Quarta coluna

O Direito do Mais Rápido

 

Chegou aos ouvidos da colunista mais uma novidade: a situação atual no nosso sistema de saúde. Os hospitais estariam cheios de dívidas e aqueles poucos afortunados, detentores de um plano de saúde, teriam privilégios ao chegarem a um hospital dito público.

Sorte de quem tem esse plano de saúde; quando não é realmente sério, vamos passear em Ribeirão Preto, vamos ler uma revista tranquilamente sob o ar condicionado, e depois, claro, dar uma passada no shopping… Porque ir para Ribeirão Preto sem ir ao shopping não é realmente ir até lá, não é verdade?

Agora, quando seu filho tosse a noite toda… Quando a mulher tem palpitações e ninguém sabe bem o que está acontecendo… Acorda-se de madrugada e exige-se atendimento imediato. Quem está na fila há horas, cansado e aborrecido, fica observando os sortudos e reclama com os parentes: como o mundo é injusto… Quem tem dinheiro sempre acaba sendo passado na frente, não adianta…

A verdade não é tão simples e típica de um filme da Globo. O SUS (Sistema Único de Saúde, que é mesmo a única alternativa de quem não pode arcar com um plano) funciona de uma maneira na boca dos políticos, e de outra na hora de pagar as contas ao fim do mês. Os temidos e poderosos residentes de Brasília é que dizem quem é atendido, e quem não é. Parece absurdo, não é? E não pense que ligam do hospital para eles toda a noite, perguntando se fulano pode ou não ser internado no leito comum. Eles simples e cinicamente mandam uma quantidade limite de internações e atendimentos gratuitos por mês, sempre tristemente longe da real necessidade, por lei. Não há padre nem papa que diga o contrário, a não ser que homens tão santos queiram arcar com as despesas adicionais. A culpa, logo, não é de quem atende se o dono do plano vai à frente.

O governo (ressalte-se: o governo eleito pelo povo) determina em suas leis que um paciente de pneumonia – veja bem, pneumonia; todos sabem que não é uma doença qualquer – tem direito a apenas cinco dias de internação gratuitos, pagos pelo SUS. Alguém aí conhece alguém que tenha se curado em cinco dias de pneumonia?

É cínico? Sim, muito cínico. É revoltante? Mais ainda. Há como passar por cima? Bem, não. Em casos extremos, que se há de fazer? O paciente fica lá, sendo tratado. Ao final do mês, alguém tem que pagar pela “mordomia”.  E os funcionários, com paciência, esperam por um, dois meses que o seu salário dê as caras…

Não é só o Estado de São Paulo que libera verba para os hospitais de Santa Cruz das Palmeiras, isso lá é verdade; consta nos autos também o dever do município para com a saúde. Mas o município teria como cobrir o déficit de uma diária de internação que custa trinta e dois reais, sendo que o governo estadual liberou sete reais para essa mesma diária?

Política é um assunto melindroso; sempre se mexe com os interesses de alguém ao falar dela, e pior: como os estabelecimentos de saúde podem reclamar, se precisam de cada centavo que entra em caixa? Os titulares de planos preferem passear em Ribeirão a colaborar e utilizar as instalações reformadas daqui. E quem é pobre e vai ficar doente, fique logo; senão as 180 internações desse mês terminam e não importará quantos impostos se pague, não haverá solução…

 

 

 

–> Essa aqui é a mais perigosa que eu já escrevi até agora. Se eu deixar de postar, como eu disse à Melissa, podem ter certeza, foi queima de arquivo…

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