O feriado e a culpa

Vejam bem. Sou jovem, de aparência média, universitária, e estou em Londres no Natal.

OOOOOOHHHH QUE ALEGRIA!

Pois é, e se não?

Não estou dizendo que esteja à beira do suicídio. E não estou dizendo que é só porque é Natal.

Eu me senti do mesmo jeito no Dia dos Namorados, no dia dos Pais, no meu aniversário. Não gostei muito da conclusão à qual eu cheguei, mas ainda assim acho digno de uma blogada.

Coloquemos a coisa nesses termos: eu sempre gostei de datas. Sempre vi um simbolismo nelas, porque através das datas a gente pode lembrar. Datas de namoro, aniversário do cachorro, dia do resultado do vestibular. Todo dia 28 de janeiro gosto de lembrar da página da COPEVE na minha frente, com o meu nome, seguido de uma felicidade paralisante, que forçou minha vó a vir correndo ver se, sei lá, tinha alguém me atacando ou coisa assim. Todo dia 19 aqui gosto de marcar mais um mês passado no exterior. São pequenas conquistas dessa minha vida pequena, mas que estou decidida a valorizar, já que a minha vida é só minha e de mais ninguém.

Porém, existem as datas coletivas. Nunca fui particularmente contra elas também. Detesto carnaval, mas adoro não ter aula, então tudo bem, galera, vai lá dançar música ruim rebolando até o chão. De boa. Por outro lado, ficando em casa no carnaval, acabo sabendo dos relatos ou vendo fotos das pessoas se divertindo radicalmente lá fora. No dia dos Namorados, de repente todo mundo tinha algum lugar pra ir. Meu aniversário veio e se foi e eu aqui, comemorando com muito mais civilizança e dignidade do que eu queria. E agora o grande combo da depressão dos feriados, o Natal!

Natal só é 100% sensacional quando você é uma criança. Ganha um tanto de presente, se diverte horrores, as pessoas te contam histórias, você come até passar mal, e não gasta um só centavo. Agora, quando a gente cresce, eu não sei vocês, mas vira meio que uma obrigação, no sentido que você presenteia gente que você gosta, claro, mas presenteia num dia que não tem muito a ver. Você pode estar chateado com a pessoa ou só afastado – aí vem a estratégia da propaganda e inventa que Natal é época de perdoar. Aham.  Então, o dia em si não é grande coisa, exceto pela minha mãe arrasando no almoço. Não tem grandes discursos de afeições nem abraços… É um dia.

Mas eis que agora estou eu há uns 10 mil quilômetros de casa, e vejo todo mundo indo fazer algo com a família essa noite, e meu coração parece que fica do tamanho de uma azeitona. Afinal de contas, Natal serve pra quê? Quando a gente está com quem gosta, fica sem graça, só se firma na rotina, e quando está longe, fica só reclamando que todo mundo tem algo enquanto você fica aí, FOREVER ALONE?

 

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5 opiniões sobre “O feriado e a culpa

  1. Mesmo estando na casa da família, comendo igual um porco, ganhando presente e bebendo, tô me sentindo assim também. Azeitona? Talvez o caroço. Mas enfim, são coisas negativas provocadas por fatores completamente diferentes. O que importa é saber que tem gente que se sente como vc e/ou está na mesma e gente que se importa com você sem precisar de datas.
    Feliz natal, gata. Tá, não suporto a parte da hipocrisia [ih, isso tá virando cliché, daqui a pouco eu amo o natal de novo hahahah].
    Ah, ontem saí com minha wifi detector tshirt e, obviamente, me lembrei de vc e queria MUITO ter dançado com vc na gafieira do 104…

  2. Antes eu me sentia como vc, mesmo rodeada de pessoas, com o coração parecendo uma azeitona. Depois, não sei porque, minha visão mudou e eu vejo o Natal como uma data para compartilhar (não necessariamente presentes, mas amor no geral, ou talvez uma cumplicidade familiar que às vezes fraqueja, mas estamos sempre ali – e desculpe se isso soa piegas, mas vai ver sou uma pessoa piegas, ouch).

    Certo, parei com a pieguice agora, prometo.

    Ontem eu vi vc no msn online, mas achei que seria forçar a barra abrir uma janela e desejar um Feliz Natal, justamente por pensar que talvez vc não gostasse tanto assim da data (por causa dos apelos religiosos ou comerciais). Eu suspeitei que vc estivesse sozinha, mas fiquei com medo de a minha conversa te deprimisse mais ainda.
    Queria pedir desculpa pra vc, acho que eu devia ter me arriscado.

    Espero que vc esteja melhor hoje.

    bjos bjos

  3. Eu fiquei deprê com Natal esse ano mas acabei superando buscando um sentido de Natal pra mim. E escrevi um post piegas no meu blog sobre a tal época de perdoar. hahahahahaha Mas funcionou pra mim.

    Não sei, mas acho que cada um acha o Natal que funciona pra si. Mas ninguém fica livre da hipocrisia nem do lado comercial. Isso é fato.

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