Boates – ou clube, balada, lugar chato de dançar

Eu te peço um favor como ser humano que potencialmente vive perto de mim: não me chame pra “dançar”.

Tenho horror de lugar com música eletrônica alta e luzes piscando. Não gosto da sensação de estar numa vitrine de gente. Parece que eu tô esperando um macho vir me pegar do nada. Pra mim, é quando você vai dançar que você é mais confrontado com a merda do padrão de beleza. Pelo menos comigo. Não faz nem meia hora que eu saí de casa, minha maquiagem ainda não derreteu, mas o primeiro impulso é de voltar em casa e trocar de roupa, porque todo mundo tá melhor vestido. Daí você paga pra entrar num lugar cujo único diferencial é a música. Eu não lido bem com pagar pra entrar em lugares onde eu vou apenas respirar. Pra teatro, cinema, musical, eu fico mais do que feliz em pagar. Mas o absurdo é que na boate eu vou pagar pra… pagar mais! Como se não bastasse, beber lá dentro é mais caro do que beber em casa, mais caro do que beber num buteco (meu ambiente favorito). Sempre que insisto e vou, compro um ou no máximo dois drinks.

Agora, veja bem: já estou dentro, segurando um drink fraco e caro, olhando em volta. Finalmente, chega a hora de dançar! Meu grupo de amigos forma um círculo, que me lembra horrorosamente das “boatinhas” que começavam às oito e meia e acabavam dez da noite quando eu tinha treze anos. O círculo é um formato estratégico, porque as meninas precisam colocar as bolsas no centro, pra não gastar ainda mais com o porta volumes. As meninas todas insistem que estão ali pra dançar – até que o primeiro random apareça pra chegar na amiga mais bonita. É só uma questão de tempo até a roda ir diminuindo ou ser acrescida dos sujeitos e sujeitas random atracados com meus amigos.

Mas antes que tudo isso aconteça, a música. Um padrão bem repetitivo, que me força a ficar mudando a perna de apoio como se estivesse dançando. Absurdamente alto, de forma que seja impossível falar com alguém sem berrar no ouvido da pessoa. Fico lá, bebendo e olhando em volta por cerca de meia hora, vendo gente muito bonita passar, sendo bonita, enquanto dois creepers – esses caras tensos, mais velhos, sozinhos, de camisa mais ou menos aberta, que param atrás de você – se posicionam se modo a poder te seguir pra onde você for. Daí, de repente, PÁ! Uma música que você conhece! Uma Lady GaGa das primeiras. Sei lá, Poker Face, pode ser. Aí você, que sabe a letra, pula com seus amigos que estão se divertindo há um tempão, e sacode os braços, faz de tudo. A música acaba, começa qualquer coisa que parece com Black Eyed Peas, embora eu não tenha muita certeza de como é Black Eyed Peas, os ombros murcham e eu volto a beber e olhar em volta.

Acaba o dinheiro do álcool, e a pior parte chega: contar duas idas ao banheiro antes de ir embora pra ter certeza que não vou passar aperto bexigal no ônibus, seja o 2004 na Savassi, seja o 176 no Soho. Os dois trajetos são longos como a vida. Sem mencionar o tempão que leva pra explicar pros seus amigos que você já está indo embora – afinal, tá tão bom! -; um artifício desesperado que eu uso até demais é a saída à francesa, ir no banheiro e ir pela parede até a saída, mandar uma mensagem de dentro do ônibus avisando pra ninguém se preocupar.

Olha como eu me divirto.

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7 opiniões sobre “Boates – ou clube, balada, lugar chato de dançar

  1. vc respira em boate? me ensina, nem isso eu consigo… blergh

    mas o mais irritante é qdo vem alguém e teima “mas é pq vc nao foi na boate certa com as pessoas certas! c vai ver, aidna te faço gostar!” NÃÃÃÃO, CARAI!

  2. Ir em balada = pagar uma nota preta pra entrar e ter que ficar ouvindo música ruim, ensaiar uns passinhos de “dança” para as pessoas não ficarem olhando feio com seu desânimo, não conseguir falar com a pessoa do seu lado e fingir estar se divertindo demais. Sinceramente sou mais ficar em casa jogando paciência spider, em divirto o mesmo mas mantenho meu dinheiro.

  3. Ola. Belo blog. O meu se chama POET “Pages Of Erased Text”. Gostaria de uma informação (ou opinião). Sei que há bilhões de livros e ebooks no mundo, mas você sabe se tem muita gente que faz “blog-book”? O “blog-book” é um ebook publicado em blog (escrito e publicado simultaneamente, geralmente por capitulo). Estou iniciando um e gostaria de ter mais informação sobre isso, pois achei pouca coisa quando pesquisei.
    E então? “blog-book”, alguém já ouviu falar? Confere aqui http://pagesoferasedtext.blogspot.com/
    O nome do book é “Illegitimate”. Espero que goste. Obrigada desde já.

  4. Você esqueceu de mencionar que a gente volta pra casa defumada de fumaça de glicerina. E, quando podia, de cigarro. Eu tinha vontade de jogar a roupa fora ao chegar em casa.

  5. eu ainda acho válido sair pra dançar. e na minha concepção, a melhor saída pra dançar é ir num lugar em que vc sabe que vai ter música boa, tomar uns bons drinque antes de sair de casa e, principalmente: ir sozinho. não precisa interagir com ninguém. é só dançar, se jogar. aí fica gostoso. fiz isso 2 vezes e tô pra te dizer que foram as melhores “baladas” [ai, importação lexical desnecessária, afinal balada é o estilo musical da Antena 1 (que eu adoro, a propósito)] a que já fui.

  6. Jack é considerado balada? É a única porcaria do tipo que eu já suportei até hoje.
    A foto me lembrou uma boate em Maravilhas que chama White Horse e tem a pintura de um cavalo no muro. O cavalo tem lâmpadas vermelhas como olhos. VOU TE MANDAR!!

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