Comentário: Lost, primeira temporada

Em primeiro lugar, agradeço o feedback sobre o último post e fico feliz de saber que eu sou mais normal do que imaginava. Morte aos babacas!

Em segundo lugar, caí em tentação e acabei fazendo o muita gente já tinha me aconselhado: peguei esse tempo todo de férias, cujas madrugadas eu gastei jogando the sims avidamente, e comecei a baixar Lost, o famoso seriado superpopular. Tem gente enlouquecida com as várias temporadas. Uma grande amiga minha, Melissa, me disse que só valiam a pena as duas primeiras temporadas, porque foi quando começaram a esticar e confundir a história só porque estava dando dinheiro.

Pelo sim, pelo não, resolvi dar uma chance e se achasse ruim, poderia falar mal com propriedade. Demorei tanto por dois motivos: o negócio me parecia assustadoramente popular e porque semestre passado eu estava muito ocupada, não podia me dar ao luxo de viciar numa outra história (já que no fim do semestre eu estava na onda Artemis Fowl, que merece um post – qualquer dia desses) . De qualquer maneira, noite passada terminei a primeira temporada, e já baixei dois episódios da segunda, agendados pra madrugada de hoje.

Em primeiro lugar, muita gente gosta de Lost por causa das narrativas em paralelo: você sempre tem um dos personagens colocado em posição central nos acontecimentos e intercala essa ação com flashback. Como a história se passa numa ilha deserta com cerca de 40 improváveis sobreviventes de uma queda de avião (de Sidney a L.A.), os episódios da primeira temporada estão focados no que trouxe cada um dos cerca de dez personagens principais àquele voo específico.

O protagonista dos protagonistas, Jack, é um tipo irritante pra mim. Ele é toda a romantização que se faz da carreira de médico transformado em realidade. É um líder natural, mas também é impulsivo e, sinceramente, nada disposto a compreender os outros. É cheio de julgamentos de moral. Pessoalmente, não me dou maravilhosamente bem com esse tipo de pessoa. O clichê dele entrar em desespero quando perde um paciente me deixa muito aborrecida, e me dá uma sensação daquela cena do início de Cidade dos Anjos.

O potencial par romântico dele, Kate, é uma personagem cheia de segredos, mais do que todos os outros. Cada pequena informação dela é obtida com muita dificuldade. Ela é muito bonita, como seria de se esperar, de tão cabeça dura e intempestiva quanto Jack.

Resta só se apaixonar pelo personagem mais previsível de me conquistar: Saywer.Josh Holloway como Sawyer

Por que é previsível sendo eu? Bem, ele é durão, tem humor negro, é imprevisível e, claro, delicioso. Nó gente. Tudo bem que exageram nas cenas sem camisa, mas não sou eu que vou reclamar. Na primeira temporada ele é visivelmente apaixonado – ou pelo menos tem uma coisinha – pela Kate. Gosto muito do jeito como ele demonstra. É sutil, e ainda assim honesto. Gosto muito de quando ele conta ao Jack sobre alguém que encontrou antes de pegar o avião.

Sobre os mistérios da ilha, bem… Todos eles me remetem com força a um seriado velhíssimo, que passou na Record e depois na Band, “O Mundo Perdido“. No fim da postagem deixo o link pra um dos episódios. Esse seriado mais antigo está não numa ilha, mas num platô, e o elenco é composto de uma expedição científica que não consegue encontrar a saída pro litoral. O que eles tem em comum: simples. Ambos tem enredos que começam clichês, mas que vão ficando mais e mais complicados conforme se desenvolvem.  Até aí continua tudo bem, mas ambas as histórias vão progredir para concluir que algum propósito fez com que exatamente esses personagens estivessem naquela situação, e que para todas as perguntas haveria uma só resposta. “O Mundo Perdido” não terminou, e o máximo que pude achar há uns anos na internet foi um esqueleto do roteiro do final, pra saber por cima como seriam essas respostas, que até agora achei mais bem amarradas que em Lost.

Voltando ao seriado, tudo bem que ele é focado em flashbacks, e que estes são responsáveis por tocar a história pra frente, de modo a conquistar quem assiste. Basicamente, esses flashbacks tentam fazer a gente se identificar com a dor dos personagens, colocados em cenários familiares a nós: fim de namoro, gravidez indesejada, traição, problemas familiares… É bom e velho Aristóteles atacando novamente: assim você pensa, “nossa que foda, hein” e ao mesmo tempo “que bom que não é comigo”, citando o Jacyntho, professor de literatura grega da FALE.

O problema é que os personagens se comunicam muito pouco. Não sei se isso melhora e/ou progride na segunda temporada, que ainda vou começar a ver, mas eles estão sempre imersos no passado, e são afetados demais por ele nas ações presentes. Isso faz com que seja muito difícil qualquer aproximação real. Na verdade, aproximações não são o foco nessa temporada. Por exemplo, você só vê nuances de como Shannon e Sayid ficam juntos.

Bem, eu vou terminar esse post por aqui. Agora também estou baixando Gossip Girl – eu mereço minha pílula diária de futilidade + vocabulário nova iorquino – e quem sabe eles ganhem um post, caso tenha algo que valha a pena analisar. Fico por aqui, sabendo que ninguém vai ler esse post, já que os de Solitários e Emma, tão grandes quanto esse, foram os menos populares. Mas ah, se fosse pra ser popular eu entrava na academia e ia pro Big Brother… =]

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3 opiniões sobre “Comentário: Lost, primeira temporada

  1. Amanda, tudo bem que o Sawyer é uma delícia, disso ninguém duvida. ..

    Mas, já que vc num faz mesmo parte do clã dos seguidores fiéis do seriado, daqueles que aprendem física para entender a viagem no tempo, ou que tentam aprender filosofia para entender o john locke, então larga esse Lost e vai assistir, sei lá, Dexter. Aposto q vc vai amar (inclusive o Dexter).

    Lost tem lá seus méritos, mas se vc num se apaixona de cara vira meio um jogo entre vc e o seriado: vc tentando achar as falhas do roteiro; ele tentando provar que você está errada, e que as respostas estarão todas na temporada de 2020.

  2. Nossa, concordo com a Aline.

    Eu amo Lost.

    Mas se vc não gostar logo no início, provavelmente não vai gostar das temporadas seguintes (já q milhares de fãs mesmo desistiram de ver)…

    Não é uma crítica, pq cada um tem uma opinião diferente, okay?

    E adorei a forma como vc descreveu Jack (o personagem q eu menos gosto) e o Sawyer (meu favorito). É exatamente a forma como eu os vejo.

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