Pílulas de abril

Na minha ausência (indolência) dos últimos dias, diversos temas pra postagens passaram pela minha cabeça. Abril foi um daqueles meses em que praticamente nada aconteceu. Resolvi apenas falar brevemente sobre diversos assuntos ao invés de me aprofundar em um só. Caso você tenha sentido falta da brilhante escrita do grande talento do futuro, Amanda Pavani, você pode matar a saudade dos meus sons literários. E eu falo um pouco mais sozinha pra manter a sanidade.

– Sempre adorei jogar The Sims, desde pequena, quando só tinha a opção de ter adulto ou criança e vc selecionava só uma cabeça e um corpo na hora de criar. Desde o lançamento da terceira versão eu fiquei deprimida achando que nunca poderia jogar, mas eis que com o advento do meu computador inglês, batizado em dezembro de Matrix II, um download de proporções históricas foi efetuado e assim eu consegui sobreviver às horas infinitas de tédio. Fico feliz em anunciar que o casamento gay já foi aprovado no mundo dos Sims; não só o casamento gay, mas o casamento entre espécies – humanos podem se casar com vampiros (crepúsculo, oi???). Curiosamente, não se fosse nem flertar com Sims de idade diferente, a não ser que sejam adultos e velhos.

-Fiz maratonas de Harry Potter e de Senhor dos Anéis. Ridiculamente torci e me emocionei como sempre me emociono. Nos últimos meses, na verdade, eu tenho revisto coisas das quais eu gostava muito há anos. Tipo Digimon. Lembra que tinha aquele filme em três partes, que a do meio tinha os digiescolhidos da velha guarda numa batalha dentro da internet? Pois é, eu achava que era o último registro do Tai e dos outros, mas tem um filme pós segunda temporada, de trinta minutos só, “A vingança de diaboromon”, no qual dá pra ver todos eles!

-Como resultado de rever todas essas histórias cheias de heróis, eu andei pensando demais na minha própria história de fantasia, com título provisório de O Camafeu – até eu pensar em algo melhor – que eu já mencionei neste post e constantemente a Melissa me pergunta se eu escrevi mais, só pra ficar decepcionada comigo. Eu penso nos personagens. Vejo cenas de amizade, de heroísmo, de romance, penso na minha própria história. Se sinto tanta vontade de escrever, por que não sai nada?

-Trabalho. Voltei a garçonetar. Alguns dias são bons, alguns uma merda. Amanhã, por exemplo, vou trabalhar cerca de doze horas, no interior da Inglaterra. Isso significa acordar seis e pouco da manhã, pegar o ônibus 68 até a estação de trem de Waterloo, descobrir como faz pra imprimir minha passagem de trem, descobrir onde é a plataforma do trem, ir pra Ascot, encontrar o tal Royal Ascot Racecourse e ser encaminhada para o lugar onde eu vou ficar trabalhando. Vou ganhar almoço, pelo menos.

-O estranho de trabalhar aqui é que eu me sinto meio que sambando entre duas classes economicas. Quando cai o salário eu tomo cervejas, compro presentes, livros, faço o que bem entendo, super classe média sofre. No dia seguinte eu acordo de madrugada pra passar muito tempo falando ‘yes sir’ de forma tão compulsiva que já chamei altas mulheres de ‘sir’ sem querer. Parei de pintar as unhas porque não pode ter nada que te individualize nesse trabalho. Fui obrigada a perder a fobia de telefone que eu tenho, senão simplesmente não tem trabalho! Enfim, várias coisas.

-Finalmente a temperatura aqui está amena, entre 16º e 25º. Pro meu desespero, quando faz 25º, eu passo um calor do inferno e me preocupo com minha readaptação.

-Ultimamente tenho comprado muito mais livros do que eu devia por questões de malas. Tenho um total de quatro Jane Austens (um deles é presente pra Melissa), o box de His Dark Materials, a edição de aniversário de Harry Potter e a Pedra Filosofal, Frankenstein, um Charles Dickens e minha nova grande descoberta, dois livros do John Green. Se você não conhece John Green, prepare-se pra ver sua vida melhorar instantaneamente:

Pois é. Ele tem esse vlog com o irmão dele, Hank, e é um autor publicado no mundo todo. Comprei dois livros dele até agora, “Looking for Alaska” e “An Abundance of Katherines”. Menos de cinco libras cada! Como resistir? Ele é tão engraçado escrevendo quando falando, o que é dizer muito!

-Eu sei que muitos dos meus amigos detestam o Felipe Neto, o vlogueiro carioca que grita. Pois é, eu entendo. Mas no vídeo mais recente dele – que não vou forçar vocês a assistirem, sejam gratos – ele lançou uma campanha contra o absurdo dos impostos cobrados sobre eletrônicos importados no Brasil. Tá certo que durante a maior parte do vídeo eu dei umas risadinhas egoístas (da série ‘tralalala estou em londres comprei tudo que eu queria sem esses impostos doidões…’), no pior estilo classe média sofre de novo. A verdade é que eu tenho passado muito tempo rindo das reclamações da classe média decadente no Brasil, que está inconformada com os milhões que saíram da miséria – quem é que vai trabalhar dezoito horas por dia por cinco reais agora?), um pensamento muito disseminado num vídeo hilário do Adnet que eu tô com preguiça de publicar agora.

Eu disse tudo isso pra dizer que bom, eu dou risada deles, mas a verdade é que o próximo grande problema a ser resolvido no Brasil é o exagero da carga tributária. Isso não é novidade pra ninguém. Só porque eles não conta (LOL) não quer dizer que eles tenham que pagar impostos muito mais altos do que o necessário. A gente sabe muito bem que a máquina pública precisa de uma enxugada e aí não precisaríamos de tantos impostos. Veja bem, depois de mostrar como os preços dos eletrônicos praticamente quadruplicam nas lojas brasileiras, o Felipe Neto se comprometeu a criar esta página, na qual ele coleta dados de apoiadores para encaminhar ao governo. Eu não sou grande entusiasta de baixo assinados, porque nunca na minha vida vi algum resultado deles. Se vocês puderem assinar e passar pra frente, seria bom. Obrigada!

-Você sabia que dá pra achar todos os episódios de Sai de Baixo no youtube? Entra lá, é só alegria!

-Por último, e mais importante: UM MÊS PRA EU VOLTAR PRO BRASIL! UHUUUUU

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A Mídia Brasileira, a Síndrome de Bolha

Faltam 45 dias pra eu voltar pro Brasil. Em uma coisa eu estava bem certa nas minhas previsões sobre essa estadia no exterior: minha cabeça agora tem idéias muito diferentes. Na minha ausência, muitas coisas aconteceram no meu país. Teve a troca de presidentes, teve a invasão da polícia no Morro do Alemão, desastres naturais, cheias, bolsonarismos, a tragédia em Realengo. Tive a bênção de não ter que assistir os jornais sangrentos da Record, a paz de espírito de não querer atirar coisas na tv toda vez que assisto o Jornal Nacional, ou qualquer dos programas cheios de ódio do Datena. Pra mim só chegaram relatos do cenário de intolerância que cresce aí, por links do igualmente lamentável jornal da Folha ou por blogs independentes sensacionais.

A cada dia que passa eu fico mais impressionada com o tanto que as minhas opiniões mudaram e o tanto que eu passei a suspeitar mais das notícias uma vez que passei a ler notícias na internet. Fui criada no interior de São Paulo, vocês sabem, estudando em escola particular. Fui criada ouvindo que morava no melhor estado do Brasil – ou melhor dizendo, que o resto é irrelevante -, fui criada na igreja ouvindo que eu tinha que respeitar as outras religiões, mas manter em mente “que nós é que vamos pro céu, eles estão errados”. Por isso, quando eu tinha treze anos e o Lula foi eleito, eu fiquei bem horrorizada, não recebi bem os pacotes sociais.  Eu estava inundada naquela nuvem paulista católica de condescendência. Eu nem mesmo sabia que era condescendente. Achava que respeitava os outros. Achava que não tinha preconceitos. Eu tinha uma mentalidade extremamente classe média e, o que é mais absurdo, nem mesmo pertencia à classe média.

Depois que eu tirei a cabeça da bolha e fui morar em Minas Gerais, comecei a perceber como a mídia é poderosa na hora de modelar os nossos pensamentos. Vi protestos estudantis na rua, participei de coisas, e de repente o Estado de Minas estava lá, nos chamando de vagabundos e nos mostrando como rebeldes maconheiros vagabundos sem causa. Quando o choque passou, comecei a entender porque ninguém nunca se movimenta politicamente na universidade: o medo de ser um vagabundo maconheiro aos olhos de todos.

Mas muita gente fica a vida toda dentro da bolha da classe média. Eles crescem, fazem Direito na USP, ou Economia, e reclamam sobre como a vida é difícil para os homens heterossexuais, brancos e ricos, porque eles não tem nenhum privilégio. É. ELES NÃO TEM NENHUM PRIVILÉGIO.

É a galera que se sente representada por pessoas como Bolsonaro. Gente que acha que a Dilma é uma terrorista, gente que não desconfia das intenções dos jornais.

A minha intenção era sentar e destrinchar o horrível trabalho que a mídia brasileira tem feito com tarefas simples como reportar os fatos do dia. Mas ver um documentário como esse da Globo, claramente imprimindo suas opiniões a cada minuto, a cada frase falada nesse vídeo… Me tira a vontade.