Sobre estar de volta

OK, finalmente! Vou escrever sobre o retorno ao Brasil! Mais esperado que esse post, só a crítica dos dois últimos filmes de Harry Potter. Mas cada coisa a seu tempo. Este domingo já foi de grande conquistas pra mim, visto que limpei meu quarto. Então, baby steps.

É mais confortável dizer isso agora, porque as pessoas da minha rotina já se acostumaram a me ter por perto de novo, e eu não respondo mais àquelas perguntas incessantes e às vezes inocentemente vagas do tipo “e aí…” pausa dramática, em que a pessoa tenta pensar em algo interessante pra perguntar, logo desistindo, “como foi lá?” Com variações aproximadas de “aproveitou bem?”, “viajou bastante?”, “tá triste de ter voltado?”

Quase todas se chocam quando eu respondo não! Minha amiga Cinthia sempre dizia que quando eu voltasse pro Brasil ia me arrepender de ter voltado tão cedo, quando eu podia ficar só trabalhando e fazendo coisas que eu queria por quase que mais um mês inteiro. Na verdade, adiantar meu retorno pro Brasil está no meu ranking de cinco melhores escolhas que eu já fiz na vida. Tá, eu sei que é meio doente, mas eu tenho um ranking de cinco melhores escolhas. É que eu me considero boa em tomar decisões de forma geral.

Eu me lembro dos dois grandes eventos antes de eu ir embora, assistir ao musical do Fantasma da Ópera e ir ao show do Belle and Sebastian, onde fiquei na grade. Me lembro da sensação de ouvir Fox in the Snow cantada ao vivo, enquanto eu pensava em tudo que tinha me acontecido naquele último ano. Houve momentos tão difíceis, tão difíceis, em que eu fui enganada, em que caí em esquemas que quase me causaram complicações com a polícia, horas em que me senti sozinha como nunca antes, e enquanto eu estava ali, a dois dias dos meus amigos e desse calor senegalês, eu me senti a pessoa mais sortuda e mais vitoriosa sobre o planeta.

No dia primeiro de junho, dia do meu voo, eu recebi um tipo de festa surpresa de despedida: vários amigos meus, Noella, Sharmila, Ben, Mercy, Cinthia, Maria, Gil, etc etc etc vieram ao meu quarto com refrigerante e cheesecake. A Cinthia riu de mim quando eu falei mais tarde, “e não é que eles gostam de mim? Sempre achei que tinha só você!” Gil, o português, e Cinthia, a brasileira, resolveram me acompanhar em um trajeto bem lusófono até a King’s Cross Station (fãs de Harry Potter, que tal a referência, huh?), onde eu pegaria a Piccaddilly Line até o Aeroporto de Heathrow. Pegamos o trem em Denmark Hill com a minha vida em malas. Cinthia dizendo que não ia chorar, e se fosse ela estaria em bugalhos. Lembro de conseguir ver o Big Ben uma última vez, pouco antes de chegar em Blackfriars (que AINDA está em obras, ao contrário dos planos). Eles me ajudaram a carregar minhas malas até o lugar de passar o oyster.

Lá de repente me bateu a realização de que eu ia perder aqueles amigos. A chance de rever a Cinthia é longe, né, ela está ali em São Paulo, mas quando vou rever o Gil? A Mercy? A Noella? O Ben, meu primeiro amigo em Londres? Sem a cidade eu conseguia ficar. Mas saber que dificilmente vou ver essas pessoas de novo pelo resto da minha vida realmente me derrubou. Me despedi dos dois chorando feito criança e bati meu oyster na maquininha. A cancela se abriu e lá estava eu, com meu peso em malas, e sozinha mais uma vez.

A idéia de pegar o metrô em King’s Cross foi genial, mas demorada. Fiquei muito tempo no aeroporto. Lembro que minha última compra em libras foi no Caffè Nero, minha cafeteria favorita (suck it, Starbucks!), um regular mochaccino e um sanduíche de queijo. Quando me sentei na poltrona minúscula do avião, as pessoas já estavam falando português à minha volta. Era quase como se eu já tivesse voltado. Quando o avião começou a se movimentar, não teve jeito, caí no choro de novo. Só conseguia pensar nos meus pais e mal conseguia acreditar que ia ver a Melissa, o Cléber e a Aline, logo no dia seguinte. Fiquei imaginando o momento em que eu sairia em Confins e acabei tentando ver filmes pra me acalmar.

Depois de uma longa e confusa conexão em São Paulo, na qual consegui gritar um oi maluco pra Nádia, que miraculosamente voltou pro Brasil da França no mesmo dia, eu entrei em outro avião com destino a Belo Horizonte. E, adivinha? Outro banho de lágrimas! Quando o avião começou a circular a cidade. Tudo foi se abaixando, ficando próximo. Lá estava a Lagoa da Pampulha. A estrada pra Confins.

Na verdade eu tive muito tempo pra me acalmar, porque demorei uma eternidade pra pegar minhas malas (e o medo de terem perdido alguma coisa? Fui uma das últimas! Passei na imigração muuuito devagar e acabei assim atrasando mais de meia hora. E lá estava o momento mágico: foi quando eu emergi no desembarque internacional e ali estavam Cléber, sua senhora Lígia e Aline. Esperando por mim com pão de queijo na mão!

Desde então, foi só alegria. A Melissa chegou, atrasada, e nós tivemos um abraço cinematográfico, que foi inclusive filmado. Eu postaria aqui, se não tivesse acabado de descobrir que o wordpress agora quer cobrar pra upar vídeos. My ass.

(se eu tiver saco, upo no youtube e linko aqui.)

Enfim. Todos os meus problemas se resolveram em sucessão rápida. Meus amigos me encontraram no bar, eu arrumei uma quantidade de empregos tão louca que precisei abandonar algumas matérias, comecei a fazer monografia e a lidar com outro prospecto assustador: a formatura, que deve ser no meio do ano que vem.

Foi tudo tão maluco, e como minha rotina aqui no Brasil é bastante intensa, eu tenho muito pouco tempo pro meu blog. Não que falte assunto, como eu já mencionei anteriormente. Mas acho que antes de prosseguir e falar sobre a greve dos professores estaduais em minas, sobre certos posts que fiz em outros blogs, sobre minha recente e assustadora entrada no mercado de trabalho – chega de viver de bolsa acadêmica…? – acho que preciso dar um fechamento nesse processo todo.

Honestamente, não sinto saudades de Londres. Sinto saudade de algumas pessoas que conheci lá. Sinto saudade, digamos, do transporte público e dos preços das roupas. Mas nada paga pela vida que eu levo aqui, cheia de amigos, estudando o que eu gosto, com trabalhos dignos, estimulantes e com muita cerveja de 600 nos copos lagoinha.

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Sobre a terra natal

Comece a ler esse post ouvindo esta música: Family Tree, Belle e Sebastian

I’ve been feeling down

I’ve looking around the town

For somebody just like me

But the only ones I see

Are the dummies in the window, they spend their money on clothes,

It saddens me to think

That the only ones I see are manequins

Looking stupid, being used and being thin

And I don’t know why I hang around with them

Como você sabe que não pertence à algum lugar? Algumas coisas a gente tem que sentir. Eu passei muito tempo querendo sair daqui. Desde criança, quando eu escrevia/lia histórias de fantasia, as minhas favoritas eram aquelas em que o personagem principal escapava para um mundo novo, totalmente diferente, mas, principalmente, um outro mundo num qual ele era aceito e tinha até companheiros semelhantes.

Eu não me encaixava muito bem. Talvez isso seja racionalmente devido a eu ter mudado pra escola particular no finzinho da infância, mas independente das análises psicológicas, cá estou eu, incapaz mesmo de convencer ex colegas de colégio a tomar uma comigo quando estou prestes a viajar para a Inglaterra. E como a gente cresce – graças! – não foi importante, na verdade, porque de qualquer maneira estou completando o que eu chamaria de um ritual de encerramento.

Essa primeira estrofe me encheu de identificação, logo na primeira vez em que ouvi. Palmeiras sempre foi uma espécie de entreposto, meu armário embaixo da escada. A metáfora termina quando cortam o meu cabelo errado e eu não consigo crescer ele da noite pro dia.

De qualquer forma, com ou sem armário embaixo da escada, em exatos sete dias eu já estarei (com sorte) no meu novo quarto da Inglaterra, ou melhor dizendo, talvez até num bar, conhecendo pessoas loucamente!

Ao mesmo tempo, nesses momentos fica muito mais evidente o que está ficando pra trás. Já faz três anos que eu não moro mais com os meus pais, mas ainda até hoje sempre foi pra cá que eu corri quando alguma coisa grave acontecia, quando eu precisava recarregar as baterias, quando eu não conseguia mais suportar a solidão. Quando eu precisava que alguém soubesse que eu estava mal sem eu ter que falar, ou mesmo pra coisas banais… Ter um motivo pra acordar antes de uma da tarde – pra almoçar com os meus pais, no horário de almoço do trabalho deles. Pra ver o Lucky ficar doidão quando eu gritava do portão, pra buscar pão com meu pai imediatamente depois de chegar em Palmeiras e comer pão com manteiga falando desesperadamente até minha mãe gritar e me mandar calar a boca, falando que eu tava fedendo e que não ia dormir sem tomar banho antes.

De tudo que eu faço quando venho pra Palmeiras, o meu momento favorito sempre foi a chegada, afinal é o único lugar onde eu sou “recebida”, ou mesmo, onde eu sou esperada de qualquer forma. Já fiquei, no máximo, dois meses sem vir pra cá… E agora, de uma só porrada, vão-se dez meses, do outro lado do mundo, falando outro idioma com gente que nunca me viu nem nunca pensou que fosse me conhecer.

Eu sinto muito medo. Tá misturado com a emoção de pensar que vou pro coração da Europa, que referências de livros de história e literatura de repente vão se tornar concretos, e, principalmente, com a dificuldade enorme que foi conseguir realmente concretizar essa viagem. Afinal, Santa Cruz das Palmeiras não é o único lugar que estou deixando pra trás. Belo Horizonte me acolheu como poucos lugares.

Teve um momento em que parecia que eu não ia conseguir verba da assistência pra viajar, e sem ela estaria tudo cancelado. Eu me lembro do apoio da Gil, da Fabiana, da Renata. Lembro do meu medo louco de contar pro Cléber que eu não ia mais pra não ver a cara de decepção dele. E da correria, e da papelada, das infinitas reuniões com o Lucas, a Adriana e o Daniel pra todos os quatrocentos mil problemas que a coisa toda deu. Da festa de despedida do Quito, agora matando a gente de saudade lá dá Alemanha, da despedida do Douglas e do Igor, ambos agora lá em Portugal, e de todo o pessoal que também viajou e já está lá. Parece que eu já corri tanto, e mais do que isso, parece inacreditável que os meus planos estejam de fato se concretizando.

Aqui a trilha sonora já tem que mudar:

É gente demais pra sentir saudade, então a gente engole em seco e segue o caminho. Tchau Palmeiras, e até ano que vem.

(foda-se de ficou um texto melado, tô no meu direito! Fuck yeah!)

Belo Horizonte

Quando eu passei no vestibular, as pessoas me perguntavam qual opção eu ia escolher e tal. Só que quando eu dizia: vou fazer Letras na UFMG em BH, elas corriam pro carro/rádio/computador e tocavam aquela música tensa duma dupla sertaneja que canta algo como “é aqui que eu mooooooro/é aqui que eu quero ficar/pois não hááááá lugar melhor que BH”.

Ninguém na minha cidade natal entendeu a minha escolha direito até hoje… Mas a questão hoje não é a escolha, e sim o lugar.

Quando eu vim pra cá, nas duas etapas do vestibular da UFMG, teve algo nessa cidade que me capturou, alguma coisa que me identificou de uma maneira muito forte. Como eu só morei aqui e na minha cidade, eu nunca saberia dizer se todas as pessoas sentem isso quando resolvem mudar. No meu processo de vestibular, eu estava considerando morar em algumas cidades bem diferentes entre si: São Paulo (óbvio), Belo Horizonte, Londrina ou Franca (Uberlândia foi considerada também, mas eu acabei descartando). Eu sabia que a escolha da cidade era crucial. Não sabia o quanto, obviamente, tendo mrado a vida toda em uma cidade com cerca de 30 mil habitantes.

Cheguei em BH depois da viagem de ônibus até então mais longa da minha vida. Enquanto passava com a Melissa e o pai dela pela cidade, e especialmente quando ele deu uma voltinha de cortesia no campus e eu vi a FALE pela primeira vez, bateu uma coisa, sabe? Tá, é brega. Mas imediatamente eu gostei da cidade. Minha mãe odiava tudo, hahaha, ela não se dá bem com cidades grandes. Mas quanto mais eu conhecia, mais eu gostava. E minha amiga e o pai dela foram ótimos guias, contando episódios da história belorizontina, me levando pra tomar sorvete e tudo.

Faz três anos que eu moro aqui. Sempre que alguém descobre de onde eu sou, ou melhor, do quão LONGE eu morava, todos perguntam o motivo de eu não ter simplesmente feito Letras na USP mesmo.

Parte da minha formação de personalidade durante a adolescência, eu sempre enxerguei um desespero por eficiência e, mais bizarramente, excelência, no modo paulista de ser. Quando eu ouvia falar da Letras, e quando examinava o currículo, amava tudo. Lembro de dizer pros meus pais que ia me formar em todos os idiomas que a FALE oferecia (até agora só melhorei meu inglês, comecei italiano, latim e japonês, esquecendo completamente os dois últimos).

Nesse ponto, você diz: ah, a coisa não foi só Belo Horizonte, foi a cidade e a universidade. Ué, caboclo, claro que foi, eu tinha dezoito anos e estava avaliando meus prospectos! Sabe… todas as outras cidades no meu horizonte de possibilidades eram escolhas comumente tomadas por pessoas que tinham crescido comigo. Estudar no Paraná tinha os atrativos de ser uma cidade limpa e eficiente, com o plus de que eu tinha passado muito bem lá e o vestibular era fácil. São Paulo é São Paulo, né?

Depois que eu criei a coragem e vim pra cidade mais longe de todas, o processo de identificação só melhorou. Estava eu no 1207, seis e meia da manhã, semi acordada, mas todas as manhãs eu tentava me espremer e ficar do lado direito do ônibus pra ver a Lagoa da Pampulha. Prosseguindo numa cadeia de coisas bregas, aquela visão simbolizava alguma coisa que eu não conseguia expressar direito.

Desde que eu me mudei pra moradia da UFMG e tudo o mais, eu tive menos perrengues, mas fiz amigos – sim, pessoas de Palmeiras, eu tenho amigos aqui! Eu sei, vocês acharam que eu nunca teria amigos, né? -, construí uma vida. Eu me sinto bem recebida aqui, não sei explicar por quê. Acho que eu misteriosamente tenho uma personalidade mineira, mesmo sendo paulista e com toda a minha família imediata sendo paulista ou paulistana (TODO mundo tem um parente em São Paulo). Coisa de turista.

Mas é sério: eu acho simplesmente o máximo passar pela Lagoa, pela Praça da Liberdade, pela Praça Sete, pelo Mineirinho. Tenho muito orgulho de ter escolhido vir pra cá, acho que tive a melhor das idéias. Sinto que eu consegui virar gente, livre dos olhares dos paulistas, que enchem tanto o saco da gente o tempo todo!

Essa semana me peguei zuando um paulistano e imitando o sotaque. Nessas ocasiões, sempre tem um amigo pra me lembrar que eu meio que sou um deles. É engraçado, mas eu não me sinto paulista. Gosto dos mil bares, e me sinto em casa nessa cidade. Gosto, especialmente – vocês vão me achar doida – de andar de ônibus. Quando preciso pegar o 2004 só acho ruim de subir o morro mesmo, porque adoro passar pelo bairro, pela Antônio Carlos, pela João Pinheiro e tal. Gosto de ver a cidade pela janela, os mineiros andando na Afonso Pena. Lembro de quando tudo isso não passava de flashes da tv, e fico me sentindo dentro da tv de um jeito engraçado. Fico me sentindo num lugar onde as coisas acontecem, onde eu posso simplesmente me levantar, pegar um ônibus e sair, pedir um hamburguer, praticamente qualquer coisa. Eu gosto de ter espaço pra existir de qualquer jeito. Belo Horizonte é perfeita pra mim nesse aspecto, eu me sinto livre.

Mais uma da Amanda

Eu jurei que não postaria mais histórias das minhas humilhações públicas, mas essa merece… Tá, eu sempre digo isso, paciência.

Aniversário de pessoa querida no Mulan. Pra quem não é tão íntimo de BH, restaurante oriental com rodízio liberado e, mais importante, karaokê a noite toda. A coleguinha aqui tinha se vestido bonitinha, maquiagem e tudo… Arrumou um bolerinho das antigas pra esconder que tava com preguiça de usar sutiã normal por baixo do vestido tomara-que-caia.

Bom, sabe o nome do vestido, né? Pois então, José.

Estávamos no palco eu e três amigos, cantando apaixonadamente “Man, I Feel Like a Woman” – sim, a música dá todo um contexto, eu concordo – e estou eu lá… Best thing about being a womaaaaaaan… E quando vejo a cara de um amigo meu meio espantado, olhei pra baixo…

OI SUTIÃ.

Lá estava ele, feliz e pequeno, o vestido todo pra baixo. Bem que as pessoas tavam aplaudindo demais.

Bom, fiz a diva, conjurei uma cara de pin-up, fiz “OH!” dramático e puxei o vestido pra cima sem cerimônia. Antes que a pergunta venha, sim, não havia uma só cadeira vazia naquele maldito Mulan.

Balanço das férias

Bem, hoje teremos um post morno. Mas antes, vejam só que interessante. Até hoje, tive três post mais populares:

3o. Lugar: o post sobre editar contatos no msn: impressionante como pouca gente sabia disso!E pelo visto, é bem eficaz mesmo o método, já que até houve possíveis babacas assinando a caixa de comentários.

2o. Lugar: o da Lady GaGa, logo abaixo: minha opinião bem positiva dela trouxe gente bem interessante pra discordar. Essa discussão de pop deve ser levada adiante em outra ocasião, porque deu pra ver que pode render muito.

1o. Lugar: o post sobre ex namorados! Hahah. Não esperava muita coisa dele, mas bastante gente se identificou. Foi outra boa surpresa, quando as pessoas no msn vinham me contar que leram, porque fez eu me sentir menos freak.

Esse efeito veio do blog todo, inclusive, o que acabo considerando o melhor – e único – projeto nascido nas férias e que já teve algum desenvolvimento nas férias. Valeu a todos os meus leitores inesperados. =]

Mas bem, o assunto central não é exatamente esse. As pessoas geralmente fazem retrospectivas no fim do ano, o que é meio viagem, porque em janeiro quase nada se começa e menos coisas ainda se continuam. Então, antes do verdadeiro começo, ou seja, em março, resolvi pensar um pouco no que eu queria ter feito nas férias e o que no fim virou.

Ler: Não li nem a metade do que me propus, claro. Li os três últimos livros de Artemis Fowl, e a proposta de ler tudo de Jane Austen foi pelo ralo, só consegui Emma mesmo. Todos os outros eram, confessadamente, CHATOS. Li uns contos do Murilo Rubião, empréstimo da Aline, mas poucos. Ainda persevero lendo “O Processo”, do Kafka, mas não vou terminar antes do fim das férias. :/ Eu também tinha pegado um Charles Dickens, no qual nem encostei. Tem outros empréstimos, que ainda devo mexer.

Escrever: Aqui eu tive modestas propostas. Queria terminar minha fanfic de Harry Potter, continuar com meu diário. O que eu fiz? Criei o blog.

Videogame: Joguei muito Guitar Hero na Aline e graças ao Gustavo Frade, Ninteeeeeendo! Zerei Mario World. Eu sou demais. XD

Fotografia: Influência da Lívia. Agora que estou finalmente prestes a acabar de pagar minha linda câmera digital, uma Canon, minha conta no Flickr está meio abandonada. Mas semana passada eu voltei a mexer e fiz uma ou duas coisas legalzinhas. Conta no flickr

Jogos: The Sims. Criei a família, duas irmãs e seus pretendentes. Uma delas, minha favorita, teve cinco filhos, tá idosa na casa dela com o marido que a trai com a irmã gêmea. Um filho é gay e tá noivo, o resto é tudo mulher e só a primogênita tá noiva. Os quatro mais velhos na faculdade, o bebê ainda com os pais. O pai virou cientista maluco e vai ficar com a aspiração cheia pra sempre! hahahah.  Mandei uns poker no computador também. =]

Assistir: Como vocês sabem, vi a primeira temporada de Lost. Vi uns episódios de Gossip Girl no SBT e depois baixei a segunda temporada e já vi tudo. Vi poucos filmes, estava sem paciência. Vi uns no começo das férias, tipo o mais novo do Almodóvar, mas pouca coisa. Revi Stranger than Fiction esses dias. E Solitários! E não é que o emo ganhou? Tudo bem, mas o meu amor platônico, Cadu Pelegrini, ficou em segundo e ficou mais famoso! Hhahaha.

Viagem: Fui pra Piracicaba em janeiro, como postado aqui, fiquei em Palmeiras no ócio, fui pra BH (show do Cranbeeeeeeerries! *.*) e lá tive várias aventuras incríveis com uma galerinha da pesada. Conheci uma sex shop, fiquei absurdada, comi comida vegetariana, entre coisas normais, como tomar summer com cheetos requeijão na moradia. Atóron. Perto do Carnaval, Mucambeiro, o distrito de Matozinhos (aaaah, agora acertei), terra natal do Quito. Lá não teve muitas emoções, mas teve uma overdose de Skol e eu, erm, encostei numa criança, apesar de não gostar de crianças. Whatever, né. Voltei de AVION, dear. Em cinquenta minutos eu estava em Campinas, depois de comer feliz. Adoro andar de avião, sério mesmo.

Nada: Isso ocupou noventa por cento da coisa toda. Deitada na cama, depois deitada no sofá… Jogando videogame, depois conferindo as coisas na internet… Fiz tanto de nada, mas tanto, que ontem me peguei planejando mentalmente minha primeira aula.

Eu diria que estou pronta, finalmente. Claro que os traumas do semestre passado permanecem. Mas sabe? Eles não vão embora mesmo e eu já me conformei. Quem vai embora sou eu! E pra Inglaterra, setembro me aguarda! Mas só depois de uma luta homérica pra juntar dinheiro!

xoxo. XD

Flashback

Achei esse texto na internet, por acaso. Está num blog antigo da Melissa, mas é meu.

O que me preocupa é que eu me lembro do dia, lembro da dor, mas tenho medo que aquela Amanda de 2007 simplesmente tenha deixado de existir.

“Acabei de fazer uma coisa muito bonita.

Porém, ao mesmo tempo, acabo de descobrir que caridade dói, e dói uma dor física que sufoca.

Estava eu indo à FUMP (o prédio onde é gerida uma fundação de assistência estudantil, ou seja, um lugar que ajuda alunos pobres), quando o ônibus virou uma esquina e eu não pude deixar de olhar pra um mendigo, sentado sob o sol forte, com roupas escuras, todas rasgadas. O cabelo dele estava despenteado, parecia meio branco, meio cheio de poeira, e ele empurrava-o pra trás de quando em quando. Pensei que ele estava no começo da Augusto de Lima. Observei enquanto o sinal continuava fechado o modo como as pessoas passavam direto por ele e senti pena. Lembrei-me então de um desejo que eu guardava desde antes de me mudar, e prometi-me mentalmente que, depois de resolver meus assuntos na FUMP, compraria uma daquelas esfihas de carne do Habib’s, que são baratinhas, e levaria pra ele. Aquilo ia requerer uma caminhada enorme, mas eu decidi que não ia doer sair um pouco do meu caminho pra dar algo praquele homem comer.

Só que o 5102, pra quem não conhece, é um ônibus que dá voltas e voltas na Praça Raul Soares, e quando olhei para o começo da Augusto de Lima antes mesmo de descer do ônibus, vi que não era lá que ele estava. Desanimei, pensando que ele poderia estar em qualquer esquina no entorno da praça, e ficar rodando lá poderia ser perigoso. Daí surgiu a segunda promessa mental: se eu encontrasse outro mendigo no caminho, faria a caridade, mas sabia que era uma promessa vazia, porque o caminho do ponto de ônibus até a FUMP é curto e não costuma ter mendigos.

Resolvi meus problemas, fiz meu lindo orçamento de gramática e dicionário de inglês, e fui saindo do prédio. Assim que pus os pés do lado de fora, ali estavam elas. Três mulheres, parecendo tão miseráveis quando o mendigo da idéia original, estavam sentadas ao lado do prédio, com carinhas sonhadoras, uma delas só com os dentes de cima da frente, espaçados e protuberantes; outra parecia mais velha, com os cabelos cinzentos iguaizinhos aos do homem, e uma menina encostada nela. As três estavam pedindo esmolas com duas caixas de sapatos. Eu hesitei em passar no meio delas, dei a volta, fiquei parada na calçada, olhando pra elas, sem ser percebida.
Pensei: são três! Eu não tenho tanto dinheiro assim pra comprar esfiha pras três, e não posso dar de comer só pra uma. Vou embora…

Dei um passo à frente, parei de novo, e entrei na fila do Habib’s que fica ao lado da FUMP. Comprei três esfihas de carne pra viagem e saí do prédio.

Primeiro eu me aproximei daquela com poucos dentes. Nem lembro direito as palavras que eu usei. Algo sobre perguntar se ela estava com fome e se gostava de carne. Entreguei uma esfiha, ela me olhou toda feliz, disse: “Deus te abençoe”, e eu respondi “Amém”, mesmo sem ser mais católica, que é o que eu sempre faço, pra não magoar os sentimentos religiosos das pessoas. Só que quando eu me virei pras outras duas, que já estavam alegrinhas por antecipação, eu não aguentei e comecei a chorar. Balbuciei de leve que tinha comprado uma esfiha pra cada uma. Entreguei as esfihas pra elas, depois os guardanapos. Voltei e entreguei guardanapos de papel pra primeira mendiga também, porque eu tinha esquecido.

Respondi aos agradecimentos delas de novo e me joguei na faixa, onde o sinal estava aberto pros pedestres. Estava chorando que nem criança, não consegui aguentar. Estava também com essa dor de que eu falei no começo, que pareceu fazer o meu coração inchar, ficar imenso, e me apertar por dentro; não tinha espaço pra mais nada, só coração.

Fiquei triste, porque aquilo era tudo que eu podia fazer por elas. Fiquei puta, porque todo mundo passa reto, todos os dias. Fiquei com vergonha, porque era a primeira vez que fazia isso, quando isso deveria ser um ato rotineiro, não só meu como de todas as pessoas. Fiquei me sentindo uma espécie de Cinderella Man, mas isso não me deixou tão feliz comigo mesma quanto achei que me deixaria, porque, de certa forma, eu estava sentindo dor. Era tão forte que eu fiquei assustada, enquanto subia a Espírito Santo. Achei que não ia conseguir chegar ao ponto de ônibus, passei direto por um hotel rico, com engravatados conversando educadamente à porta, passei por dois moleques com camisetas de Medicina da UFMG. E aquela dor não passava. Eu subi no ônibus, me sentei e continuei chorando, com todos esses pensamentos piegas que a caridade gratuita envolve, como “por que as pessoas deixam outras sofrerem desse jeito?” ou “por que ninguém faz nada?”.

Não podia deixar de lembrar, também, do Machado de Assis, que é sempre essa droga dessa nuvem negra em cima da cabeça da gente, falando que nunca se faz nada gratuitamente. Se eu dei um pouquinho de comer pras mendigas, queria reconhecimento, seja por quem estava passando pela calçada, seja por quem vai ler essa postagem, ou qualquer pessoa que consiga ouvir essa história de mim. Mas tá doendo tanto, que eu queria abraçar a minha mãe. Nada que eu faça agora faz essa sensação passar, apesar de eu ter certeza que fiz não só uma coisa certa, como uma coisa admirável, mesmo que o meu subconsciente tivesse me jogado dentro do Habib’s só pra aumentar minha auto estima, ou a estima de vocês sobre mim. Muita gente condena esses atos aleatórios de alimentação dos pobres, porque é apenas um modo de ilusão. Bom, não seria, se vossas senhorias fizessem o mesmo, de vez em quanto. As três esfihas me custaram 1,70. Não dói não. O que dói é o que vem depois.

Outra vontade que me tomou conta foi de gritar com alguém, de cuspir na cara dos revolucionários que agora enchem o campus da UFMG. Me deu vontade de quebrar alguma coisa cara de alguém importante. Deu vontade de me esconder.”

Tirar passaporte

Esse post vai ter uma ligeira utilidade pública, olha que bonito!

Bom, esse ano eu vou – acho – fazer intercâmbio. Muita coisa me deixa ansiosa, o fato de ir pra Inglaterra, estudar numa universidade com um esquema totalmente diferente do que eu tô acostumada, essas coisas todas. E dentre muitos passos pra isso, que eu ainda vou descobrir quais são, eis o primeiro: tirar passaporte.

Não espere um post cheio de reclamações, puto da vida, sobre filas e demora. Óhhhh, dessa vez o sistema público me surpreendeu! É só você ir no site da Polícia Federal que eles explicam certinho o que precisa fazer. O mais sofrido mesmo é pagar a guia da GRU pra gerar o documento: R$156. Triste, né? Dá-lhe poupança na veia, viu. Mas então, o caso é que feito isso, pra quem mora em BH, você ainda pode ter a alegria sublime de marcar data e hora do atendimento na polícia federal PELA INTERNET! Olha que lindo.

Problema grande pra quem mora em BH e não é multimilionário: o lugar. A PF agora fica dentro de um shopping de rico nojento, no Anchietta. E só tem ônibus do centro: o 2103 pára na frente. Pobre que nem eu vai de 2004 mesmo e anda a vida inteira. E puts, como eu andei!

Mas esse não é o caso. Uma vez lá, é tudo muito rápido. Eles me atenderam quinze minutos antes da hora marcada, foram super simpáticos, tiraram a impressão digital de todos os meus dedos e uma foto numa câmera canon muito bonita… Mas eu SEMPRE fecho o olho quando sei que vai ter flash.

E agora, cá estou eu, feliz com meu passaporte gay – sim, porque o novo passaporte é a coisa mais gay do universo. Olha esse que é igual, achei no google images:

Pois então, agora que estou derretida e sofrida de sol (eninguémquisbeberrefrinasavassicobiiigo), eis uma lição de vida do Rafinha Bastos, pra quem sentiu falta de um momento de reclamação do eterno “sistema”.