Gordices

Tem coisas boas e coisas ruins de voltar ao Brasil. Pra mim, mais coisas boas que ruins, mas tem uma reação particular das pessoas com problemas de filtros sociais é que eles me encontram, falam um “oooooi!” bem alto, me abraçam, pra logo em seguida dizer: “Como você engordou!”

A frase é um tapa na cara, mas as pessoas estão certas. Eu ganhei um total de dez quilos desde que me mudei pra Belo Horizonte, mas a verdade é que a maior parte dele foi adquirido depois de 2009. Enquanto eu estava no exterior, a sensação que eu tinha era de que eu pesei muito mais, só que creio que isso seja psicológico.

É como eu digo: sou normal. Minha aparência é perfeitamente normal, tem dias que estou bonita e dias que estou feia. A minha percepção de peso também é flutuante, mas, em geral, tenho peso médio.

Hoje eu estava lendo uma matéria no blog da Lola – sempre o blog da Lola… – sobre uma modelo plus size brasileira. Impressionante como ela é bonita! E sabe o que é mais chato? É que, não só pra mim, mas pra muita gente, ver uma mulher gorda retratada numa campanha de publicidade como um símbolo sexual é uma grande novidade. Vê-la representada como alguém desejável.

Eu ganhei bastante peso, sim; como bastante, em quantidades homéricas, faço pouco exercício, só o suficiente pra, sei lá, não morrer antes dos trinta. Por outro lado, tem horas que eu me olho no espelho e penso sinceramente que eu nunca estive tão bonita.

É sério!

É claro que eu precisei mudar a forma de usar algumas saias, e o cinto pra afinar a blusa é embaixo dos peitos e não na linha da cintura, mas eu estou sinceramente confortável. Não faço mais a bobagem que eu fazia em Londres de não sair do meu quarto sem cobrir os braços; na verdade eu não tenho medo de usar vestidos acima do joelho, nem de alça, porque o alvo primeiro na hora de me vestir é ficar confortável. Se der pra ficar bonitinha também, doido, mas não é uma prioridade no dia a dia.

Só um comentário mesmo. Por hoje, é isso.

E sim, eu sei que estou escrevendo pouco. Viver faz isso com a gente.

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3 opiniões sobre “Gordices

  1. Ow, a gente vive numa paranóia de gordice. É horrível. Mas eu também acho que você tá super bem. Tá mais viva, mais viçosa, como diria minha mãe.

    Mas enfim, o problema é que se você não pesa menos de 40 quilos, as pessoas acham que você tá gorda. É impressionante. E é muito cruel. Outro dia uma aluna chegou pra mim dizendo que eu tava gorda e talz e eu lembro que fiquei meio chateada… Mas aí depois eu falei WTF eu NÃO estou gorda!

    Paranóia desse povo.

  2. Amanda, as pessoas vivem me falando que eu tô gorda..
    me dá preguiça…acho que cada um tem que cuidar da sua vida, né?

    eu quero te ver semana que vem pra falar: nossa, como vc tá linda

    ;D

    saudades

    Belzinha

  3. Acho que se uma aluna ver pra mim falar que eu tô gorda eu vou ser demitida por justa causa, porque não vou aguentar fica sem falar “E VOCÊ QUE TÁ BURRA?”. Meu nome é Lara, eu sou gorda e tenho 11 anos.

    (Mas, independente de peso, acho que a parada é essa mesmo. Tentar não colocar a beleza em primeiro plano e adquirir a – maravihosa, imagino eu – habilidade de ficar de boa com você mesma.)

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