um dos principais fatores para uma população cheia de problemas respiratórios), das informações que não chegam ao povo – sabiam que existem inquéritos mantidos a quatro paredes espalhados nos cantos dos Diários Oficiais? – , do maltrato com a saúde e de como agora as verbas vão para uma empresa que nem participa da renda da cidade… Folhas de pagamento atrasadas… Mais sujeira – porque sobre isso eu ouvi repetidamente –, segurança e o que não poderia faltar: a total ausência de opções para se sair à noite por aqui.

É verdade que os garis se esforçam; não é necessário andar muito para encontrar um deles. Mas há mais uma coisa: a cidade é suja porque nunca a limpam ou porque os cidadãos não fazem questão de mantê-la limpa? Falta a muita gente a consciência do bem público; um chiclete, um papel, um móvel num terreno baldio… Nada disso classifica um cidadão com direitos de reivindicar limpeza. Sobre o desgaste do ar e do solo, existem crianças na quinta série que podem ensinar; plantar repetidamente o mesmo produto agrícola, ainda por cima limpando os terrenos com queimadas, não pode ser saudável nem aqui, nem em São Paulo, nem em Plutão. E sobre sair à noite, as pessoas têm que assumir: não há muitos jovens aqui, com o escoamento de estudantes para cidades munidas de faculdades. Ao mesmo tempo, existe a necessidade de um ponto único e imutável, para que não acabemos todos passando os sábados no orkut, fazendo de conta que estamos nos relacionando…

O que acontece então com a população que muitas vezes gosta daqui sem saber o motivo? É cômodo? É uma escolha corajosa? Ao mesmo tempo pode ser corajoso sair daqui e tentar mudar o mundo no maior espírito inovador, e também resolver ficar aqui e lutar por algum desenvolvimento.

Houve um filósofo que viveu antes mesmo de Sócrates, chamado Heráclito. Se há algo que se deva lembrar sobre ele é o “Tudo flui.” A cidade não é a mesma de quando eu era pequena, e consideremos que nem maior de idade sou. A escola pública ainda era confiável, imaginem só! Dá para imaginar, logo, que não somos mais os mesmos que fomos. Nós continuamos seguindo a lei do menor esforço, sim, e quem fizer cara feia pode estar se sentindo ameaçado; é só olhar em volta e muita coisa pode ser melhorada. Hoje mesmo eu passei pela biblioteca municipal e encontrei adolescentes acessando a internet, tal qual nos comerciais dos políticos! A sensação que passa é que não é de verdade. Mas enquanto houver algum agrupamento humano, é possível sim mudar; e para melhor.

Tanto foi dito que a colunista por pouco se evade de dar sua opinião. E quando alguém faz isso, não deixem de desconfiar: passar um resumo das opiniões alheias apenas denota incerteza e insegurança sobre os próprios valores. Santa Cruz das Palmeiras é como qualquer cidade pequena, com gente varrendo a calçada e falando da vida alheia, com a noite pacata e com aquele tédio bobo de final de semana. Mas sair à rua e ser reconhecido por gente que te viu crescer tem um valor que todos nós ainda havemos de desejar, quando não mais o tivermos.

Será muito desconfortável sair para o cinema, em um lugar distante daqui, e não ter medo de que as cadeiras caiam pra trás; será esquisito não ir mais para o centro à noite e ficar reclamando com os amigos da vida; será doído, também, despedir-se de todos aqueles que se esforçam todos os dias, e contra a maré, para manter a honestidade viva.

O resultado: Santa Cruz das Palmeiras causa um sentimento demolidor de identidade nas pessoas. Nós nos sentimos parte daqui, e a cidade é parte de nós. Há muito pelo que se lutar, e muitas soluções são possíveis. Por que não deixar de ver novela só por um dia para ir atrás delas?

Anne Frank

Hoje não é dia dos namorados. Não é o dia de Itália x Gana.
Hoje, Anne Frank faria 77 anos.
Ela era uma menina judia, que nasceu em 1929, em Frankfurt. Os pais dela eram Otto Frank e Edith Holländer, e ela tinha uma irmã mais velha, Margot.
Desde quando a Segunda Guerra Mundial começou, em 1939, Hitler começou a baixar decreto após decreto, a fim de limitar os judeus até onde seria possível. Anne tinha doze anos e não podia andar de bicicleta. Não podia participar de eventos públicos, tinha que usar uma estrela amarela de seis pontas no ombro, não podia pegar bondes nem entrar em lojas de cristãos.
Quando os judeus começaram a desaparecer em trens sem volta para campos de concentração, seu pai e sua mãe resolveram se esconder. Espalharam um boato sobre terem fugido para a Suíça – neutra à guerra, na época – e se enfiaram no Anexo Secreto, um andar e mais alguns quartos atrás de um fundo falso de parede, oculto atrás de um armário.
Ali ela ficou escondida, sem poder fazer barulho em pleno começar da adolescência, apenas escrevendo no diário e estudando,  para não estar atrasada quando pudesse voltar para a escola, depois da guerra. Ela ouvia as explosões toda a noite, e pegava no sono com um velho dentista aposentado roncando e fungando, deitada em uma poltrona esticada por duas cadeiras, em cima e embaixo.
Em agosto de 1944, ela foi denunciada. A SS arrombou o esconderijo, revirou tudo – inclusive as páginas de seu diário, embora não as tenha dado a devida atenção – e a família foi separada. Todos tomaram o trem para Auschwitz. Lá ficou Otto Frank, que foi o único a sobreviver. Edith ficou com as mulheres, onde acabou morrendo, louca. Ela continuou guardando o único pão que recebia por dia para dar de comer às duas filhas que adoeciam em serviço, longe dali, em Bergen Belsen. Ela morreu de inanição, porque se recusou a comer pelo bem das meninas.
Anne e Margot estiveram em Bergen Belsen, onde, debilitada e frágil, Margot caiu da rede onde dormia e nunca mais se levantou. Dois meses depois, Anne morreu, de febre tifóide.
 
Imaginem o que ela poderia ter feito; Anne queria ser escritora ou jornalista. Escreveu sobre filosofia tendo 14 anos, no conto inacabado "A Vida de Cady". Escreveu contos e ensaios, que chegaram até nós graças àqueles que os protegiam.
O nazismo cortou essa história pela metade, assim como com outras seis milhões de histórias e caminhos que nunca chegaram até nós. O nazismo acusava os judeus de ocuparem seus empregos, de infestar a Alemanha, e insistia na superioridade de uma raça humana, a ariana. Ele dizia que pessoas brancas, sem miscigenação, eram superiores a gente como negros, judeus, comunistas, sul-americanos e etc.
Observação: os judeus são a etnia mais pura da face da Terra. São os que menos se misturam.
Observação 2: Hitler próprio não era ariano.
Observação 3: O nazismo tem adeptos até hoje, inclusive no Brasil.
Não me pergunte no quê isso poderia se fundamentar, porque eu não entendo.
 
De novo: não fosse Hitler, poderíamos ter lido os romances de Anne Frank. Ela poderia estar comemorando 77 anos hoje.

Vícios de vocação

Cada profissão costuma originar um certo vício em quem a pratica. Meu professor de Física pensa as coisas mais mirabolantes em tudo que vê; força do peso, da normal, na velocidade de não-sei-o-quê… A Jor, que quer fazer Geografia, vai viajar e fica reparando na vegetação em volta.
E eu? Fico vendo "histórias em potencial" por todo o lado. É assim que surgem as minhas fan fics. As minhas próprias histórias, eu costumo dividir em ships do fandom potteriano. Eu já vivi Harry/Ginny – um cara que eu achava meio "heróico" e demais pra mim, que acabou me vendo – , já vivi James/Lily – um cara que eu odiava e acabei amando – e por aí vai. Eu vejo casais estereotipados o tempo todo. Já tive uns prenúncios de Harry/Luna. E de Draco/Ginny também. O que está em jogo quando eu penso num casal? As personalidades. Eu acabei de chegar em casa da cidade vizinha, e meu pai ficou ouvindo Bruno e Marrone o tempo todo (poluição sonora? Imagina!), e nas músicas ele nunca fala de alguma qualidade da mulher… Assim fica fácil de ser aceito, porque ele pode estar cantando pra qualquer uma. Eu não gosto disso, pra mim a graça vem justamente quando mostram a convivência e otras cositas mas… Mas "carinhosa, dedicada e sedutora"? Qualquer mulher pode ser assim, se quiser. E qualquer homem vai gostar disso, porque eles amam ter seu ego massageado.
Agora, a questão: faria diferença a mulher para quem o cara está cantando? Fica parecendo um daqueles rituais de acasalamento que você vê nos documentários da cultura.
E mais uma questão: quando eu gosto de um cara e eu reconheço nele e em mim os traços de um casal de fan fic, eu estou gostando de quem, do cara ou da história?
 
Ah, eu vou é me preparar pro jogo do Brasil terça feira que eu ganho mais… GO, COSTA DO MARFIM!^^

Sono

Eu estou com sono hoje. Aquele sono que bloqueia o raciocínio, que dá vontade de ouvir música, dormir, ver um filme…
Redescobri a Pitty agorinha. E depois dessa semana, cheia de glorificações à minha idéia de prestar Relações Internacionais ao invés de Letras, acabei me perguntando algumas coisas meio bobas.
Queria que a minha vida fosse mais longa. Eu sei que já disse isso, mas há tanta coisa a ser feita… Se eu me formasse em RI, poderia realmente ajudar as pessoas. Poderia ir a lugares inóspitos, ajudar quem precisa e mudar o mundo do meu jeito. Fazendo Letras, eu pensava que estaria fazendo a escolha egoísta, porque é algo no qual eu levo jeito e que eu posso de verdade chegar a me destacar, com algum esforço…
 
Isso é algo que eu sempre me questiono. Muita gente riu de mim quando eu falei que Letras era a escolha egoísta. Está todo mundo tão acostumado a só ajudar a si mesmo! Eu tenho dois braços, duas pernas, uma cabeça que funciona bem o suficiente, por que eu não poderia fazer algo que valesse a pena? Por que todo mundo não faz um pouco? Nem é necessário muito. É cada um ser um pouco menos centrado em si. Na minha classe, por exemplo: se as pessoas entendessem que não estão sempre certas, se elas soubessem que você paga uma escola pra ter aulas, e não para escolher se quer tê-las ou não, se a secretaria soubesse que está nos igualando ao Estado quando diz aos professores pra não dar nota vermelha pro terceiro ano, se as pessoas em quem nós colocamos a nossa esperança toda a eleição honrassem esse voto ao menos uma vez…
 
Eu tive aulas de Machado de Assis esses dias em Literatura e todo mundo sabe que eu não gosto dele. Não é aquele desgostar de estudante comum, que não entende o tal humor negro, as digressões e etc. Eu juro que sei que ele é bom. Bastante bom. Mas estou bem longe de achar que ele é o melhor escritor da Língua Portuguesa… Muito peso pra alguém que só fez dizer que os humanos não fazem nada de graça. Todo mundo sabe, no fundo, que não passa de um animal que cresceu, se virou de alguma maneira e chegou ao fim da vida sem trazer nada de bom para os outros. Eu acho que o Machadão errou ao não mostrar a luz no fim do túnel. Eu não acho que todo mundo só é bom com os outros porque quer algo em troca. Se eu peguei a caneta da Gabriela que caiu no chão, eu não estou exigindo que ela pegue a minha, quando ela cair. Eu também não fiz isso para ela pensar que eu sou educada. Eu só peguei porque ela caiu, ora!
 
Todos vocês, e eu também, têm uma vida inteira pela frente, não importa quantos anos se tenha ou quanto já se tenha vivido. Dá pra ter uma vida boa. Dá pra se soltar das amarras da televisão e da religião de hoje em dia. Dá pra entender que existem coisas que nós não vamos compreender nunca. Dá pra entender que as pessoas têm esperança por algum motivo.
 
Ai, que sono.