Epifania acadêmica

Eu peguei implicância da palavra “epifania” desde que descobri que era a favorita da Sandy. Mas na situação em que me encontro neste preciso instante não tem nada mais expressivo.

Antes de mais nada, não, não tive uma idéia genial sobre o que estudar no meu mestrado – o fantasma dos bacharelandos – mas foi parecido.

Na Letras da UFMG, e eu suponho que assim seja na maioria das faculdades de letras respeitáveis pelo Brasil afora, o currículo exigido pra formar é uma bagunça. Você escolhe sua língua, sua ênfase, sua modalidade, e acaba que existem uns 20 cursos possíveis na FALE com tantas variáveis. Quando se chega no sétimo período, feito eu, a gente já não sabe se vai formar semestre que vem, no próximo ou só em outros três anos. Por isso, antes de ir pro intercâmbio, resolvi colocar na ponta do lápis tudo o que eu fiz e o que tudo vale o quê pra saber, afinal de contas, a que pé estou.

Depois de meia hora de cálculos e confusões, a revelação: FALTAM QUATRO MATÉRIAS PRA FORMAR!!

Simplesmente isso. Uma literatura em inglês, uma matéria de tradução, e duas matérias chatas de calouro que tô empurrando há anos: gramática tradicional e oficina de texto.  E monografia, claro.

De repente me visualizei formada. Cara, tenho 21 anos. Simplesmente não posso formar já, assim! Eu não tenho atitude de formanda, nem nada. Aliás, o que é um formado? Hahaha. A verdade é que eu adotei a UFMG como uma família nova e não quero me desligar dela. Isso significaria, sei lá, virar gente. Ir pro tal mercado de trabalho. Carteira assinada, horas, impostos. É claro que vou tentar mestrado, mas isso é outra história…

E contrastando com essa loucura, penso na recepção de calouros, que foi ontem. Vi como eu e meus amigos somos loucamente nostálgicos, toda vez que falamos com calouros, do nosso prazer e ver que eles pegaram professores super picaretas e da eterna esperança que a próxima leva de calouros trará homens heteros e interessantes. Aiai… Morar na moradia, ter sido do D.A., ser representante discente, fazer matérias sempre de manhã e de noite, dar aula no cenex, iniciação científica… Gente, tudo que eu já fiz nessa UFMG! E formatura é uma idéia muito assustadora.

Meus posts gostam de analisar alguma coisa num sentimento peculiar. Mas analisar essa sensação de perder o chão que é se formar me deixa meio sem armas pra entender direito as fontes.  Antes de fazer as contas do meu curso, ia escrever sobre calourices. O que eles fazem, doideiras que só eles encaram (como rolar um morro deitado logo depois da chuva que alagou o campus ontem, ou beber o vinho mais barato possível), e dessa felicidade inerente de quem acabou de começar algo muito novo e muito doido versus essa melancolia intermitente de veterano.

Ah, quero ser caloura de novo.

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3 opiniões sobre “Epifania acadêmica

  1. Formar-se é sempre bom. Vc percebe que há também vida após aquela maluquice toda da graduação. Percebe que há vários nichos do canibal mercado que vc pode pegar. Mas sim, há a nostalgia de ter participado daquilo tudo, cálculos malucos de disciplinas, ter conhecido seus verdadeiros amigos, ter comprado “um café e um pão de queijo” na cantina, ter picaretado em umas disciplinas, etc, etc, etc…

  2. É incrível como que nesse momento todo mundo se sente do mesmo jeito! Eu, que me formei com 22, mesma idade com q vc se formará, também passei por isso, assim como todos os outros, da mesma idade ou mais velhos, passaram, passam e passarão. É sempre meio incômodo encarar as mudanças e o aumento das responsabilidades (o pior é que elas sempre aumentam mesmo, não tem jeito). É como sair de casa.

    Bom, nostálgica vc, a essa altura, já é, inevitavelmente. Trabalhar, já trabalha, ainda q num seja no famigerado mundo do ‘mercado de trabalho” (mas nem faz tanta diferença.)

    Se quiser, num precisa abandonar a família: vc pode até mudar de casa, mas sempre levar a trouxinha de roupa suja pra lavar na casa da mãe, e continuar achando que os cachorros no quintal são seus, e continuar comendo vez ou outra a comidinha da mamãe (ainda que, nesse caso, a comidinha da mamãe seja o salgado assassino da cantina).

    Se vc, como eu, resolver entrar no mestrado por lá, aí que as mudanças não vão ser radicais mesmo. Algumas coisas mudam – as vezes para melhor: vc tem mais oportunidades, o mestrado traz um gás novo, algumas pessoas alimentam seu ego achando que vc é muito foda…

    Então, não queira ser caloura de novo, por mais atraente que essa imagem ídílica (etílica) possa parecer, principalmente quando vista assim, em retrospectiva – em retrospectiva tudo fica mais bonito, até os nossos problemas. Há que se considerar os lados positivos de crescer, mesmo que a nostalgia e a saudade de casa passem a ser as suas marcas irremediáveis.

  3. Oi amanda..realmente..parece que 2007 foi ontem.. ser caloura era bom mesmo! a ufmg me trouxe mtos bons amigos e me fez aprender muita coisa legal..
    confesso que tenho muito medo de formar tbm! se tdo der certo, tbm formo com 22 anos. Mas eu cansei um pouquinho, tô doida pra formar.. sei que vou morrer de saudade, mas…

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