Maratona: Prisioneiro de Azkaban

I solemnly swear that I’m up to no good.

Sim! Porque no good é uma ótima expressão pra definir Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, lançado em 2004. Ao menos em termos de adaptação. No terceiro filme nós temos uma mudança de diretor: Alfonso Cuarón, diretor de “E Sua Mãe Também”, dirigiu este filme e só este de todos.

Sempre que penso nesse filme penso que ele é todo azul. Bem, hoje, prestando atenção, deu pra entender porque: o filme todo tem mais azul que o Windows 95. Do começo ao final, parece que alguém puxou a barra de matiz da sintonia fina pro lado do azul. A adaptação já começa mostrando que realmente não está interessada em se ater a nenhum dos fatos do livro: o primeiro take é de Harry, embaixo do lençol, praticando um feitiço nunca mostrado nos livros – o tal do lumos maxima – sendo expressamente proibido praticar magia fora de Hogwarts.

Mas não vou me ater aos defeitos de adaptação do filme, porque eles são muitos e eu estaria chovendo no molhado de um debate que acontece em fóruns potterianos há quase oito anos. Tem algumas coisas boas que a direção de Cuarón traz pra série, vou confessar: uma delas é a fluidez da narrativa. Os takes nos dois primeiros filmes eram quadrados, com começo e fim, quase dá pra ouvir o barulho da página do livro virando dentro da cabeça da gente. No terceiro filme, é tudo amarrado de forma sutil, de modo que o expectador precisa manter uma atenção especial nos detalhes; diferentemente de Columbus, Cuarón não guia o mistério do filme pela câmera ou pelas expressões de Harry – e sorte que não, porque francamente, Prisioneiro de Azkaban é a pior performance de Daniel Radcliffe. Quando vi o filme pela primeira vez no cinema, desejei que Macaulay Culkin tivesse conseguido o papel ao invés dele.

Bem, mas vamos ao padrão, certo? Nessa parte da série, Harry vai conhecer mais sobre o passado de seus pais. Vai descobrir que o novo professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, Lupin, foi amigo de seus pais. Vai descobrir os rumores de que o fugitivo da prisão de Azkaban na verdade foi aquele que vendeu seus pais para Voldemort, quando eles resolveram se esconder. Inclusive, a cena em que ele descobre isso é a que tem a atuação mais patética e lamentável. Um momento crucial da construção de Harry frente ao expectador é destruído pelo imbecil do Dan Radcliffe berrando como se estivesse numa partida de quadribol, “He was their friend… HE WAS THEIR FRIEND!”.

Lupin, o mencionado professor, é essencial pra trama do filme. Não só ele constrói uma relação de amizade com Harry que ele nunca teve com outro professor, mas também lhe ensina a lidar com os novos seres mágicos introduzidos no volume – os dementadores. E ele descreve os pais de Harry para ele. Diz que Lily, além de poderosa, tinha uma capacidade incomum de vez o bom nas pessoas, especialmente quando elas não conseguiam ver nada de bom em si próprias. O leitor já imagina que ele se refira a algum momento no qual ela tenha descoberto que ele é um lobisomem (essa cena até me inspirou mais tarde na fanfic James/Lily que escrevi). Ele ensina a Harry o feitiço Expecto Patronum, provavelmente o feitiço mais legal e mais poético de toda a saga, no qual o bruxo deve se esforçar para pensar em sua lembrança mais feliz de todas para que ela tome uma forma física animal e afaste os dementadores. Alguém que tenha o livro por perto, poderia checar pra mim se aquela coisa toda de ele pensar nos pais quando consegue fazer o feitiço pela primeira vez procede na adaptação? Porque que eu me lembre Harry usa sempre ou quadribol ou Ron e Hermione para conseguir conjurar seu patrono.

No livro 3, mas infelizmente não no filme, a Grifinória ganha o Campeonato de Quadribol pela primeira vez! Eu ainda me lembro de ler a cena no livro e de pular com a narração do Lino Jordan. No filme nós apenas vemos o primeiro jogo contra a Lufa-Lufa, onde deveríamos ter sido apresentados a Cedric Diggory, o apanhador, e se houvesse um jogo seguinte, à Cho Chang, apanhadora da Corvinal, já que ambos terão papéis importantes no próximo filme.

Outro detalhe: aparentemente a Grifinória se mudou pro meio de um corredor nesse filme. Nos dois primeiros filmes os personagens encontravam a pintura da Mulher Gorda no fim de um corredor. Ele não só está agora entre dois lances de escadas, no meio do nada, como a Mulher Gorda é… outra pessoa!

*momento detalhes maníacos acaba aqui*

No filme, como quase ficou de lado no meu post, fica o próprio Sirius Black, nosso prisioneiro de Azkaban. Acusado de matar Peter Pettigrew e ter entregado os Potter para Voldemort, Sirius é condenado à prisão perpétua, mas no terceiro ano de Harry ele escapa… com um método que ele poderia ter usado a qualquer momento. Cuarón e Kloves, o pior roteirista da história da humanidade, não se preocupam em explicar isso em nenhum momento e apenas cruzam os dedos para que o expectador fique distraído o suficiente para que ninguém pergunte a respeito. Sirius é um animago – pode se transformar num cachorro, passando despercebido, então, pelos dementadores. Poderia, de fato, ter feito isso a qualquer momento. Bem, quem leu o livro vai se lembrar do que o motivou. Não é dito, mas o pai de Ron ganha na loteria! Com o dinheiro, os Weasley viajam todos para o Egito e aparecem no jornal com uma grande foto de família, na qual Ron aparece segurando seu rato.

O rato é ninguém menos que o próprio Pettigrew, também um animago ilegal, que afinal de contas não estava morto, mas escondido há mais de uma década como um animal de estimação na família Weasley! Não só isso, como ele fora o verdadeiro Fiel do Segredo do casal Potter – sim, porque Kloves também não achou nada importante explicar que apenas uma pessoa poderia dedurar os Potter, porque eles estavam protegidos por mágica – e o único verdadeiro traidor, que havia se tornado um seguidor de Voldemort.

Quando o jornal acidentalmente foi parar na cela de Sirius após uma visita do Ministro da Magia (estou falando de cabeça, me corrijam se eu estiver errada), ele ganhou um motivo para sair dali. Até então, estivera consumido pela depressão de ver seus melhores amigos mortos e ser emboscado.

Finalmente encontrando Harry e fornecendo as devidas explicações, Sirius conta a Harry sobre ser o padrinho do menino, e o convida para morar com ele quando conseguirem entregar Pettigrew às autoridades. Essa cena é verdadeiramente dolorosa, porque soma um homem que foi injustamente preso por doze anos e um garoto que passara todo esse tempo morando com parentes que nem o queriam.

Ainda tenho que falar da Profa. Trelawney, na grande performance de Emma Thomson. E aqui um parênteses, porque essa atriz é verdadeiramente sensacional: ela faz a escritora em Stranger than Fiction e Elinor Dashwood em Razão e Sensibilidade (que por acaso é o livro que estou lendo no momento!! ohhh!). A professora, uma adivinha charlatã que tem a seu favor apenas a ascendência de uma grande adivinha, uma tal de Cassandra, fala muita bobagem em aula, mas em dado momento ela entra numa espécie de transe e acaba proferindo uma verdadeira adivinhação, que seria a conclusão do livro, com Pettigrew fugindo e se reunindo com Voldemort. Ela vai ser importante no filme cinco, como veremos, e acabo de ler que ela tem cenas no filme 7, parte dois. Bem, isso veremos!

Muito a contragosto, Kloves é forçado a incluir nos filmes cenas Ron/Hermione, como o abraço quando o hipogrifo de Hagrid é supostamente sacrificado, ou o apertar de mãos na primeira aula de Hagrid também. A principal fonte de tensão romântica entre os dois personagens ele resolve convenientemente amenizar: a briga eterna. Eles passam o livro todo brigando, e dali pra frente brigam praticamente até o meio do livro 7. Harry ainda não teve cabeça pra olhar direito pra menina nenhuma, mas nós veremos amanhã como, mais cedo ou mais tarde, os hormônios dele começam a trabalhar. Amanhã, o Cálice de Fogo!

P.S. E essa imagem no mínimo estranha de Snape protegendo o trio? hahaha.

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3 opiniões sobre “Maratona: Prisioneiro de Azkaban

  1. …”no good” couldn’t be more perfect.
    Eu realmente detesto esse filme. Ao assisti-lo eu sempre tenho a sensação de que alguém está tentando me enganar.
    Bom conferindo no livro, Harry não pensa nos pais quando ele realiza o patrono pela primeira vez e sim em quando descobriu que era bruxo e ia deixar a casa do Dursley para frequentar Hogwarts.
    Adoro ler seus comentários. Você é realmente uma ótima critica.

  2. Eu adoro essa cena do Snape protegendo o trio. É tão DUH que é legal.

    Enfim, eu gosto de Azkaban se pensar nele apenas como um filme. Quer dizer, é um filme bonito. O figurino é legal, o cenário é legal… Mas o roteiro e a atuação do Dan é ridícula. Coitado do menino, eu teria vergonha de ver esse filme se fosse ele.

    Mas é absurdo que o tal Prisioneiro de Azkaban do filme não seja devidamente explicado. Sério mesmo. É um buraco gigante no roteiro. Toda a história dos marotos é ridicularizada nesse filme. E como disseram aí em cima, eu também fico com a sensação de que alguém está tentando me enganar.

    E você nem falou da caracterização da Hermione que começou a ter sérios problemas nesse filme. Além das blusinhas rosa, ela se preocupa com o cabelo e coisa e talz. Ah, e ela rouba a fala mais legal do Ron: “Se você quiser matar o Harry, terá que nos matar primeiro”.

    Depois disso, nunca serei capaz de perdoar o Kloves.

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