7 Opiniões pra perder os amigos

Já faz um mês que eu estou aqui em Londres – coisa demais pra mencionar no meu blog, coisa demais pra comentar no vlog – por isso quero pedir desculpas a quem espera que meu blog passe a ser um diário de viagem – quem relata muito vive menos. Ou seja, vou continuar opinando sobre coisas que eu vejo por aí, que é a idéia dele desde janeiro, quando começou.

Às vezes eu vejo alguém que discorda de mim. Tá que não é às vezes, é bastante, mas é normal alguém discordar de você quando você diz que Heinecken é a melhor cerveja Lager. Mas tem opiniões – eu não sei vocês, mas eu tenho isso – que eu considero no alto da minha arrogância pseudo racional como verdades absolutas que ninguém devia discordar. Algumas delas tão aí nessa polêmica do segundo turno das eleições.

(mais de uma vez eu disse a mim mesma: vou postar sobre as eleições! Vou falar sobre como me interesso pela Marina mas tenho ressalvas, sobre como Serra nem fudendo, sobre como… ah! Aí percebi que um post sobre as eleições seria chover no molhado igual explicar por A + B porque Crepúsculo será provavelmente a pior série de todos os tempos, desnecessário)

Pois muito bem. Pensei comigo mesma: nessa valsa repetitiva de Dilma e Serra se esquivando de tantas questões na esperança de ter o apoio do público da Marina, vou eu deixar claro o que eu apóio e foda-se. Eis os tópicos:

1. Casamento gay. De verdade, gente? A essa altura da humanidade cês ainda querem meter o bedelho na vida de quem só quer casar e ficar de boa? O que você tem a ver com isso, cidadão?

2.Aborto. Sou a favor da legalização do aborto sem restrições. Esses dias li uns argumentos muito doidões contra o aborto e fui tomada da acima mencionada arrogância de quem talvez tenha certeza demais que está certo. Não aceito feto como um ser vivo, do mesmo jeito que um vírus não é aceito como ser vivo na Biologia porque não vive sozinho, somente dentro e dependente de outro organismo. Quem tá viva nessa história é a mulher. E de novo: sério, gente? Ainda é tão difícil assim lembrar que mulher existe e é gente? Pleno 2010?

3. Votar em tucano. Me explica de verdade porque alguém que não é das classes A e B vota no Serra? Eles estão tão claramente interessados em defender somente os mais ricos à custa de promover uma população alienada sob um ensino de merda cheio de maquiagem que só não dá pra entender. Não sei sinceramente porque o Serra ameaça a candidatura da Dilma.

4. Beber Skol. Quando alguém me diz que a cerveja favorita é skol, a pessoa cai no meu conceito quase que instantaneamente. Em alguns poucos eu vejo um pouco de potencial, respiro fundo e falo: poxa, mas pelo mesmo preço cê podia beber cerveja de verdade… Tem Brahma, Itaipava por aí…

5.Legalização de drogas. Por mim todo mundo ingere o que quiser. Não é como se já não o fizessem, só é mais difícil. É bom que legalizando as drogas, vai rolar um darwinismo generalizado: quem for burro o suficiente pra usar de forma indiscriminada já morre e fica menos gente burra no mundo, pronto falei. No fim as coisas se equilibram.

6.Comunismo. Gente, vai dormir, já deu a hora de vocês, de verdade. Resumindo: aham, cláudia, senta lá.

7.Divisão em partidos de forma geral. Outro dia me disseram que ser contra a organização da “democracia” em partidos me fazia anarquista e achei graça. Acho horrível ter que ser filiado a um partido pra se candidatar a um cargo, acho que só leva ao que levou: esvaziamento da noção de unidade ideológica em detrimento de alianças temporárias que se provem mais interessantes.

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São oito da manhã e

eu acordei a toa.

Duplamente a toa.

Faz uma semana que voltei pra Belo Horizonte. Passei esse tempo juntando documentos pra tirar meu visto de estudante, ficando puta com a internet de casa, reencontrando amigos que perguntam compulsivamente que dia eu vou embora (18 de setembro, DEZOITO DE SETEMBRO), e, muito mais curiosamente, frequentando as aulas da FALE.

Diariamente meus amigos me xingam porque eu poderia estar dormindo; ao invés disso, estou indo numa aula de Italiano III que não vai me render crédito nenhum e que provavelmente terei que refazer quando voltar. Hoje, pra minha felicidade, acordei seis e quinze ouvindo No Fundo do Baú – tocou Prince “beautiful giiiirrrrllll stay with meeeeee” – e cá cheguei, tomei café… Pra depois lembrar que hoje não tinha primeiro horário.

OK, porque eu venho pra cá at all? Além do fato já amplamente conhecido – minha paixão imortal pela FALE, haahha – eu descobri que realmente tenho um prazer em estar numa sala de aula. É um tipo de prazer engraçado e difícil de definir, já que uma vez dentro da sala eu fico olhando no relógio. Acho que pra mim ir à aula é parecido com se apaixonar por homens – ruim, mas sem é pior…

Nos meus tempos de fã mais desesperada de Harry Potter, eu concluí que entre as casas de Hogwarts, eu pertencia à Corvinal, que tinha os alunos com gosto por aprendizado. E agora que estou acordando cedo pra assistir essas aulas… Não é que eu realmente gosto de aprender? O meu filtro de aprendizado é meio amplo, eu gosto de saber tudo, mas principalmente gosto de aprender coisas nas quais posso prosseguir depois por minha conta, como idiomas, como literatura, até informática e afins dá pra aprender bastante sozinho ou conversando com amigos. Por outro lado, coisas de fora da minha área que exigem disciplina e um formato fechado de aulas tendem a ser abandonadas.

Sempre tive um problema sério com aulas de inglês, apesar do meu último emprego ter sido justamente como professora de inglês. O formato fechado me dava nos nervos, especialmente porque eu fazia no CCAA – nada me apavorava mais do que o “now you”, ou os “drills”. Porém, com idiomas você pode ser feliz fuçando filmes na internet, músicas, etc, etc… Não é o mesmo que rola com matemática, por exemplo, que exige uma prática mais disciplinada e metódica. Não tô dizendo que é por isso que eu não sou boa nisso – I SUCK – mas são modos diferentes de aprender, né.

Enfim, já abstraí o suficiente pra poder descer lá no xerox e pegar meus documentos pro visto de estudante. ahhah.

Sobre brigas e mortes

Hoje eu escutei um vizinho brigando com a mulher dele do outro lado da rua. Não era a primeira vez; meus pais já me disseram que eles seguem aquela velha sequência do casal que deveria se divorciar, mas não se divorcia: faz barraco público, grita, chama parente, um dos dois sai de casa, depois volta, eles fazem as pazes e o ciclo recomeça. Ainda assim, não me dei por satisfeita e fiquei igual uma comadre meio escondida na minha janela, tentando entender o que estava acontecendo e tentando ver se ele ia bater nela – porque aí, afinal, é caso de polícia.

Depois entrei na internet e me diverti muito com um barraco virtual: o vlogger Felipe Neto postou um vídeo chamado Fiukar, no qual ele falava sobre os fãs exagerados dessa nova onda adolescente colorida que eu não entendo. Até aí tudo bem, seguiu a linha de outros vídeos muito engraçados dele e tal. Só que a grande surpresa foi que o próprio Fiuk respondeu no twitter, e os dois se puseram a discutir! Hahaha. Eu ia do twitter do pseudo-ator pseudo-músico filho do Fábio Jr até a minha timeline (eu sigo o Felipe Neto, ele é divertido) e ria das respostas estereotípicas do estrelinha da Globo. Ri das fãs, ri da briga, fiquei querendo que tivesse mais.

Durante as últimas semanas, qualquer coisa na TV que não seja CQC e A Liga tem sido insuportável por causa dos detalhes exagerados em casos de namoradas/amantes assassinadas. Tá perigoso ser mulher, seja em SP, RJ, ou mesmo BH, que agora está no jornal o dia inteiro. O jornal do almoço da Record, que antes tava uma geral pelas diferentes desgraças ao redor do país, agora foca em duas desgraças: um dia é o goleiro Bruno, outro dia é a tal da Mércia. A discussão está num nível de detalhes absurdo, em todos os jornais, em todas as conversas (devo confessar que a única coisa boa que veio dessa onda do goleiro do Flamengo são as piadas de humor negro, lógico).

homo coloridusNum dos meus rompantes de ódio ao mainstream, enquanto eu exclamava que não aguentava mais esse sensacionalismo dos crimes com requintes de crueldade e investigações elaboradas, percebi que a minha diversão em ver o Fiuk sendo ridículo ao reagir ao Felipe Neto e minha curiosidade diante da briga conjugal dos vizinhos tinham um ponto essencial em comum.

O que nos faz tão interessados nos conflitos alheios? Especialmente, porque cultivar lados, porque ficar observando se um criminoso imbecil vai ser preso ou não? É claro que, como no caso Nardoni e no da Susana von Richtoffen (spelling?) fica bem claro entender que a mídia sensacionalista se diverte mais com crimes familiares envolvendo brancos de classe alta, que não tinham “nenhum motivo” pra entrar no crime e que deixaram apenas um número médio de pistas que vão sendo desvendadas diariamente e distribuídas entre todos os telejornais de todos os canais.

Esse post é basicamente sobre o que nos faz acompanhar detalhes desagradáveis da vida alheia, mas tenho também outros questionamentos. Essa galera que adora ver famílias sofrendo com entes mortos na tv poderia perfeitamente se satisfazer assistindo Law and Order se o caso fosse uma ânsia por justiça, ou por processos criminais cheios de detalhes. Entretando, as pessoas querem o real, o de verdade, o close da câmera na lágrima da mãe, seguido de comentários feitos por “jornalistas” de café da tarde falando sobre como o mundo não tem mais solução, numa conversa sem fim que nunca progride. Isso me leva a pensar que esse prazer não é só catártico, porque desde tempos imemoriais a ficção supriu muito bem a galera do pão e circo. Agora existe um apelo para a realidade. Por quê? Será que alguma parte do pacto da ficção foi quebrada e as pessoas não acreditam mais na possibilidade daquilo trazer algo de real? Será que as pessoas precisam ver as merdas acontecendo em tempo real com pessoas mais ricas e mais importantes para se sentirem melhor com as suas próprias merdas? Pra pensarem que com o dinheiro e a fama vem muita merda e o melhor é continuar pegando cinco conduções pra trabalhar e deixar por isso mesmo?

Esse questionamento sobre histórias reais versus histórias fictícias me leva a lembrar do comentário que o Francis Leech acabou de inserir no seu canal, a respeito da briga Fiuk-Felipe Neto. Talvez os vloggers estejam emergindo pela sua característica de poderem falar o que der na telha, enquanto se limitarem à liberdade de expressão. Talvez a ascenção dos vloggers indique uma mudança nos gostos e uma alternativa às Sandys malditas da TV, sempre dizendo a coisa certa em momentos de crise. Se esses artistas robóticos já estão se sentindo incomodados com esse tipo de expressão, como disse o Francis, talvez isso seja um bom sinal.

Mas ainda não consigo pensar numa resposta adequada: qual é o motivo real da nossa necessidade de se alimentar de conflitos que não nos dizem respeito? O que faz com que a gente se importe? Que tipo de sensação única as pessoas tiram de acompanhar processos sangrentos de assassinato, como esses da TV?

Belo Horizonte

Quando eu passei no vestibular, as pessoas me perguntavam qual opção eu ia escolher e tal. Só que quando eu dizia: vou fazer Letras na UFMG em BH, elas corriam pro carro/rádio/computador e tocavam aquela música tensa duma dupla sertaneja que canta algo como “é aqui que eu mooooooro/é aqui que eu quero ficar/pois não hááááá lugar melhor que BH”.

Ninguém na minha cidade natal entendeu a minha escolha direito até hoje… Mas a questão hoje não é a escolha, e sim o lugar.

Quando eu vim pra cá, nas duas etapas do vestibular da UFMG, teve algo nessa cidade que me capturou, alguma coisa que me identificou de uma maneira muito forte. Como eu só morei aqui e na minha cidade, eu nunca saberia dizer se todas as pessoas sentem isso quando resolvem mudar. No meu processo de vestibular, eu estava considerando morar em algumas cidades bem diferentes entre si: São Paulo (óbvio), Belo Horizonte, Londrina ou Franca (Uberlândia foi considerada também, mas eu acabei descartando). Eu sabia que a escolha da cidade era crucial. Não sabia o quanto, obviamente, tendo mrado a vida toda em uma cidade com cerca de 30 mil habitantes.

Cheguei em BH depois da viagem de ônibus até então mais longa da minha vida. Enquanto passava com a Melissa e o pai dela pela cidade, e especialmente quando ele deu uma voltinha de cortesia no campus e eu vi a FALE pela primeira vez, bateu uma coisa, sabe? Tá, é brega. Mas imediatamente eu gostei da cidade. Minha mãe odiava tudo, hahaha, ela não se dá bem com cidades grandes. Mas quanto mais eu conhecia, mais eu gostava. E minha amiga e o pai dela foram ótimos guias, contando episódios da história belorizontina, me levando pra tomar sorvete e tudo.

Faz três anos que eu moro aqui. Sempre que alguém descobre de onde eu sou, ou melhor, do quão LONGE eu morava, todos perguntam o motivo de eu não ter simplesmente feito Letras na USP mesmo.

Parte da minha formação de personalidade durante a adolescência, eu sempre enxerguei um desespero por eficiência e, mais bizarramente, excelência, no modo paulista de ser. Quando eu ouvia falar da Letras, e quando examinava o currículo, amava tudo. Lembro de dizer pros meus pais que ia me formar em todos os idiomas que a FALE oferecia (até agora só melhorei meu inglês, comecei italiano, latim e japonês, esquecendo completamente os dois últimos).

Nesse ponto, você diz: ah, a coisa não foi só Belo Horizonte, foi a cidade e a universidade. Ué, caboclo, claro que foi, eu tinha dezoito anos e estava avaliando meus prospectos! Sabe… todas as outras cidades no meu horizonte de possibilidades eram escolhas comumente tomadas por pessoas que tinham crescido comigo. Estudar no Paraná tinha os atrativos de ser uma cidade limpa e eficiente, com o plus de que eu tinha passado muito bem lá e o vestibular era fácil. São Paulo é São Paulo, né?

Depois que eu criei a coragem e vim pra cidade mais longe de todas, o processo de identificação só melhorou. Estava eu no 1207, seis e meia da manhã, semi acordada, mas todas as manhãs eu tentava me espremer e ficar do lado direito do ônibus pra ver a Lagoa da Pampulha. Prosseguindo numa cadeia de coisas bregas, aquela visão simbolizava alguma coisa que eu não conseguia expressar direito.

Desde que eu me mudei pra moradia da UFMG e tudo o mais, eu tive menos perrengues, mas fiz amigos – sim, pessoas de Palmeiras, eu tenho amigos aqui! Eu sei, vocês acharam que eu nunca teria amigos, né? -, construí uma vida. Eu me sinto bem recebida aqui, não sei explicar por quê. Acho que eu misteriosamente tenho uma personalidade mineira, mesmo sendo paulista e com toda a minha família imediata sendo paulista ou paulistana (TODO mundo tem um parente em São Paulo). Coisa de turista.

Mas é sério: eu acho simplesmente o máximo passar pela Lagoa, pela Praça da Liberdade, pela Praça Sete, pelo Mineirinho. Tenho muito orgulho de ter escolhido vir pra cá, acho que tive a melhor das idéias. Sinto que eu consegui virar gente, livre dos olhares dos paulistas, que enchem tanto o saco da gente o tempo todo!

Essa semana me peguei zuando um paulistano e imitando o sotaque. Nessas ocasiões, sempre tem um amigo pra me lembrar que eu meio que sou um deles. É engraçado, mas eu não me sinto paulista. Gosto dos mil bares, e me sinto em casa nessa cidade. Gosto, especialmente – vocês vão me achar doida – de andar de ônibus. Quando preciso pegar o 2004 só acho ruim de subir o morro mesmo, porque adoro passar pelo bairro, pela Antônio Carlos, pela João Pinheiro e tal. Gosto de ver a cidade pela janela, os mineiros andando na Afonso Pena. Lembro de quando tudo isso não passava de flashes da tv, e fico me sentindo dentro da tv de um jeito engraçado. Fico me sentindo num lugar onde as coisas acontecem, onde eu posso simplesmente me levantar, pegar um ônibus e sair, pedir um hamburguer, praticamente qualquer coisa. Eu gosto de ter espaço pra existir de qualquer jeito. Belo Horizonte é perfeita pra mim nesse aspecto, eu me sinto livre.

Comentário: O Fantasma da Ópera (DVD)

É claro que eu já vi esse DVD várias vezes. Sempre gostei muito, desde a adolescência. O apelo que a história desse musical tem para adolescentes é bem claro: um cara esquisito e sozinho se apaixona por uma moça n, capaz de se tornar uma diva da ópera? Bom, se eu não me engano tem uma galera “gótica” da onda Radiohead/Creep que carregou esse estigma até bem depois de quando seria aconselhável.

Aliás, eu queria avisar que tudo que eu vou falar a respeito da história de dos personagens está baseado no novo DVD – eu não vi nada da versão com a Sarah Brightman além de algumas cenas, assustadoras o suficiente pra eu saber que não queria ver mais.

De todas as vezes que eu vi, só hoje eu enxerguei uma interpretação, que é tristemente meio feminista. Mas como eu achei bases na história pra ela, explico e aí vocês me dizem o que acham.

O Fantasma da Ópera é uma história sobre solidão, música e amor. Pelo menos são as três palavras que eu colocaria como mais importantes. A Christine cresce na escola de ballet da casa de ópera, meio que adotada pela professora das bailarinas, depois que seu pai morre com ela ainda muito jovem. Durante o amadurecimento dela, uma voz estranha fala com ela quando vai rezar pro pai. Essa voz se intitula o Anjo da Música, que ela acredita ter sido mandado por seu pai, e assim ele a ensina a cantar ao longo dos anos. Com a mudança de administração da casa de ópera, as exigências antes atendidas são negadas pelos novos donos; com eles entra em cena Raoul, um jovem (convenientemente) rico e muito bonito, que tinha sido namoradinho de infância de Christine, quando ela ainda morava com o pai. Enquanto eles se aproximam, o Fantasma se vê ameaçado e também entra em cena, exigindo que Christine tenha os melhores papéis.

A cena em que ele a leva pras masmorras onde mora, embaixo da casa de ópera, é uma das mais famosas de todos os tempos, sem mencionar o refrão (The phaaaaaamtom of the opera is theeeeere… Inside my miiiiiind…). É uma cena ricamente construída em cima de um homem querendo uma mulher, pura e simples. Só que a gente entende que o amor do Fantasma pela Christine se origina do talento dela, curiosamente. O que você entende é que a união dos dois seria o ideal para a música (Your spirit and my voice, a Christine canta enquanto é levada). Ele criaria, ela cantaria. Eles nem deveriam subir de volta ao mundo das outras pessoas; bastariam um ao outro, vivendo com a música. Mas, mais importante, o Fantasma teria uma companheira e uma igual – apesar de ela não ser um gênio criativo como ele, ele resolve vê-la como igual.

Por outro lado, quando volta ao “mundo real” e percebe as aproximações de Raoul, Christine começa a ficar confusa. Sua confusão aparentemente se resolve quando o Fantasma mata um homem e joga o enforcado em pleno palco durante uma apresentação – Raoul e Christine protagonizam outra cena clássica, “All I ask of you”. Na letra, em oposição à cena do encontro dela com o Fantasma, você vê que as duas situações se opõem como Raoul sendo luz e o Fantasma a escuridão, dia e noite, liberdade e prisão; o Fantasma está dentro da cabeça de Christine e é como se a perseguisse em todos os lugares. Raoul e Christine cantam ao mesmo tempo  “Anywhere you go, let me go,too. Love, that’s all I ask of you.”

Bom, segue-se a cena de profundo sofrimento do Fantasma, que acompanhava a cena escondido – putaquepariu, o que é chorar nessa hora? Aqui está a identificação do típico adolescente rejeitado, haha. Pelo menos comigo isso rolou, e meio que ainda rola sempre que vejo essa cena. Ele sofre, e depois ameaça vingança.

A partir daí as coisas ficam tensas, os eventos se desencadeiam de maneira que por mais que Christine fique noiva secretamente de Raoul, o Fantasma é sempre um tipo de tentação pra ela. Sempre que ele usa uma voz mais cuidadosa, ela se rende e quase volta. A parte em que isso mais chega perto de acontecer é na cena do cemitério, dueto da Christine com o Fantasma, Angel of Music, I denied you.

Pulando direto pro ápice do filme, quando o Fantasma dá o ultimato a Christine, exige que ela escolha entre ficar com o Fantasma pra sempre e liberar Raoul ou negar o Fantasma uma última vez, ao custo da morte de seu noivo. Depois de um suspense de praxe, ela se aproxima e beija o Fantasma, sem a máscara. Aparentemente, o beijo dela causa uma dor que ele não tinha esperado sentir – afinal, ele a amava e ela não o beijou pelo mesmo motivo – e resolve deixá-los ir. Na minha opinião, essa atitude já descarta as teorias de que o personagem é louco, como afirmam muitos ao longo do filme. Não acho que alguém desequilibrado tomasse uma atitude similar. [/opiniãopessoal]

Final feliz pro filme, com um arremate de tristeza porque todo o musical é perpassado por um flash forward do Raoul comprando a caixinha de música do Fantasma num leilão e levando ao túmulo da Christine. Ao contrário do que é normalmente feito, o futuro é mostrado em preto e branco, e não o passado, mas também como estratégia pra mostrar a tristeza do personagem em ser viúvo, talvez.

Bom, eu prometi uma visão feminista. Lá vai. Se você enxerga o Fantasma como um inspirador do talento artístico da Christine e o Raoul como o chamado para a vida normal de esposa (e Viscondessa, mas enfim), na verdade os dilemas da Christine não são entre apenas dois homens, mas dois estilos de vida. Aquele oferecido pelo fantasma não é nada tradicional, e assusta – daí o desconhecido do futuro com ele ganhando significação com a cor escura. E o oposto pro Raoul: a vida que qualquer moça ia querer, se não tivesse talvez a opção do talento.

Aí você diz, bom, mas o Raoul nunca deu a entender que a Christine não cantaria mais uma vez casada com ele. A minha evidência disso está num dos últimos quadros do filme, pertencente ao flash forward: Raoul coloca a caixinha de música do Fantasma sobre o túmulo dela, nós vemos uma foto envelhecida da Christine, e na lápide está escrito: “Vicomtesse de Chagny – Beloved wife and mother“. Também não tem nenhum sinal de amor dos fãs, ou de qualquer sinal de que ela foi uma cantora de ópera, ou mesmo uma bailarina. Isso indica que sim, depois daqueles eventos ela realmente não cantou mais. É possível, então, ver que O Fantasma da Ópera é também uma história entre uma mulher dividida entre o seu talento e uma vida tradicional, além de outras coisas. Se eu tivesse paciência, escreveria também sobre o Fantasma – mas não sobre o Raoul, ele é muito óbvio e chato! – , mas esse post já está grande demais.

Independente de quaisquer juízos de valor de gênero ou mimimis do gênero, essa é uma linda história e eu devo ainda rever muitas vezes! =]

Aventuras cibernéticas

Com mais de um ano de atraso, formatei o meu computador.

E sim, isso vale um post!

O coitadinho estava há mais de um ano pedindo um dia de spa, incluindo desintoxicação, emagrecimento, uma massagem de boa, sem vírus. Depois de muito drama,  consegui fazer o backup dos drivers e consegui o cd emprestado do meu Windows XP.

A quantidade de tutoriais que eu abri na internet não tem limite. Pesquisei sobre drivers, formatação, partição, tudo. Fui atrás de ver  como meu computador querido ficaria depois. Queria, uma vez na vida, ligar o Desgragmentador de Disco só pra ver aquela mensagem: “você não precisa desfragmentar este volume”.

Mas bem, vamos às dicas. Se você está na mesma situação na qual eu estava até hoje de manhã, tem alguns programas que podem te interessar.

DriverMax: se você é pirata feito eu, não tem o CD do seu computador e muito menos ouviu falar de instalar drivers, esse programa é uma mão na roda. Ele é leve de baixar, e magicamente prepara um backup de todos os seus drivers. Funciona assim: antes de formatar, você o instala, faz o backup num HD externo, pendrive ou CD e deixa lá junto com o pacote de instalação do programa que você baixou. Assim que você iniciar o computador pela primeira dez depois de formatar, instale o programa de novo; selecione a opção de reinstalar drivers a partir do backup e selecione a pasta onde você salvou tudo antes. Miraculosamente, seu computador fica pronto.

Opera: é um bom navegador pra quem ainda não confia no Google Chrome, que eu usava antes. Funciona no maravilhoso esquema de abas, não tem home page e sim o ranking das páginas mais acessadas, com a diferença de que é muito mais rápido e muito mais seguro. Até agora, não deu pau nenhuma vez, o que acontece com uma frequência filha da puta em usuários do Chrome.

É claro que mantenho recomendações lugar-comum, tipo Firefox – é bom ter dois navegadores, por isso uso Firefox e Opera (ESQUEÇA o IE), além dos antivírus.

Quando chega a hora de escolher um anti vírus, você tem algumas opções. Tem gente que gosta muito do Avira, mas sabe, ele já me deixou em grandes apuros por não detectar um vírus. Fui salva pelo Avast!, que é o meu escolhido até hoje, mas já usei também o  AVG e o Essentials. Descartei o AVG porque o mecanismo de atualização dele, apesar de frequente, é o mais irritante da face da Terra. Quanto ao essentials… Não tenho reclamações dele, mas o problema é que ainda não consegui validar meu Windows e a Microsoft não me deixa instalá-lo – e quem vier com a dica velha do regedit, THANK YOU, não tá funcionando. Aliás, aceito idéias alternativas pra validar meu windows – preguiça eterna.

Redes sociais

Por ser uma viciada em internet, seria de se esperar que eu fosse uma expert em relações online. E com tantas redes sociais, eu acho bastante difícil não pagar de chato em pelo menos uma delas.

No orkut eu mexo bem pouco. Coleciono comunidades engraçadinhas, deixo scraps pra amigos. Sou muito frustrada na minha vida orkútica porque eu nunca tenho depoimentos secretos. Todo mundo que abre orkut perto de mim tem. Afinal, por que todo mundo tem depoimento secreto menos eu? Qual a função do depoimento secreto? Quero dizer, mensagens offline do msn são muito mais interessantes. Essa eu realmente espero que alguém responda na caixa de comentários. E não é que as pessoas não me contem segredos! Mas existem meios melhores… Até hoje eu só achei uma serventia de depoimento secreto: chamar pra festas. No meu último aniversário deixei as direções da minha comemoração pra muita gente, mas esses você deleta logo depois da festa.

O Twitter pra mim sempre foi mais misterioso, porque eu nunca vi muito em que 140 caracteres melhoram a minha vida. Desde que eu resolvi virar stalker do Cadu Pelegrini, eu voltei pra aquilo, mas seus mecanismos ainda me são um mistério. É paia reclamar da vida? E ficar interagindo com pessoas – especialmente famosos – no Twitter, não é carência demais? Ou é mais pra dividir links mesmo, como eu faço com o blog e o videoblog da Belzinha? Eu geralmente intercalo reclamação com uma ou duas frases espertinhas em que consigo pensar, mas basicamente são meus links.

O Facebook pra mim tem um problema: as pessoas te mandam solicitações demais. Testes, farmville, horóscopo, grupo de filmes, etc, etc… Eu já tenho umas 300 solicitações solenemente ignoradas. Só no tempo que eu ainda cuidava do meu latifúndio é que eu tentava manter a coisa organizada. Mas aliás, a atualização dos status de Facebook é a coisa mais promissora, e que mais tende a dar errado. Confira: Facebook Fails e Facebook Status Fails.

E, por último e mais polêmico, o MSN. Que tipo de gente você bloqueia? Eu só faço isso com gente muito chata mesmo, ou gente muito burra que foi por acidente parar no meu círculo pessoal. O problema é que eu costumo esquecer que bloqueei a pessoa, e logo a pessoa começa a emergir em outras redes sociais… Aiai. A gente some do msn da pessoa por um motivo, DESCONFIE amigo.

De resto, se estou em casa, estou online. Mesmo. E às vezes, até saio e continuo online. Se estou ausente, é porque provavelmente fui no Epa, estou vendo um filme, falando de sexo com as meninas do apartamento – quem fala muito faz pouco -, às vezes estou até dormindo.

Em suma, eu não me sinto tão nerd, porque nerds não se relacionam tanto na internet. Mas a internet nesses sites parece mais uma balada infinita: você fica vendo que roupas a pessoa tá usando nas fotos, ou com quem ela tem saído, enfim, enfim… E essa minha vida belorizontina me tornou mais social do que eu pensei que pudesse ser.