Quando eu imaginei que sonharia com otimismo?

Talvez tenha sido o seu comentário, Lílian, talvez tenham sido outras coisas, mas eu não percebi esse surto otimista que andou passando por cima de mim ultimamente. Todas as flutuações nos meus ideais, até hoje, eu encarei como evoluções, porque sempre se considera um ideal melhor que o anterior.
Mas será uma viagem acreditar na melhora? Mesmo depois de ver a podridão até o fundo? Mesmo depois de saber o quão ruins as pessoas podem ser, podem se tornar e enfim? Eu já fui pessimista, e das brabas
Um dos traços que eu mais admirava no cara que eu mais gostei na vida era isso: ele tinha um passado horroroso, que não dependia dele mas que ao mesmo tempo tinha muito a ver com ele, tinha tudo pra dar errado, tinha tudo pra não ser ninguém e pra não ter nada que a gente busca todos os dias, mas eu nunca o vi triste. Às vezes eu penso que era por isso que eu gostava tanto dele. É engraçado dizer isso, mas antes de gostar dele eu não o achava bonito. Nem inteligente, nem nada de bom. Eu era, dá pra dizer, extremamente pessimista. E a princípio, quando eu percebi que ele nunca ficaria comigo, me tornei mais pessimista ainda, e comecei a ver coisas horríveis nos pequenos gestos das pessoas. Uma coisa meio Machado de Assis, sabem? Aquela baboseira de "não se faz nada de bom para alguém sem querer algo em troca"? Pois então. Sem falar da minha auto estima, que também não colaborava.
Eu me concentrava demais em sentir isso aí que você falou, Lílian: cansaço. Eu estava bem naquele espírito Pink de ser… "I wanna be somebody else". Eu queria viver em outro mundo, onde as pessoas fossem decentes, onde elas agissem de maneira tão nobre quanto eu lia nos meus livros. Dois anos se passaram desde aquela época e eu ainda tenho uma sensação de nostalgia quando me lembro daqueles dias, embora eu saiba perfeitamente que a quantidade de sofrimento que eu encarei naquela época não é nada saudável pra ninguém. Eu tinha quinze anos e poderia ter me tornado uma dessas menininhas felizes que IsCrEvEm AxIm, vai saber. E não estaria preocupada com intelecto, nem nada.
Tudo era horrível e nada servia de consolo. Foram fics, foram livros, foram filmes, nos quais eu tentava escrever uma realidade diferente. Ninguém disse que eu preciso ficar presa à realidade… Querendo, você faz os fatos que bem entender. 1984 tá aí pra não me deixar mentir.
O tempo passou, eu deixei de ver esse cara, mas sem esquecer dele nunca. Nem do modo como ele lidava com a vida… Ainda lida, né, ele não morreu…
E afinal, eu entendi que eu não estou na Terra Média. Eu não estou em nenhum dos mundos em que eu queria. Mas será que o mundo no qual eu nasci e ao qual eu pertenço é tão ruim assim? Será que não tem nada mesmo a ser salvo?
Quando eu falo com otimismo, quando eu publico essas colunas bobinhas e curtas cheias de uma poesia em coisas que parecem me rir pelas costas, eu sempre parto do princípio de que o mundo tem solução. A lei não funciona por defeito das pessoas. O mundo não funciona por defeito das pessoas. Mas não é necessário destruir a espécie humana para que nós tenhamos esperança! Ao contrário, isso envolve esforço dos próprios humanos, para fazer merecer a vida que lhes foi dada.
Por isso, apesar de simpatizar, eu não aprovo o pensamento que os autores da segunda fase romântica tinham da vida. Eles viviam de embriaguez e reclamando da existência que lhes tinha sido dada; mas nunca fizeram nada que a mudasse. Tanto que a terceira geração já apareceu com um foco diferente: ela se cansou de reclamar da vida, e voltou-se para mudá-la. Eles queriam abolir a escravatura, queriam mais atenção para o social, enfim.
Eu considero hoje o otimismo como sendo o resultado do pessimismo em excesso. Está ruim? Está. Mudemos então! Não importa se os outros não vão colaborar. Não importa se vai dar errado no fim – porque sempre dá. Mas nós conseguiremos ficar aqui sentados e ver enquanto tudo desmorona, sem fazer nada? Como no livro 6: Dumbledore pede a Harry que esqueça a profecia, que esqueça que ele é predestinado a lutar contra Voldemort, e depois lhe pergunta o que ele faria com relação a ele; e Harry responde que ainda assim ia querer lutar.
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2 opiniões sobre “Quando eu imaginei que sonharia com otimismo?

  1. Olá querida! Deixe eu me recuperar do seu post, pq eu ainda estou 1/2 s/ ação. *perdida* Eu tenho 2 coisas importantes p/ t dizer:
    1ª Eu acho uma viagem acreditar q dá pra mudar alguma coisa
    2ª Eu ñ vou parar d tentar mesmo q ñ dê pra mudar nda
    Bem, tendo dito isso, acho q podemos continuar. Eu passei por um monte d coisas horríveis, + ñ fui otimista em relação à mim mesma, à minha própria vida e aos seres humanos q me cercavam, embora continuasse acreditando q eu podia mudar alguma coisa. Outro dia, olhando o mundo da sacada do quarto do meu irmão, eu pensava em Hitler, nos caras q fundaram o socialismo, o anarquismo, e pensei no qto eles deviam ter ouvido q ñ podiam mudar o mundo, q ñ podiam fazer nda, q sonhavam d+ e q eram loucos. Pensei no Dumbledore, pensei em mim mesma. Eles ñ conseguiram, e o próprio Dumby sabia q ñ podia deter o mal, + mantê-lo sobre controle, então eu pensei: bem, acho q sei o q deu na kbça desses caras qdo resolveram fazer o q fizeram, o mesmo q dá na minha tds os dias q ñ consigo realizar o q queria – eu ñ posso mudar o mundo, + eu ñ vou ficar paradaaaaaaaaaaaaa!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Vai contra a minha natureza me acomodar. Eu tbm me escondi em um mundo onde as pessoas e as coisas poderiam ser do jeito q eu queria. Eu ainda ñ me conformei com o fato d ñ estar no mundo dos meus livros em q as pessoas têm atos heróicos seguidamente, embora seja atingida por esse fato + e + vezes repetidamente, isso ainda ñ me atingiu o suficiente. + acho q esse meu pessimismo me ajuda a traçar metas atingíveis, embora seja algo deprimente. Já me desiludi com td no mundo, e confesso q as coisas são mto + difíceis qdo ñ c tem fé. + vou continuar batendo a kbça e indo contra td, pq… ninguém à minha volta está fazendo nda, então faço eu!! Acho q, afinal, nós duas chegamos à mesma conclusão. "Não importa se vai dar errado no fim – porque sempre dá." Sim, concordo. Lutemos, lutemos pois a vida nos deu uma chance d fazê-lo.
    bjos

  2. Porra! *tentando se recuperar desse post*
    Bem, eu me considero uma pessoa otimista. Não, claro, eu tenho lá meus momentos pessimistas de desilusão total da vida, mas normalmente, 90% do tempo eu sou otimista. Eu acredito que as grandes mudanças começam com pequenos atos. Não coisas grandiosas, mas se você começar a mudar você mesmo , as pessoas a sua volta vão mudar (rápido ou não, mas vão mudar) e por aí você vai mudando o mundo. Pra mim, as mudanças começam com pequenas coisas. Pequenos pensamentos, coisas aparentemente insignificantes. Tipo "Pra que vou chegar na escola hoje de cara fechada e deixar todos os meus amigos putos da vida?" ou "Pra que é que eu vou responder a essa ofensa sem noção e tornar a minha vida um inferno?". É difícil, com certeza é, e tem hora que a gente perde a cabeça mas… que graça teria se fosse fácil? hahahahahahahaha.
    Eu tenho fé. Eu acredito que as coisas naturalmente buscam um equilíbrio. Hoje, o mundo está desiquilibrado, então um dia vai se equilibrar e pra isso as pessoas precisam equilibrar a si mesmas primeiro. Não é uma questão de crença ou utopia, é questão de física mesmo.
    Então, give peace a chance, como diria o John Lennon. Não precisa ser um Bono Vox da vida, não precisa organizar um Live 8 e salvar milhões de pessoas da miséria na África (na verdade, isso é bem legal mas existem certas barreiras para reles mortais que somos nós), é só tentar ser melhor. Pelo menos a sua vida vai ter valido a pena e as pessoas vão lembrar de você…
    É isso.

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