Perdi a conta…

Tudo bem, obrigado

 

As reações são diversas. “Não há nenhuma anormalidade.” “Está tudo sob controle”. “Não sei, isso tem a ver com política.” A saúde, a segurança, a educação… Tudo tem a ver com política. E quem não tem medo da política, não o tem porque nada sabe dela. A política assusta porque nada é o que parece. Porque ela sempre está envolvida por várias outras razões obtusas que mantém o bem estar de gente graúda que não move um dedo pelo coletivo.

Estou longe de ser a primeira a falar disso, mas de repente o povo se percebeu preso naquela teoria cínica da “sociabilização das perdas”. Explico: isso aconteceu quando o Brasil produziu tanto café que o preço caiu, o consumo caiu, e ficou tanto café em estoque que ninguém sabia o que fazer. Foi quando o governo decidiu que compraria o excedente da produção. Com dinheiro público, logicamente.

Ou seja: na prática, a grande massa está sempre pagando por uma minoria majoritária. Pelos políticos desviadores de dinheiro, pelos criminosos organizados, por qualquer um que não seja a própria massa.

Muito bem, todos sabemos que é ano de eleições para presidente, governador e etc. Ninguém quer passar uma imagem frágil. Nem Cláudio Lembo, nem Lula, enfim. Mas é esse mito brasileiro que prega a perfeição do homem público a atrapalhar o eleitor no momento da escolha. Quem falou que o líder não pode cometer falhas? A colunista foi, sim, informada de que todos os problemas que o estado de São Paulo enfrentou contra o crime organizado não eram de fato problemas da Polícia Federal; foi informada também que foi um mero oferecimento.

Nem houve tantos mortos, não é? Mas pensando melhor, faz alguma diferença quantos civis podem morrer nas mãos dos criminosos? Se somos todos iguais diante da lei, o direito à salvação é o mesmo para o civil morto de número dez e para o de número mil, não é? É da vida da população que se estava falando, se não me engano. É da sensação de insegurança e de medo, mesmo em cidades que não enfrentaram o perigo de verdade, como aconteceu aqui em Santa Cruz das Palmeiras. As escolas e o comércio fecharam no meio da tarde, ninguém saiu à rua e vejam bem, isso nem era necessário. De acordo com membros responsáveis.

Sempre há um culpado a apontar. Sempre há culpados. Mais de um, na maioria das vezes. Nem tudo que deve ser dito chega a ser publicado; nem tudo que a população tem que saber, ela sabe. A máquina pública segue sem falhas… Tudo no mais perfeito rigor… A luta contra o crime organizado agora virou um combate da polícia contra um estado alternativo, nós vimos nos jornais, não faz muito tempo. Lisonjeiro demais para com os criminosos, não concordam?

Os cidadãos de Santa Cruz das Palmeiras estão acostumados demais a uma vida sem sustos. Às vezes parece que vivemos em outro país. A impressão passada é que não nos enxergamos de verdade como parte do Brasil… Mas nós somos. E podemos exigir sim uma vida longe das mensalidades dos seguros de carro, casa, vida… Longe dos seguros de consciência.

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