Escrever ou falar, blog ou vlog

Ontem criei meu vlog. Minha mãe me perguntou se eu tomei bem cuidadinho pra deixar bem claro pros ladrões da internet o que fazer pra me pegar. Apesar de ela ter uma preocupação válida – exposição sem noção na internet é mesmo um perigo – eu só pensei que ela anda assistindo jornal da Record demais.

A minha estréia na vlogosfera foi tão boa quando poderia ser em termos de verossimilhança.

Meu primeiro vídeo teve uns defeitos, estou cientes deles, pretendo corrigir, etc, etc, mas vamos pra frente.

Ouvi falar sobre uma dualidade do blog com o vlog. Tem gente que diz que o advento dos registros falados, gravados em vídeo, se deve muito à preguiça do brasileiro de ler. Pessoas cuja opinião eu respeito bastante concordaram com isso, ainda que não totalmente, e etc. Agora que eu aderi às duas formas de expressão, percebi que teria que fazer uma demarcação. O que eu escrevo aqui, o que eu falo lá? E eis o mote da postagem de hoje.

Não acho que necessariamente o vlog esteja em alta por conta da preguiça do brasileiro de ler. Na minha opinião, um brasileiro que tem preguiça de ler dificilmente vai buscar uma alternativa pra ter acesso a conteúdo. Simplesmente não vai ter. Vai continuar onde está e o que vier veio e boa. Assumir que se assiste mais do que se lê por preguiça faz algum sentido sim, já que um vídeo é uma absorção de conteúdo muito mais passiva, mas não acho que seja necessariamente o caso.

Os vlogs são uma alternativa sim, mas não aos blogs, e sim à televisão. Isso é muito comentado nas conversas dos próprios vlogueiros. Sobre como os vlogs podem abordar assuntos com mais liberdade do que a televisão, sobre como as coisas são produções individuais, caseiras, humanas, e por isso tão largamente aceitas. Um viés aponta que eles são um movimento de oposição ao conteúdo massificado da tv. Ainda nessa perspectiva, você enxerga uma transição de função: a TV serve para entreter. O tempo todo te enche de coisas “engraçadas”, “bizarras”, “inesperadas”, pra divertir o maior número de pessoas possível. Muitos vlogueiros negam que fazem os vlogs para entreter pessoas que estejam entediadas na internet, embora seja isso o que acaba acontecendo muitas das vezes.

Voltando à suposta dicotomia blog x vlog, eu diria que se tratam de registros diferentes. Pra quem não está familiarizado, em algum estudos se fala de “registro de texto”, uma espécie de classificação. Eu pessoalmente enxergo as duas coisas como dois diferentes registros de expressão pessoal na internet. Na expressão escrita (blog), coloco argumentações, comentários sobre uma série, uma situação, na maioria das vezes fazendo algum tipo de generalização, chegando a alguma conclusão. Por outro lado, o que eu vejo de mais bonito no vlog – eu comentei isso no Videopost – é como nós podemos falar do individual, de coisas da nossa vida ou de opiniões que nos passam pela cabeça no dia a dia, e ainda assim nos identificamos.

Então, na minha opinião, eu diria que o raciocínio vai em direções opostas. No blog, de algo particular eu generalizo, arquiteto um texto, penso a respeito. Num vlog, eu tenho que cuidar para escolher um momento ou um tópico individual que vai gerar uma identificação e talvez mesmo uma reflexão. Enxergo as duas coisas como comunicação, só que em direções distintas. No vlog, o responsável por extrapolar o individual que eu apresento no vídeo é o expectador, e no texto do blog eu procuro deixar tudo destrinchado bonitinho.

Por hora então é isso. Me acompanhem, me ajudem, eu estou muito animada com o vlog mas não tenho a menor intenção de postar menos aqui, até porque escrever me alimenta.

Obs: Quando digo que o vídeo apresenta uma pequenice individual, não é como se não deve trabalho. A edição e a seleção de assunto pro vlog é muito mais delicada do que parece. Eu levei bem umas duas horas editando o vídeo acima e nem ficou tão bom.

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5 opiniões sobre “Escrever ou falar, blog ou vlog

  1. Eu até acho a ideia dos vlogs legais, mas acho mais perigosos… Tem gente q cria um pra falar de coisas randoms de um jeito jogado, e isso dispersa atenção e fica chato… Tem gente que fala direto olhando pra camera e num tom de voz legal, e chama atenção (tipo felipe neto). Enfim, tem q saber fazer. Eu não faço pq eu acho q não teria coragem… Sou paranoica com exposição! hahahaha Agora, quem sabe fazer e quer fazer, que faça e que de certo!!! Boa sorte!

    Concordo com vc sobre gente q não quer ler. Quem não le, continua sem ler e pronto. Vlog e blog são duas mídias (uma palavra mais facil pra sua expressão “registro de textos” hahah) diferentes, e cada uma tem seu publico específico, não necessariamente por aversão à outra…

  2. Acho que a onda dos blogs tem muito a ver com a imensa necessidade de exposição e com a imensa curiosidade que as pessoas têm pelas outras.

  3. Concordo com você: acho que são registros diferentes. No entanto, acho que fazer um bom vlog é extremamente difícil. Na maioria das vezes fica meio cansativo e chato. Fora que achar algo que valha à pena é difícil, então a gente fica vendo os “famosos” o que não dá muito espaço pra gente nova (a não ser quando você conhece a gente nova rs).

    Pessoalmente, prefiro um blog. Eu tenho necessidade vital da palavra escrita, é o que eu curto fazer, é o que eu curto ler. Fora que eu não sei se tenho presença para me filmar e fazer ficar legal. Eu sinto que consigo ser eu mesma escrevendo, mas não em frente de uma câmera.

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