Parabéns, Dilma!

Hoje os brasileiros elegeram a primeira mulher no cargo mais alto do governo do país. Depois de meses de uma eleição asquerosa, um processo regado a mentiras e intrigas e vídeos de youtube distorcendo os últimos cinquenta anos da história brasileira, finalmente os brasileiros mostraram que conseguem enxergar a diferença entre um governo bom e um governo mau. Como blogueira e como brasileira aqui fora, eu agradeço a cada um que votou na Dilma, a cada um que se deu ao trabalho de tentar trazer mais pessoas pro lado da continuidade do governo do PT.

É óbvio que nenhum dos dois candidatos era perfeito. É claro que eu já fiquei preocupada de escutar que o Palocci vai estar na comissão de mudança de mandato, por causa dos envolvimentos passados dele com corrupção – não esqueço! – claro que ver a Marta Suplicy feliz me perturbou um pouco. Mas um governo tucano era simplesmente inimaginável. Algumas pessoas que eu tenho no facebook, poucas, anunciavam voto pro Serra, mas todas exatamente daquele padrão classe média alta a quem não interessa que exista mobilidade social ou ampliação de vagas em universidades… Ou qualquer coisa que afete o status quo dessa galerinha que se divertia anos atrás me fazendo bullying. Bom, as mesas se viram!

A campanha tucana foi sangrenta e horrorosa. Os meios de comunicação de massa fizeram um esforço imenso pra plantar vídeos, fatos, distorcer fatos. Eu me perguntei em muitos momentos se esse povo que anda por aí dizendo que tem Ensino Médio completo sequer foi a UMA aula de História do Brasil.

Anyway. Comemoremos por ora a vitória dos fatos. E nos preparemos porque em breve a batalha continua… Colocamos você lá, Dilma, mas moleza não vai ser!

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7 Opiniões pra perder os amigos

Já faz um mês que eu estou aqui em Londres – coisa demais pra mencionar no meu blog, coisa demais pra comentar no vlog – por isso quero pedir desculpas a quem espera que meu blog passe a ser um diário de viagem – quem relata muito vive menos. Ou seja, vou continuar opinando sobre coisas que eu vejo por aí, que é a idéia dele desde janeiro, quando começou.

Às vezes eu vejo alguém que discorda de mim. Tá que não é às vezes, é bastante, mas é normal alguém discordar de você quando você diz que Heinecken é a melhor cerveja Lager. Mas tem opiniões – eu não sei vocês, mas eu tenho isso – que eu considero no alto da minha arrogância pseudo racional como verdades absolutas que ninguém devia discordar. Algumas delas tão aí nessa polêmica do segundo turno das eleições.

(mais de uma vez eu disse a mim mesma: vou postar sobre as eleições! Vou falar sobre como me interesso pela Marina mas tenho ressalvas, sobre como Serra nem fudendo, sobre como… ah! Aí percebi que um post sobre as eleições seria chover no molhado igual explicar por A + B porque Crepúsculo será provavelmente a pior série de todos os tempos, desnecessário)

Pois muito bem. Pensei comigo mesma: nessa valsa repetitiva de Dilma e Serra se esquivando de tantas questões na esperança de ter o apoio do público da Marina, vou eu deixar claro o que eu apóio e foda-se. Eis os tópicos:

1. Casamento gay. De verdade, gente? A essa altura da humanidade cês ainda querem meter o bedelho na vida de quem só quer casar e ficar de boa? O que você tem a ver com isso, cidadão?

2.Aborto. Sou a favor da legalização do aborto sem restrições. Esses dias li uns argumentos muito doidões contra o aborto e fui tomada da acima mencionada arrogância de quem talvez tenha certeza demais que está certo. Não aceito feto como um ser vivo, do mesmo jeito que um vírus não é aceito como ser vivo na Biologia porque não vive sozinho, somente dentro e dependente de outro organismo. Quem tá viva nessa história é a mulher. E de novo: sério, gente? Ainda é tão difícil assim lembrar que mulher existe e é gente? Pleno 2010?

3. Votar em tucano. Me explica de verdade porque alguém que não é das classes A e B vota no Serra? Eles estão tão claramente interessados em defender somente os mais ricos à custa de promover uma população alienada sob um ensino de merda cheio de maquiagem que só não dá pra entender. Não sei sinceramente porque o Serra ameaça a candidatura da Dilma.

4. Beber Skol. Quando alguém me diz que a cerveja favorita é skol, a pessoa cai no meu conceito quase que instantaneamente. Em alguns poucos eu vejo um pouco de potencial, respiro fundo e falo: poxa, mas pelo mesmo preço cê podia beber cerveja de verdade… Tem Brahma, Itaipava por aí…

5.Legalização de drogas. Por mim todo mundo ingere o que quiser. Não é como se já não o fizessem, só é mais difícil. É bom que legalizando as drogas, vai rolar um darwinismo generalizado: quem for burro o suficiente pra usar de forma indiscriminada já morre e fica menos gente burra no mundo, pronto falei. No fim as coisas se equilibram.

6.Comunismo. Gente, vai dormir, já deu a hora de vocês, de verdade. Resumindo: aham, cláudia, senta lá.

7.Divisão em partidos de forma geral. Outro dia me disseram que ser contra a organização da “democracia” em partidos me fazia anarquista e achei graça. Acho horrível ter que ser filiado a um partido pra se candidatar a um cargo, acho que só leva ao que levou: esvaziamento da noção de unidade ideológica em detrimento de alianças temporárias que se provem mais interessantes.

Naked e Nude

Hoje, como boa brasileira, fui ler o texto pra aula de amanhã; vale lembrar que eu tive uma semana inteira pra fazer SÓ isso.

O primeiro era a carta do Pero Vaz de Caminha descrevendo o descobrimento do Brasil, beleza. O segundo era um texto refletindo sobre nuances entre os termos “naked” e “nude”. Acho feio traduzir o “naked” pra “pelado” e “nude” pra “nu”, até porque meio que não cabe no contexto. Eu sei que paráfrases são uma coisa maldita, mas…

O texto coloca que mulheres sempre tiveram dois tipos de visão de si próprias, porque em muitas civilizações, em especial a européia, toda a vida da mulher consistia em obter aprovação e obedecer a um homem (calma, o post não é feminista). Por causa disso, desde muito cedo a mulher era pressionada a saber não só como ela era, mas principalmente como os homens a viam. Dizia-se mesmo que a mulher tinha algum tipo de aura, que “emanava”, ou comunicava, como ela queria ser tratada pelos homens e que tipos de liberdade ela tinha. Essa aura, da perspectiva masculina, era constituída por cada detalhe, desde o temperamento até o modo de se vestir. Já do seu lado, a mulher devia coordenar esses detalhes ciente do impacto que eles tinham sobre a visão que os homens desenvolveriam dela. Pra aparecer pra eles como numa pintura, do jeito que eles gostariam que ela aparecesse. Assim, ela personificaria o conceito do “nude”, no qual o feminino se expõe propositalmente para o masculino, como numa vitrine.

Por outro lado, em dados momentos ela continua sendo ela mesma, e tem que manter consciência do que ela é, mantendo-se ainda do lado de dentro. Essa visão crua do ser próprio é que está ligada ao “naked”, livre das máscaras e das poses, não necessariamente indesejável seja pelo masculino ou pelo feminino, mas mais sendo uma força neutra.

Pra quê eu contei tudo isso? Bom, primeiro porque eu nunca tinha pensado nisso e achei as idéias extremamente interessantes (pedindo perdão por eventuais erros meus, né, já que eu tô mais é passando o que ficou pra mim do texto). Segundo porque no mesmo dia percebi claramente como isso funciona.

A maior parte das noites aqui eu tenho ficado em casa. Com exceção de uma festa horrível pra intercambistas e uma noitada com o povo da Brazilian Society, geralmente vou jantar, onde encontro meus candidatos a amigos e a gente geralmente vai fazer alguma qualquer coisa morna, ficar no FuBar ou no quarto de alguém falando de nada, ou jogando cartas na sala comum (sou um às do pôquer entre os calouros, HA). Mas eu sou um ser que PRECISA sair com uma regularidade meio alta, ainda que seja pra pouca coisa – aquela UMA cerveja no fim do dia. Depois de convidar pessoas aqui e ganhar NÃOs com uma frequência meio abaladora, fiz a independente: saí sozinha.

Foi ótimo. Mandei música e peguei o ônibus que é a coisa mais cute cute do mundo e fui feliz até Strand St. Vaguei por ali, me sentindo a pessoa mais livre do mundo. Passei por um café e tinha um loiro super bonito lá, e ele olhou pra mim, Ê! Tá, é meio lama eu comemorar que finalmente alguém aqui olhou pra mim. Mas enfim. Andei até encontrar um pub do jeito que eu queria, pedi uma pint e fiquei de boa ali observando as pessoas.

Eu cheguei até ali dizendo a mim mesma que adorava o anonimato da cidade grande, pois ele me permite simplesmente ir num bar e observar ingleses bebendo e interagindo. Quando estava na metade da minha bebida, me percebi da minha inocência: oras, eu não sou invisível. Eu não fui lá só pra ver pessoas, fui pra ser vista também. Pra mudar um pouco os ares, sim, mas principalmente, pra ver e ser vista. É nessa hora que a gente percebe que estava de pernas cruzadas quando é mais simples e confortável apoiar os pés no banquinho, e está puxando o cabelo pra cobrir uma espinha. Eu estava ali também tentando me ver aos olhos dos outros, tentando mostrar o que quer que fosse que eles quisessem ver. Se eu fosse de verdade invisível, é evidente que teria me posicionado diferente, agido diferente. Claro que o comportamento não é igual ao da antiguidade, eu não estava tentando me adequar desesperadamente ao “nude”. Só não queria estar totalmente “naked” e desprotegida. Dá pra entender? Não sei. Essas coisas são viajadas mesmo.

Resta dormir, que amanhã tem aula sobre o texto!