Livros de Fantasia

Eu e uma grande amiga resolvemos trazer à tona um lado nosso em comum que nos foi vital desde que nos entendemos por gente: o gosto por livros de fantasia.

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São oito da manhã e

eu acordei a toa.

Duplamente a toa.

Faz uma semana que voltei pra Belo Horizonte. Passei esse tempo juntando documentos pra tirar meu visto de estudante, ficando puta com a internet de casa, reencontrando amigos que perguntam compulsivamente que dia eu vou embora (18 de setembro, DEZOITO DE SETEMBRO), e, muito mais curiosamente, frequentando as aulas da FALE.

Diariamente meus amigos me xingam porque eu poderia estar dormindo; ao invés disso, estou indo numa aula de Italiano III que não vai me render crédito nenhum e que provavelmente terei que refazer quando voltar. Hoje, pra minha felicidade, acordei seis e quinze ouvindo No Fundo do Baú – tocou Prince “beautiful giiiirrrrllll stay with meeeeee” – e cá cheguei, tomei café… Pra depois lembrar que hoje não tinha primeiro horário.

OK, porque eu venho pra cá at all? Além do fato já amplamente conhecido – minha paixão imortal pela FALE, haahha – eu descobri que realmente tenho um prazer em estar numa sala de aula. É um tipo de prazer engraçado e difícil de definir, já que uma vez dentro da sala eu fico olhando no relógio. Acho que pra mim ir à aula é parecido com se apaixonar por homens – ruim, mas sem é pior…

Nos meus tempos de fã mais desesperada de Harry Potter, eu concluí que entre as casas de Hogwarts, eu pertencia à Corvinal, que tinha os alunos com gosto por aprendizado. E agora que estou acordando cedo pra assistir essas aulas… Não é que eu realmente gosto de aprender? O meu filtro de aprendizado é meio amplo, eu gosto de saber tudo, mas principalmente gosto de aprender coisas nas quais posso prosseguir depois por minha conta, como idiomas, como literatura, até informática e afins dá pra aprender bastante sozinho ou conversando com amigos. Por outro lado, coisas de fora da minha área que exigem disciplina e um formato fechado de aulas tendem a ser abandonadas.

Sempre tive um problema sério com aulas de inglês, apesar do meu último emprego ter sido justamente como professora de inglês. O formato fechado me dava nos nervos, especialmente porque eu fazia no CCAA – nada me apavorava mais do que o “now you”, ou os “drills”. Porém, com idiomas você pode ser feliz fuçando filmes na internet, músicas, etc, etc… Não é o mesmo que rola com matemática, por exemplo, que exige uma prática mais disciplinada e metódica. Não tô dizendo que é por isso que eu não sou boa nisso – I SUCK – mas são modos diferentes de aprender, né.

Enfim, já abstraí o suficiente pra poder descer lá no xerox e pegar meus documentos pro visto de estudante. ahhah.

Escrever ou falar, blog ou vlog

Ontem criei meu vlog. Minha mãe me perguntou se eu tomei bem cuidadinho pra deixar bem claro pros ladrões da internet o que fazer pra me pegar. Apesar de ela ter uma preocupação válida – exposição sem noção na internet é mesmo um perigo – eu só pensei que ela anda assistindo jornal da Record demais.

A minha estréia na vlogosfera foi tão boa quando poderia ser em termos de verossimilhança.

Meu primeiro vídeo teve uns defeitos, estou cientes deles, pretendo corrigir, etc, etc, mas vamos pra frente.

Ouvi falar sobre uma dualidade do blog com o vlog. Tem gente que diz que o advento dos registros falados, gravados em vídeo, se deve muito à preguiça do brasileiro de ler. Pessoas cuja opinião eu respeito bastante concordaram com isso, ainda que não totalmente, e etc. Agora que eu aderi às duas formas de expressão, percebi que teria que fazer uma demarcação. O que eu escrevo aqui, o que eu falo lá? E eis o mote da postagem de hoje.

Não acho que necessariamente o vlog esteja em alta por conta da preguiça do brasileiro de ler. Na minha opinião, um brasileiro que tem preguiça de ler dificilmente vai buscar uma alternativa pra ter acesso a conteúdo. Simplesmente não vai ter. Vai continuar onde está e o que vier veio e boa. Assumir que se assiste mais do que se lê por preguiça faz algum sentido sim, já que um vídeo é uma absorção de conteúdo muito mais passiva, mas não acho que seja necessariamente o caso.

Os vlogs são uma alternativa sim, mas não aos blogs, e sim à televisão. Isso é muito comentado nas conversas dos próprios vlogueiros. Sobre como os vlogs podem abordar assuntos com mais liberdade do que a televisão, sobre como as coisas são produções individuais, caseiras, humanas, e por isso tão largamente aceitas. Um viés aponta que eles são um movimento de oposição ao conteúdo massificado da tv. Ainda nessa perspectiva, você enxerga uma transição de função: a TV serve para entreter. O tempo todo te enche de coisas “engraçadas”, “bizarras”, “inesperadas”, pra divertir o maior número de pessoas possível. Muitos vlogueiros negam que fazem os vlogs para entreter pessoas que estejam entediadas na internet, embora seja isso o que acaba acontecendo muitas das vezes.

Voltando à suposta dicotomia blog x vlog, eu diria que se tratam de registros diferentes. Pra quem não está familiarizado, em algum estudos se fala de “registro de texto”, uma espécie de classificação. Eu pessoalmente enxergo as duas coisas como dois diferentes registros de expressão pessoal na internet. Na expressão escrita (blog), coloco argumentações, comentários sobre uma série, uma situação, na maioria das vezes fazendo algum tipo de generalização, chegando a alguma conclusão. Por outro lado, o que eu vejo de mais bonito no vlog – eu comentei isso no Videopost – é como nós podemos falar do individual, de coisas da nossa vida ou de opiniões que nos passam pela cabeça no dia a dia, e ainda assim nos identificamos.

Então, na minha opinião, eu diria que o raciocínio vai em direções opostas. No blog, de algo particular eu generalizo, arquiteto um texto, penso a respeito. Num vlog, eu tenho que cuidar para escolher um momento ou um tópico individual que vai gerar uma identificação e talvez mesmo uma reflexão. Enxergo as duas coisas como comunicação, só que em direções distintas. No vlog, o responsável por extrapolar o individual que eu apresento no vídeo é o expectador, e no texto do blog eu procuro deixar tudo destrinchado bonitinho.

Por hora então é isso. Me acompanhem, me ajudem, eu estou muito animada com o vlog mas não tenho a menor intenção de postar menos aqui, até porque escrever me alimenta.

Obs: Quando digo que o vídeo apresenta uma pequenice individual, não é como se não deve trabalho. A edição e a seleção de assunto pro vlog é muito mais delicada do que parece. Eu levei bem umas duas horas editando o vídeo acima e nem ficou tão bom.