Ars Bloguetica

Esse mês o ThePavania completa dois anos de existência. É meio patético que eu esteja contando, mas achei que o primeiro post de 2012 deveria ser sobre como esse é o terceiro janeiro em que posto aqui.

Claro, se você tiver a infelicidade de olhar os registros anteriores, aviso já que não pertencem originalmente a esse endereço: eu tive pena de perder os posts em um blog vergonhoso da adolescência – porque, afinal, todos os blogs da adolescência são vergonhosos.

A coisa mais importante que eu aprendi mantendo o ThePavania foi que eu não quero, decididamente, ter muitas visitas, nem ter popularidade online. A princípio, eu sei que isso parece paradoxal, mas é porque a gente acaba pensando que se alguém publica alguma coisa na internet, é porque ela deve ser lida. Bom, eu não nego que eu quero que os textos sejam lidos, mas acho que visibilidade mataria todo o propósito.

Até porque, para abarcar uma grande população de leitores, eu teria que ter pelo menos alguma constância na escolha dos meus temas. Isso foi um problema quando eu comecei e não sabia bem o que estava fazendo. Deveria escrever só sobre feminismo, ou só sobre literatura, ou só sobre fantasia, ou só sobre política, ou só sobre viagens… E acabou tudo virando uma miscelânea.

Quando você tem muitas visualizações, você adquire uma responsabilidade com relação aos seus leitores. Os interesses deles devem ser considerados. Você tem uma platéia. Isso não é ruim, porque é poder pra comunicar muitas coisas importantes, mas uma abordagem dessa significaria diminuir o conteúdo pessoal do meu blog. E sempre que eu penso sobre o que colocar aqui e tenho dúvidas por ser sobre mim mesma, acabo lembrando do dia em que eu postei a história da Lara. A velha história do “o blog é meu e eu escrevo o que quiser”, pra minha alegria, se aplica a mim, mas não a pessoas como, sei lá, a Lola. Aqui eu puxo um Homem Aranha e lembro vocês de que com grande poder vem grandes responsabilidades. Aqui, estou escrevendo pra amigos e pra poucos conhecidos. Se eu quiser colocar um fluxo de consciência xingando todos os homens que já deram mancada comigo, ninguém liga, sou só mais uma voz falando quase sozinha na internet. Mas quando se tem visibilidade, há consequências. As pessoas formam opinião a partir do seu surto de reclamação de homens. E acho que prefiro o sossego daqui do jeito que está.

Houve um começo em que eu me sentia tentada a postar sobre discussões da internet. Coisas que davam ibope, como postar alguns motivos pelos quais Justin Bieber é um péssimo cantor ou pelos quais a série crepúsculo envergonha todo um gênero literário, sem falar de vários arquétipos. Aprendi a tentar sempre ter uma das duas abordagens: ou falar por crer que eu realmente tinha algo a acrescentar, ou porque eu precisava mais era discutir o assunto comigo mesma pra consolidar a minha própria opinião.

Isso tem muito a ver com um hábito passado de escrever em diários. Escrevi dos 9 aos 19 anos, tudo com uma riqueza humilhante de detalhes. Ainda que eu tenha parado, sempre precisei de algumas outras formas mais brandas de gravar a minha existência, o que no meu subconsciente deve ser uma tentativa patética de me imortalizar. Mas sem análise hoje: isso tudo foi só pra dizer que eu acho que escrevo bastante em blogs porque sou ligeiramente viciada em escrever em primeira pessoa.

Um último motivo é que eu não quero parar de escrever completamente. Quando leio uns textos de uns 4, 5 anos atrás percebo que eu escrevia muito bem, e seria muito triste só deixar de escrever.

Muitas reflexões pra esse começo de ano. Evitem os traumas, as más lembranças, tomem gin tônica e sejam felizes que ano bissexto é mais legal.

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3 opiniões sobre “Ars Bloguetica

  1. hahahahahaha

    Eu descobri que escrevo em blogs porque preciso me livrar das minhas obcessões. É tipo um exorcismo.

    Mas eu gosto do seu blog como é. Acho que ele é autêntico.

  2. Amanda, tentei colocar um coment e não sei o que aconteceu que ele com duas palavras apenas. rsrs Apaga, pls.

    Enfim, eu acho que vc tem todo esse espaço e pode sim postar o que vier à sua cabeça. É legal que as pessoas leiam o que a gente escreve e que também opine, comente, sorria (ou chore, sabe-se lá a intenção o.o’), mas pra escrever o que vc sente ñ precisa necessariamente de platéia.
    Então, continua com o seu blog do jeito que está. Eu sempre gostei dele, embora não apareça tanto nos comentários. rsrs Como disse a Mel, seu blog é autêntico e estamos carentes de blogs assim. (acredite, estamos)

    Bjos bjos

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