Sobre se expor na internet

Esse post foi idealizado há muito tempo, antes mesmo do Videopost. Sendo eu alguém que passa um tempo preocupantemente alto online, é de se esperar que volta e meia eu tome uns sustos com pessoas sabendo de mim bem mais do que eu gostaria de soubessem.

Por exemplo, não tem coisa mais fácil do que descobrir se eu te bloqueei no msn – o que eu faço sem dó, e provavelmente nunca mais desbloqueio – , porque eu nunca tenho a inteligência de bloquear a pessoa em todas as redes sociais que eu compartilho com a pessoa. Ou seja, se eu não apareço no msn mas apareço no orkut, facebook, pode ver.

Claro que isso não me chateia exatamente, porque o fato de eu bloquear a pessoa é só um jeito de eu dizer que não gosto de conversar com ele ou com ela, e nunca há nada a perder – só a ganhar, na verdade – em alguém com quem você não gosta de conversar saber disso. Afinal, na pior das hipóteses… a pessoa vai parar de falar com você! E não era esse o objetivo quando você a bloqueou? … Eu sei, você tem vergonha de mostrar que não gosta de alguém. Sei que a maioria das pessoas não faz isso. Mas os benefícios desse tipo de pequena honestidade são muito melhores do que a chatice de deixar aquela pessoa forçar presença na sua vida.

De qualquer maneira, o assunto principal não era esse – eu sempre faço isso…

Tenho orkut, formspring (não uso), twitter, facebook, flickr, msn, gmail, youtube, etc, etc etc… E já mais de uma vez, aconteceu de um cara com quem eu posso ter ficado em uma festa descobrir basicamente tudo sobre mim só com meu nome e meu primeiro sobrenome. Assusta um pouco no começo. Dá pra ler toda e qualquer opinião que eu poste aqui, dá pra ver meu rosto no album destrancado do meu orkut, não sei o que dá pra ver no facebook, porque eu nunca aprendi a mexer direito naquilo. Enfim. Isso assusta um pouco? Sim. É um risco que a gente corre quando participa de comunidades virtuais.

Uma vez vi uma entrevista de um cara no Roda Viva sobre isso: sobre a exposição na internet, sobre a ascenção (com sc e cedilha!haha) das redes sociais como uma forma de ter dinheiro. A gente enxergou uma tendência clara no orkut quando ele surgiu, acho que em 2004. Era estupidamente exclusivo, só pra convidados, etc, e ter um convite do orkut era uma grande honra. Isso foi revisitado de leve no começo do novo orkut, mas a certa altura do campeonato, claro, todos já têm acesso (sim, eu me nego a tirar o circunflexo do tem plural). Depois que essas coisas foram escancaradas para o público, tivemos uma correria sem lei pra se mostrar como o mais interessante, o mais isso, o mais aquilo.

Foi quando entraram em cena os filtros de segurança: ninguém vê seu scrapbook, ninguém vê suas fotos, mimimi mimimi mimimi. A gente ainda tá numa fase pra mim faz tão pouco sentido quanto mostrar tudo nos seus perfis sociais: não mostrar nada. Mais de uma vez pra mim foi impossível dizer se eu conhecia a pessoa naquela página, tão poucas eram as informações. Tem gente pra quem eu não consigo mandar scrap de jeito nenhum – o orkut cisma que tudo é spam, por mais que eu digite cuidadosamente a mensagem. Não dou conta de quem tranca tweets, por exemplo, acho besta; o propósito não é justamente divulgar pequenas frases de você, dos seus pensamentos, do seu dia?

É aí que entra o argumento pra um futuro do compatilhamento de informações na internet, de acordo com o cara do Roda Vida cujo nome eu não lembro: uma hora vai chegar em que terá que haver uma troca de informações – você usufrurá de alguns benefícios – músicas, filmes, conteúdos – conforme você permitir que as pessoas e empresas alcancem informações sobre os seus gostos e hábitos online. É muita inocência achar que a internet é só um lugar de retirar. Esses usuários que sugam informações, músicas, contatos, sem nem mesmo serem identificados, tendem a passar por uma maior dificuldade em acessar conteúdo – já que para muitas empresas hoje, as informações disponíveis em redes sociais e coisas parecidas correspondem a uma aproximação muito mais bem sucedida do seu público.

É claro que isso que eu falei é um rascunho bem grosseiro do que ele disse. Aconselho que sigam o link acima e assistam, é muito enriquecedor.

meu gráfico claríssimo.De qualquer maneira, eu já tendo a achar que a exposição na internet só é tão complexa porque ela é uma superevolução da comunicação em massa. Antes você só recebia conteúdo pela tv, depois a gente passou a trocar mensagens pela internet, notícias, etc, por e-mails e outras mensagens diretas simplificadas. Com o surgimento das redes sociais, a coisa fica mais maluca, porque não satisfeita em ser uma via de mão dupla em produção de conteúdo – todo mundo pode fazer – sempre existem terceiros vendo e interagindo silenciosamente com o que você divulga. Um exemplo bem fácil: sua página de scrap. As mensagens ali são pra você, e as que você manda só pra pessoa, mas ali – e em todas as redes sociais – você está também fazendo aquilo pra uma plateía. Tudo que você faz é observado pelos seus outros contatos – isso quando você não interage com a pessoa X e Y só para todos os seus contatos TE VEREM interagindo com essas pessoas. Então toda a interação que é aparentemente bilateral está na realidade enclausurada no crivo de qualquer pessoa aleatória, talvez de nenhum interesse no assunto.

Outro exemplo que povoou as cabecinhas daqueles acompanhando a nova onda do YouTube, o vlog (aliás, agradeço aos mais de 300 inscritos no Videoblog da Belzinha, de verdade!): a comunidade online cresceu com a popularização do PC Siqueira, do Felipe Neto e outros vloggers. De repente todo mundo tem muitos views, todo mundo troca informações e conteúdos maravilhosamente, fizeram parcerias. Estava tudo cor de rosa demais, até o incidente entre dois vloggueiros que costumavam postar no mesmo canal. Pra quem quer a fofoca, leia aqui.

Achei muito surpreendente que tenha demorado esse tempo pra algo acontecer, mas acho compreensível. Exposição no youtube traz algo que as outras redes não trazem: ainda que editado, mixado, aquele na tela falando é você, seu rosto, seus tiques. Você mostra a cara mesmo. E em qualquer ambiente, quando você mostra a cara, está assumindo o risco de ser reprovado ou aprovado – ou solenemente ignorado, claro, o que é mais triste. Outra coisa que se forma é a sua persona pró-internet. Você expectador, não seja inocente em achar que você realmente conhece quem está ali falando no vlog. Não. Aquele é um lado, talvez até uma persona. O contato gerado ali é ilusório. Daí entra a possibilidade de acontecer um perigoso jogo de egos. O ego da sua persona virtual é alimentado pelos inscritos, pelos amigos, pelos comentários, pelo AdSense do Google. Por isso, gente, CUIDADO. Aquele que você assiste é uma parte de alguém que existe. Esses que comentam te adorando não te adoram merda nenhuma. Deu uma opinião? Você também detesta maconha e está de saco cheio de ter que fingir que tá de boa? Pois é, mostre o rosto, não tem nada errado com isso. Mas você assume riscos.

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5 opiniões sobre “Sobre se expor na internet

  1. Eu tranco meus tweets e meu orkut por causa de alguns stalkers com que eu não falo mais. Mas eu tenho um blog e pra mim isso já é contraditório, porque eu não barrei o blog “só para convidados”, como algumas pessoas fazem, ele é público.

    O twitter me lembra um pouco uma “penseira”, você descarrega o que tá sentindo lá na hora, aproveitando que é uma coisa mais “rápida” e limitada (140 caracteres). Enquanto que num blog a gente pode elaborar um texto mais bacana, bem trabalhado e talz, e mesmo assim a gente expressa sentimentos e tudo o mais.

    Já tive vontade de desbloquear tudo, mas sei lá. Pessoas aleatórias me adicionando no twitter não é minha praia, nem no orkut. Eu poderia não ligar por mostrar fotos só minhas no orkut, mas fotos que tem minha família eu não mostro. O álbum do Sherlock acho que é até aberto a todos.

    Aliás, já pensei em sair do orkut, também. Não é nem questão de exposição demais, é apenas que já participo de redes sociais demais, cansa. Gente que quer me adicionar só porque achou minha foto bonita. bah! -_-‘

    Enfim, eu me exponho, mas eu tento maneirar na dose também. Não apenas pelos stalkers, por uma questão de segurança, mas pra me preservar mesmo. Eu fico satisfeita que meus amigos e conhecidos me sigam no twitter e pronto. Eu pensei durante meses até me decidir a fazer de novo outro blog, justamente pela exposição. Mas resolvi arriscar e pelo com o blog dar a minha cara a tapa.

    Sinceramente, gosto do blog.^^
    Mas o twitter por enqto, fica trancadinho. XD

  2. eu tenho preguiça de redes sociais. Meu Orkut é um vazio, entro uma vez por semana e mesmo assim só pra receber recados dos amigos. Quanto ao Facebook, empolguei no começo mas depois larguei. Twitter não dá MESMO, não tenho paciência. Zero. Eu gosto mesmo é de blog porque aí você pode falar o que sente e suprir essa necessidade monstra de escrever alguma coisa. Minha época de MSN já passou.
    Não vejo sentido em trancar coisas na internet, ou se mostra ou não se mostra. Pronto. Claro que algumas pessoas têm seus motivos, mas pra mim, não faz sentido.

    E realmente, falar que gosta de alguém porque você gosta do que essa pessoa escreve no blog ou mostra no vlog é uma ilusão. Existe uma coisinha chamada persona literária (ou videonária? rs) e ela não tem nada ou pouco a ver com a pessoa real. Então idolatrar pessoas na internet é completamente sem sentido pra mim. Vide aquela Mari Moon. Só porque a menina tinha umas fotos legais num fotolog ela virou celebridade. Que coisa sem sentido!

  3. Demais… Tudo à ver… Eu uso meu face só pra recados e orkut já fiquei livre à Séculos…O mais estranho é que as pessoas não se dão conta do quanto é sem sentido algumas coisas… e pra falar a verdade os meus melhores Amigos que são pouquíssimos, nem estão em redes sociais…

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