Posta no seu blog, tá.

Essa história veio da @Laraspagnol numa feliz mesa de buteco ao longo da semana. Como quem conta um conto aumenta um ponto, se eu errar detalhes, ela é livre pra me corrigir.

Na Faculdade de Letras, existem pessoas inteligentíssimas, algumas tão fantásticas que não dá pra entender o motivo de não passarem do vestibular direto para uma cadeira de professor associado 3. Forçadas a conviver com mentes normais inferiores como a minha em sala de aula, tudo que lhes resta é destilar seu humor afiado e seus conhecimentos universais fantásticos em sala, mostrando aos professores como eles fariam muito melhor ofertando a matéria X.

Eis que nessa matéria X, minha amiga está na presença de uma dessas mentes superiores. Enquanto a professora falava sobre o léxico limitado dos adolescentes, e sobre como isso acontece, a colega brilhante percebe que aquele é um momento para seu intelecto brilhar. Em cinco fascinantes minutos, ela discorre sobre como na verdade o léxico adolescente é surpreendentemente variável e rico, de acordo com o registro e ainda por cima influenciado pelos maravilhosos processos de aprendizagem de linguas estrangeiras aos quais são submetidos nossos pobres adolescentes.

Vira a professora, depois de um suspiro, “Tá, publica isso no seu blog.”

Ela não publicou, mas eu achei que mereceu! Adoro quando pseudo intelectuais aprendem o seu lugar depois de uma incursão de chatice pra quem não quer ouvir.

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11 opiniões sobre “Posta no seu blog, tá.

  1. Ouch! Sério. Fiquei emocionada.
    Eu ia falar que o governo federal devia fazer alguma coisa pra erguer uma estátua dessa professora em algum lugar, mas pensei melhor, e acho que o governo federal devia implantar chips nos cérebros dos professores pra essa resposta, exatamente essa, ser acionada IMEDIATAMENTE por qualquer besteira que os alunos espetaculares e brilhantes ensaiarem falar. Assim que eles abrissem a boca!!

    “publica isso no seu blog” é o novo “aham, cláudia, senta lá”.

  2. A garota citada não é apenas pseudointelectual,é estúpida,”aborrecentes” em geral(99%) são ignorantes por excelência,principalmente no Brasil.
    Contudo,há muitos adolescentes que estão bastante além de “professores”,que julgam os estudantes : alunos(sem luz) ,onde aqueles, nada mais são,em maioria,do que mentes vazias com diplomas(papéis comprovantes de horas sentados vendo um gênio ou apedeutas lecionando,em um eterno ciclo)…

  3. Meldels, não era só no meu curso e no meu tempo que existia esse tipo de pinta em curso de Letras? Cara, eu tive alguma colega assim. Baita saco, ninguém merece.
    Uma pinta uma vez se empolgou numa aula de Linguística e, emocionada, comentou que já havia lido “uns três livros de Ferdinand de Saussure”, ao que a professora, abismada, respondeu “Mas como?”. E a mulher insistindo nos três livros ESCRITOS por Saussure. Dá pra imaginar?
    Fora azloca das opiniões estrambolicas, mas nesse tempo blog não era algo muito comum, ninguém as mandava publicar no blog. Ainda que eu ache que não seja uma boa ideia, já pensou se a criatura leva a sério? Será que já não tem merda o suficiente publicada na internet? huahahahaha
    Pseudo-intelectuais tornavam meu dia mais divertido. Particularmente sinto falta deles.

  4. Adoro saber que o título de “honoris causa” é dado realmente a quem faz alguma coisa e não às enciclopédias ambulantes. É uma pena a figura não ter publicado, pois agora ela pode perder a grande homenagem de ter um busto escupido no jardim da FALE.

  5. Pingback: Ars Bloguetica « ThePavania

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