Filme: Swedish Auto

Antes de falar do filme em si, gostaria só de dar uma dica: caso vocês ainda não conheçam o Netflix, bem, vocês deviam conhecer. Basicamente, você paga quinze reais por mês, debitados na maior simplicidade do seu cartão de crédito, sem documento nenhum, e tem acesso a todo o tipo de filme e série, até documentários, pra assistir online, todos devidamente dublados e/ou legendados. Ele te mostra na página inicial sugestões de filmes conforme você marca suas preferências de gênero e tal. O carregamento é super rápido. A única desvantagem é que ele não tem material muito novo. Algumas séries não tem as temporadas mais recentes, é só. Mas o acervo é grande o suficiente pra te manter entretido até eles conseguirem o material mais novo, sem dúvida.

Bom, vamos ao filme!

Swedish auto se passa principalmente no espaço da oficina mecânica, que leva o nome do filme, onde trabalha um rapaz que, pra resumir bem, é um stalker. Ele é muito solitário, mora sozinho e seus passatempos principais são observar a rotina de uma violinista. Ele almoça todos os dias no mesmo lugar com o dono da oficina e o palhaço do filho dele. Carter assusta no começo.

Mas o motivo principal que eu dou pra vocês verem o filme é a excelente reviravolta que ele dá ainda no começo. Outros temas inesperados são incluídos na trama, os personagens são aprofundados e você se percebe entrando em desespero com as situações, sentindo emoções muito fortes. É um filme de muita empatia, pelo menos pra mim.

A trilha sonora é excelente. Tão boa quanto ela, só os silêncios. Quando os personagens estão em silêncio e a cabeça da gente ferve com tudo que eles devem estar pensando naquele momento. É muito intenso. Ao ler o resumo, fica só parecendo um elogio ao stalkerismo, numa onda meio série tosca de “vampiros”, mas o filme é sem dúvida, um tapa na cara das suas expectativas.

Recomendo.

PS. – Aline, eu sei que você quer a morte do negrito, mas eu não resisti.

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Comentário: Grey’s Anatomy

Grey’s Anatomy, vou resumir aqui, é uma história ruim.

Sendo assim, por que ela é tão viciante?

A minha hipótese, que vou tentar elaborar um pouco aqui, é de que ela se vale de um elemento fácil de conseguir identificação pra que a gente se transfira pros personagens. Feito isso, os responsáveis pelos roteiros colocam os personagens em todo tipo possível de carrossel de emoções, e nós nos deixamos ir, por causa daquele sentimento nostálgico de quando você começou a ver a primeira temporada.

Pra quem não sabe, Grey’s Anatomy é uma série médica, com um subtema que eu gosto de chamar de “putaria”. O nome tem a ver com a personagem principal, Meredith Grey, que termina o curso de medicina e vai fazer internato em um hospital de Seattle, onde sua mãe, também cirurgiã, trabalhou. Como essa mãe é uma lenda, os desafios iniciais se resumem a não fazer merda e não desgraçar o nome da mãe. O problema é que ela não é muito carismática. Ela é meio seca, e dura, e os primeiros episódios são meio desagradáveis porque nós observamos enquanto cada personagem que possui um pênis quer ela loucamente. Entretanto, desde o primeiro episódio ela tem um romance tórrido com um dos médicos atendentes, um neurocirurgião.  Ou seja, na primeira temporada já vemos pessoas se pegando em todo lugar do hospital.

Então você me pergunta, onde está aquele elemento de empatia? No fato de Meredith e outros quatro personagens estarem começando a carreira na medicina. Os outros personagens, a início todos muito mais interessantes do que ela, são George, Cristina, Izzie e Alex. Quando alguém se forma na medicina, é claro que as pessoas não são simplesmente jogadas numa sala de operação pra cortar gente, então eles tem três anos de internato antes de poderem chegar perto dos pacientes. Esse começo, o medo de falhar, e a alegria que a gente compartilha com os personagens, especialmente com o George, quando eles fazem algo certo, é realmente sensacional. No meio tempo, o romance vai ficando bagunçado. Na segunda temporada, quando aparece uma das minhas personagens favoritas, Addison Montgomery, você começa a se perguntar se não está na hora de parar de ver aquela pegação disfarçada de série médica. Mas aí aparece Denny Duquete, que cria toda a tensão da segunda temporada. Antes que você perceba, aqueles internos estão fazendo coisas muito loucas e eticamente questionáveis. Os cliffhangers às vezes são óbvios, mas mesmo assim você se percebe correndo pra baixar o próximo episódio.

Christina e Meredith

No começo da terceira você ainda está sem fôlego por causa do final da segunda. É quando o foco muda mais pra questão Cristina e Burke… Estou tentando não dar spoilers, mas comece a ver como a história começa a deixar de ser sobre a carreira médica deles, e sobre as estripulias de uma galerinha da pesada num hospital pra lá de maluco. O problema é que a essa altura do campeonato, já é difícil não querer saber se a Meredith e o Derek vão ficar juntos, se a Cristina vai se casar ou não, depois você fica torcendo pelo casório… Nessa série, você acaba interessado nos personagens, e acaba que o enredo é ruim, mas mesmo assim você assiste. É que o personagem te prendeu. A história é péssima, mas aquele personagem te tem nas mãos. No caso de Grey’s Anatomy, vários personagens te tem nas mãos. Eu particularmente sempre fui entusiasta da Bailey, da Addison e da Cristina. Quando mexiam com elas eram os momentos de maior vício. Você continua se perguntando por quê, afinal, a série leva o nome da Meredith…

A terceira temporada termina, com oh-meu-deus-drama-drama-drama. E a quarta, mais curta, tenta repuxar a simpatia original, porque aqueles médicos agora são residentes! Mandam em novos internos, sobem na cadeira alimentar, e começam a pôr a mão na massa. Além disso, agora os personagens já tem muita bagagem emocional, o que significa que o expectador tem uma idéia muito mais clara de como eles vão reagir a determinadas situações, o que transfere pra gente uma nítida sensação de que aquele personagem realmente existe, está ali no nosso dia a dia. Não num nível Goku de ser, eles não precisam que você erga as mãos para o céu nem nada, mas vocês entendem o que eu quero dizer.

Depois da quarta temporada as coisas melhoram. O enredo não fica mais criativo, mas os personagens já atingiram um nível bem avançado de profundidade… Alguns deles. Por isso o drama fica mais intenso, o que com certeza era a idéia inicial, mas o melhor de tudo é que eles podem ser vistos crescendo como seres humanos. Entre a quinta e a oitava temporada, temos casamentos (eu consigo pensar em uns 4…), filhos, perda de filhos, gente morando junto…

Sem dúvida a melhor season finale é a da sexta pra sétima, porque simplesmente você não enxerga uma forma daquelas coisas darem certo. A tensão é grande e eu gosto das atuações, especialmente da atriz da Meredith. Inclusive, a essa altura você gosta dela. Porque ela já cometeu muitos erros, e ela se torna mais humana, mas mesmo assim continua competente, e o número de homens interessados nela acaba caindo de  36458369456834 pra um. O contraste com o subtema “putaria” das primeiras temporadas se consolida como “relacionamentos”. Ou seja, gente tentando viver junto, lidando com família e trabalho, tendo filhos, tendo problemas sérios, e ocasionalmente sendo super heróis com os pacientes.

Só pra concluir esse comentário, eu sempre escolho um personagem favorito e pra mim é Miranda Bailey, sem dúvida. Ela começa como uma residente, chefe dos internos que estrelam a série. Durona, super competente, se faz ouvir, mas mais importante, não se mete em rolos sexuais pelo hospital. Ela é focada no trabalho, mas luta o tempo todo pra manter a sua família. E putz, ela é engraçadíssima.

Desculpa, mas só mais uma coisinha: o que foi aquele episódio HORROROSO, que parece que saiu do Glee, na sétima temporada, com todos os personagens cantando? A vergonha alheia foi tão grande que eu precisei pular, e olha que naquele episódio a Addison vinha de Los Angeles.

Vou deixar vocês com essa entrevista da Sandra Oh, que faz a Cristina:

E da Bailey:

Ars Bloguetica

Esse mês o ThePavania completa dois anos de existência. É meio patético que eu esteja contando, mas achei que o primeiro post de 2012 deveria ser sobre como esse é o terceiro janeiro em que posto aqui.

Claro, se você tiver a infelicidade de olhar os registros anteriores, aviso já que não pertencem originalmente a esse endereço: eu tive pena de perder os posts em um blog vergonhoso da adolescência – porque, afinal, todos os blogs da adolescência são vergonhosos.

A coisa mais importante que eu aprendi mantendo o ThePavania foi que eu não quero, decididamente, ter muitas visitas, nem ter popularidade online. A princípio, eu sei que isso parece paradoxal, mas é porque a gente acaba pensando que se alguém publica alguma coisa na internet, é porque ela deve ser lida. Bom, eu não nego que eu quero que os textos sejam lidos, mas acho que visibilidade mataria todo o propósito.

Até porque, para abarcar uma grande população de leitores, eu teria que ter pelo menos alguma constância na escolha dos meus temas. Isso foi um problema quando eu comecei e não sabia bem o que estava fazendo. Deveria escrever só sobre feminismo, ou só sobre literatura, ou só sobre fantasia, ou só sobre política, ou só sobre viagens… E acabou tudo virando uma miscelânea.

Quando você tem muitas visualizações, você adquire uma responsabilidade com relação aos seus leitores. Os interesses deles devem ser considerados. Você tem uma platéia. Isso não é ruim, porque é poder pra comunicar muitas coisas importantes, mas uma abordagem dessa significaria diminuir o conteúdo pessoal do meu blog. E sempre que eu penso sobre o que colocar aqui e tenho dúvidas por ser sobre mim mesma, acabo lembrando do dia em que eu postei a história da Lara. A velha história do “o blog é meu e eu escrevo o que quiser”, pra minha alegria, se aplica a mim, mas não a pessoas como, sei lá, a Lola. Aqui eu puxo um Homem Aranha e lembro vocês de que com grande poder vem grandes responsabilidades. Aqui, estou escrevendo pra amigos e pra poucos conhecidos. Se eu quiser colocar um fluxo de consciência xingando todos os homens que já deram mancada comigo, ninguém liga, sou só mais uma voz falando quase sozinha na internet. Mas quando se tem visibilidade, há consequências. As pessoas formam opinião a partir do seu surto de reclamação de homens. E acho que prefiro o sossego daqui do jeito que está.

Houve um começo em que eu me sentia tentada a postar sobre discussões da internet. Coisas que davam ibope, como postar alguns motivos pelos quais Justin Bieber é um péssimo cantor ou pelos quais a série crepúsculo envergonha todo um gênero literário, sem falar de vários arquétipos. Aprendi a tentar sempre ter uma das duas abordagens: ou falar por crer que eu realmente tinha algo a acrescentar, ou porque eu precisava mais era discutir o assunto comigo mesma pra consolidar a minha própria opinião.

Isso tem muito a ver com um hábito passado de escrever em diários. Escrevi dos 9 aos 19 anos, tudo com uma riqueza humilhante de detalhes. Ainda que eu tenha parado, sempre precisei de algumas outras formas mais brandas de gravar a minha existência, o que no meu subconsciente deve ser uma tentativa patética de me imortalizar. Mas sem análise hoje: isso tudo foi só pra dizer que eu acho que escrevo bastante em blogs porque sou ligeiramente viciada em escrever em primeira pessoa.

Um último motivo é que eu não quero parar de escrever completamente. Quando leio uns textos de uns 4, 5 anos atrás percebo que eu escrevia muito bem, e seria muito triste só deixar de escrever.

Muitas reflexões pra esse começo de ano. Evitem os traumas, as más lembranças, tomem gin tônica e sejam felizes que ano bissexto é mais legal.