Fazer as escolhas certas

Quem me conhece na vida real sabe: meu humor é baseado na auto depreciação.

Às vezes sobre meu peso aumentando ou caindo; sobre a minha capacidade quase sobre humana de comer, ou, principalmente, sobre as estratégias peculiares que os homens que eu amei usaram pra se livrar de mim, geralmente com alto grau de humilhação pública ou através de deleção total de auto estima da que vos escreve. Viu? Se você riu não tem problema, eu conto é pra isso mesmo.

O que eu quero dizer é que apesar do meu humor ter base no negativismo, se você me perguntar na honestidade, eu vou ser forçada a te dizer que me acho uma pessoa profundamente sortuda.

Quase ninguém consegue, com dezoito anos ou mesmo, dizer pra si próprio “Eu quero fazer a coisa X da minha vida”. Até porque idealmente, ninguém deveria ter que tomar uma decisão dessa magnitude tão cedo. É claro que achar que a decisão do que estudar na universidade ser um fator fatal e determinante do seu futuro é coisa de quem cresceu, bem… no mesmo ambiente que eu! Ah, como esquecer daqueles intervalos durante as aulas no Colégio Objetivo, quando todo mundo falava sobre os cursos e as cidades que iria fazer, classificando as profissões por salário, cidade com vida social mais agitada e por último… interesse.

Muito bem, quem me conhece sabe também que eu sou uma traidora do São Paulo way of life.

Hoje, eu não nego, aquelas meninas do Colégio Objetivo estão de formando em conceituadas faculdades particulares perto da cidade dos pais, arrumando um emprego na maior empresa do ramo em sua cidade, ou talvez até cresceram socialmente de forma impressionante – moram, acreditem, em Ribeirão Preto!

Claramente, tais prospectos de glória e sucesso eram demais pra mim.

Falando sério agora. Já perto de formar, pensando em monografia e talvez num mestrado, eu ouço as pessoas falando das respectivas faculdades, e da vida que levam. E pensando também na conversa que se desdobrou durante minha prova oral de italiano. Percebo que muito pouca gente, mas muito pouca gente mesmo, pode dizer o que eu digo:

“Eu amo o que estudo e amo a vida que construí pra mim nesses últimos anos. Sinto que acertei na minha escolha”.

Quero dizer, todos os romances pós modernos e todos os dramas da modernidade são sobre como você podia ter feito algo certo no passado e mesmo assim pisou no tomate. É tão errado assim que eu sempre me lembre de vinte e oito de janeiro de dois mil e sete? Se eu penso por dois segundos, consigo sentir a emoção de novo, de ver o meu nome na lista. É claro que me lembro também de quando fui aprovada na UEL e na UNESP, mas a mágica foi auto explicativa quando o resultado da UFMG saiu. Me lembro de ligar pra Melissa (nossa senhora do interurbano!) e assim que ela falou “alô”, eu berrei, “VOCÊ FICOU EM OITAVO, SUA FILHA DA PUTA!”, ao qual se seguiram gritos de “PASSAMOS!” e “vamos estudar juntas!”.

A Faculdade de Letras da UFMG é minha Hogwarts; eu me sinto à vontade. Por mais que eu odeie ter que fazer gramática tradicional antes de formar, e por mais que eu me preocupe com as novas gerações de calouros, ah, tem algo naquele lugar que me faz sentir em casa! É como se eu pudesse esticar as minhas asas, ser o que eu quero. Quando eu me pronuncio assim, desse jeito loucamente positivo, sempre tem alguém pra sacudir a cabeça, dizer que não tem essa relação com a faculdade. Estou ciente que quase ninguém na FALE se sente assim também. Mas recentemente eu resolvi que quando eu escrevo sobre o que eu amo, ao invés de escrever sobre o que eu odeio, não só perco dezenas de acessos – leitores querem polêmica, fodam-se vocês! – mas também durmo melhor, vivo melhor. Eu aconselho!

Brega é, sem dúvida, uma parte da gente!

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2 opiniões sobre “Fazer as escolhas certas

  1. Concordo total, Amanda. Poucas pessoas podem dizer, como nós dizemos, que marcaram o X no lugar certo. É tão bom amar o que você estuda… Às vezes fico até sem graça quando converso com gente que diz “Que porcaria de curso” ou “Não sei o que fazer da vida”. Claro que muitas dessas pessoas têm um satatus muito maior que o meu, ganham mais dinheiro, têm outro padrão de vida… Mas eles não têm a satisfação pessoal. 🙂 Isso me faz feliz.

  2. “A Faculdade de Letras da UFMG é minha Hogwarts; eu me sinto à vontade.”

    Amanda, eu nunca li Harry Potter (mentira, só o primeiro), mas juro que me emocionei com essa frase. Porque, por mais que a vida de professor tenha seus altos e baixos, e um peso social e político que com 20 e poucos anos ninguém tá pronto prá por nas costas; por mais que o mestrado seja uma doidera que eu ainda não entendo; por mais que meu futuro apareça meio cinza quando eu penso nele, a FALE é a FALE. Tem aquele jardinzinho meu e da denise e dos gatinhos, tem o d.a prá sonecas, tem o cabral que é o nosso quintal, o salgado ruim da cantina, o cheiro do xerox quente na bancada da gráfica, o elevador psicopata e, além de tudo, a FALE tem umas das melhores pessoas que eu já conheci na minha vida. E mesmo sabendo que eu não escolhi a profissão mais fácil do mundo, eu sei que eu escolhi o lugar onde eu seria mais feliz. Já quis explodir aquilo ali várias vezes, mas os momentos que eu passei sentada naqueles banquinhos de cimento frio sozinha, pensando em mil coisas mas, por incrível que pareça, ainda sem me sentir sozinha, me fazem crer que eu sou uma das poucas pessoas que vc cita no seu texto que se sentem como você. Materialmente e sentimentalmente, aquele lugar me fez, me faz, e eu espero que continue me fazendo muito feliz… seu texto é lindo, e eu tô com saudade da gente ali no intervalo. beijo, mineira-paulista. 🙂

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