Segunda coluna… Apesar de tudo

Potencial… para futebol?

 

Enquanto uma boa parte da população se diverte à beça assistindo à Copa do Mundo, não é necessário passar por muitas esquinas para encontrar um falso intelectual bradando a quem queira ouvir sobre esse mês maluco, durante o qual nada mais é feito, aulas são canceladas, expedientes são cortados ao meio, tudo por conta de vinte e duas pessoas (além dos juízes) perseguindo uma bola. Aparentemente, ninguém mais faz nada da vida, além de preencher as tabelas e discutir se os reservas brasileiros deveriam começar jogando ou não. Os defensores das populares “teorias da conspiração”, por sua vez, ressaltam que tudo seria uma estratégia (feita por ninguém, ou por todos) para que o povo fique distraído e acabe sendo pego de surpresa pelas eleições presidenciais, que ocorrem cerca de três ou quatro meses depois de conhecermos o campeão mundial de futebol.

Não deixa de ser verdade; durante toda a História, o povo foi manipulado de acordo com as vontades de uma minoria que imperava sobre os pobres. As revoluções foram feitas por meia dúzia de estudiosos que nunca mostravam a cara ou eram punidos, uma vez baixada a poeira. Todos gostam de culpar o povo, invariavelmente visto como ignorante e manipulável, pelo mundo continuar como está, pela roubalheira continuar em todas as partes do planeta, pelo racismo e por milhares de outros males: a culpa toda, costuma-se dizer, viria apenas de um grupo passivo de seres humanos… Para completar as críticas à grande massa, caberia a uma “elite pensante” o dever (o “sacrifício”) de guiar esse povo para decisões certas.

Até o presidente do nosso país, felizmente, conseguiu perceber que o brasileiro em geral não tem auto-estima (ainda mais o cidadão de Santa Cruz das Palmeiras, assunto abordado semana passada…); é claro que a campanha para aumentar a moral dos cidadãos não deu certo, mas se é que existe algo no qual um brasileiro se garanta é justamente no evento que estamos presenciando nestes últimos dias: a Copa do Mundo.

Não é por ser apenas um esporte que as pessoas deveriam desmerecer de tal forma a habilidade tradicional do Brasil. Esquecendo os cartolas do futebol e pensando nele apenas como uma prática esportiva que incentiva a paz – o lema “fair play” da FIFA não existe à toa, e sim tem a intenção de pregar a competição pacífica entre os países -, é realmente admirável e satisfatório saber que gente nascida na mesma terra que nós é capaz de vencer campeonatos, ligas e copas num jogo limpo, muitas vezes polêmico, mas jogado. A sensação que se tem ao sair nas ruas após um jogo do Brasil, em Santa Cruz das Palmeiras e no país todo, é indescritível. As pessoas comemoram, cantam juntas e percebem, para sua surpresa, que todos nós temos algo em comum. As pessoas se orgulham do lugar onde nasceram – e quantas vezes um brasileiro comum se sente assim na vida?

A Copa do Mundo, especialmente no nosso país, contribui para uma sensação gostosa de nacionalidade; nós nos sentimos pertencentes a um lugar, nos sentimos aceitos. Será que é porque quase nada funciona, porque há tanta preguiça, porque é triste trabalhar todos os dias sem conseguir chegar a coisa alguma no final do mês, ou será que é por causa de tudo isso junto, que o comércio fecha na hora dos jogos e que a cidade fica mais alegre e colorida ainda do que no carnaval?

É claro; se o povo usasse toda a energia gasta para torcer pelo Brasil para fazer uma boa ação aqui, compreender o outro ali, procurar saber mais sobre os trâmites da sua cidade e pegar um lixo no chão, a vida seria melhor. Mas as coisas estão se agravando, a paciência do povo tem limite… Como integrante do povo, eu sei que nós não ficaremos na moita por muito mais tempo, caso não haja mudanças.

 

 

–> Meninas, fiquei muito triste ao ver que vocês concordam com aquele jogadorzinho francês. Muito mesmo…

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Uma opinião sobre “Segunda coluna… Apesar de tudo

  1. Olá querida!! Já deu para sacar a sua posição: em favor d c anestesiar com futebol qdo  nda + dá certo, p/ ganhar uma moral na marra. Certo, mto bem: nós nos unimos, p. um pouco d alegria, + eu já estou tão amarga, tão vencida, tão fraca, tão desiludida, d tanto ver todo o resto dar errado, q ñ sei + c vale à pena termos orgulho. Um motivo para alegria no meio d tantas tormentas… é, talvez eu esteja errada, talvez seja disso q nós precisamos, + eu sempre vi como uma fuga d 90 minutos e nada mais do q isso, sendo assim, fútil. Não sei direito o q pensar, + sei q uma pessoa com um bom emprego, com direito a saúde,q sabe q seus filhos não estão condenados a serem analfabetos tende a ter uma auto estima melhor do q qm ñ tem nda disso, ou será q as campanhas do Lula são + eficientes? Claro q são. XD
    beijos

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