Reality show lado B

Atualizações diárias? Bom, quem sabe. Meus caros, enquando houver assunto e tédio nessas férias, eu estarei aqui pra lidar com esse paradoxo maravilhoso da cabeça vazia.

Um deles que entra mesmo na mente de nós, grandiosos universitários da maravilinda elite intelectual brasileira – aham, cláudia, senta lá – , odiado por seres superiores como nós e amaaaado em massa pelo país, pelo mundo, quiçá pela galáxia… é o reality show.

Todo mundo pensa direto em Big Brother. Outro dia eu perguntei pro meu pai: pai, cê sabe de onde vem a idéia do Big Brother? E gastei cinco cuidadosos minutos falando de 1984, do jeito do George Orwell de escrever e tal, e ganhei em troca um olhar bem Xuxa mesmo. Tá, tudo bem, eu mereci por querer ficar querendo vomitar literatura, mas ainda assim, né… Apesar de BBB ser uma merda, 1984 tem seus méritos, e seria bem legal se alguém espalhasse mais esse detalhe. Engraçado como ninguém pergunta de onde veio o nome, ou os motivos dele ser assim. Né? Mas acho que os canais televisivos também não tem o menor interesse em ver que se inspiraram em um sistema ditatorial maluco ao extremo, que previu inclusive seus rebeldes e como trazê-los de volta cuidadosamente. É, né. Não seria o marketing mais positivo do meu Brasil sil.

Caso é, o post não é sobre o BBB, e sim sobre Solitários, o reality show do SBT, que, pra variar, parece que não entende muito bem o valor das coisas que compra e transmite. Em primeiro lugar, fica difícil respeitar uma emissora na qual a programação não tem horário. Já percebeu? Todos os comerciais do SBT sobre a sua programação anunciam depois do quê ela passa, o que tem depois, que dia da semana, mas jamais em tempo algum diz que horas vai passar! Ah, Silvio Santos…

Solitários já é esquisito pela frequência: segundas e quintas. O horário é mais ou menos constante, apesar de nunca anunciado: por volta de 10 da noite. Já começa melhor que BBB no mestre de cerimônias: não temos um grisalho engraçadinho fazendo piadas sem graça, e sim uma voz de mulher que age como se fosse um computador. De acordo com a página do reality na Wikipedia, o nome desse suposto computador, Val, faz referência ao computador do filme 2001, uma odisséia no espaço (fonte). Ela encerra os participantes, que nunca se encontram, em cabines isoladas, e durante todo o tempo do programa eles apenas ouvem a voz dela através de uma tela plana. Dormem no chão, comem e dormem em horários absurdamente iregulares, nunca ou quase nunca tomam banho – apenas tem um banheiro disponível num cubículo separado.

Tudo isso vocês descobrem em qualquer lugar da internet além daqui. O que eu acho mais interessante nesse reality show, além do participante número 6 (<3) , é o sadismo evidente no modo do jogo. A Val leva os participantes a extremos de raiva e apreensão apenas fazendo perguntas. Eles fazem duas provas, uma de imunidade, e os outros que não a vencem fazem a de eliminação – ambas são provas de resistência. O primeiro a desistir é quem sai – com exceções, como hoje.

Hoje, o número seis deveria ter sido eliminado, mas não foi. Já conferi uma discussão emocional na internet sobre a não saída dele ser injusta com a saída dos outros. Tá, isso é até verdade, mas tem outra coisa que me chamou atenção (depois que eu me acalmei e parei de gritar ELE NÃO SAIIIIIIIIUUU….): como a coisa toda é passada pra gente como se fosse um experimento social, para testar reações humanas em adversidades, mas em especial, ao isolamento total de convivência humana, o jogo meio que tira uma com a cara da gente também, que assiste. Dum jeito mais honesto, porque tem uma hora que a gente percebe que também está agindo de forma inesperada. Por exemplo, eu não me envolvo em reality show desde que a sabrina sato saiu do BBB3 (oh, sim, eu lembro), mas de repente eu me peguei grudada na tela igual criança, feliz da vida porque o cara não foi eliminado. Ao mesmo tempo, o comportamento desse cara seria visto por mim como muito chato se eu fosse uma participante – porque ele se esforça pouco, apesar de ter o melhor senso de humor.

Concluo uma coisa meio óbvia, no fim das contas: eles não querem realmente saber quem é mais o resistente, quem vence a si mesmo, etc, etc. Eles querem – e se depender de mim, conseguem – audiência através do extremo humano. Evidentemente isso é muito mais interessante e dá uma discussão muito melhor do que centrar um reality show no tanto que alguém pode mentir, dissimular, ou usando o eufemismo do programa, “jogar”, que é o que rola no Big Brother. Este último é um teste de popularidade, cercado de gostosas e bombados mas sempre vencido pelo pobre, feio, negro, gay. Se for todos então, o mar de lágrimas é ainda mais comovente. Ainda assim, nenhum dos dois é nobre: só acho o do SBT infinitamente mais interessante.

Mas não eliminar o personagem mais carismático do programa realmente me fez pensar nas motivações reais, depois que minha euforia passou. Sabe, uma coisa é curtir cultura pop, e eu curto mesmo. Muitas vezes me divirto horrores. Mas, né? Acho que é sempre legal fazer a coisa mais interessante. E ao contrário de BBB, fazenda, e outras besteiras que estão no ar, acho graça que ninguém discute o que se passa em Solitários, nem o próprio SBT. Ai, Silvio Santos, doidão…

Este é o episódio mais recente que eu pude encontrar no youtube:

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3 opiniões sobre “Reality show lado B

  1. oi amanda! de reality show eu só via bbb, mas tem dois anos que eu perdi a paciencia totalmente, acho bobo.
    confesso que depois que acabou a fazenda 1, eu comecei a ver os videos do theo becker no youtube.. ele é mto tosco, e eu ainda me divirto com ele, mas só! ahhhh, ja tava esquecendo.. eut bm gostava da casa dos artistas, no longiquo 2001.. haha,.. ah minha swexta série torcendo pelo supla e pela barbara paz! haha

    agora, esse “solitarios” vc acredita que eu só fui saber da existencia aquele dia vc falou no bar??
    =p

  2. pude aprender uma coisa com esse reality show:

    “No fundo, todos samos emos!”

    hehehe

    Eu tbm adoro esse reality show, tomara que possam aprimorá-lo em próximas edições, sem ter que espremer caldo de limão seco, como o BBB

    Adoro a maldade!!!

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