Parabéns, Dilma!

Hoje os brasileiros elegeram a primeira mulher no cargo mais alto do governo do país. Depois de meses de uma eleição asquerosa, um processo regado a mentiras e intrigas e vídeos de youtube distorcendo os últimos cinquenta anos da história brasileira, finalmente os brasileiros mostraram que conseguem enxergar a diferença entre um governo bom e um governo mau. Como blogueira e como brasileira aqui fora, eu agradeço a cada um que votou na Dilma, a cada um que se deu ao trabalho de tentar trazer mais pessoas pro lado da continuidade do governo do PT.

É óbvio que nenhum dos dois candidatos era perfeito. É claro que eu já fiquei preocupada de escutar que o Palocci vai estar na comissão de mudança de mandato, por causa dos envolvimentos passados dele com corrupção – não esqueço! – claro que ver a Marta Suplicy feliz me perturbou um pouco. Mas um governo tucano era simplesmente inimaginável. Algumas pessoas que eu tenho no facebook, poucas, anunciavam voto pro Serra, mas todas exatamente daquele padrão classe média alta a quem não interessa que exista mobilidade social ou ampliação de vagas em universidades… Ou qualquer coisa que afete o status quo dessa galerinha que se divertia anos atrás me fazendo bullying. Bom, as mesas se viram!

A campanha tucana foi sangrenta e horrorosa. Os meios de comunicação de massa fizeram um esforço imenso pra plantar vídeos, fatos, distorcer fatos. Eu me perguntei em muitos momentos se esse povo que anda por aí dizendo que tem Ensino Médio completo sequer foi a UMA aula de História do Brasil.

Anyway. Comemoremos por ora a vitória dos fatos. E nos preparemos porque em breve a batalha continua… Colocamos você lá, Dilma, mas moleza não vai ser!

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Quem é a piada: o Tiririca ou você?

O assunto é recorrente, eu sei. Mas acho que tem merda demais jogada no ventilador pra eu não tentar me orientar escrevendo aqui.

Nas eleições desse ano, vislumbramos de novo o mesmo cenário de basicamente todas as eleições: todos os candidatos, a todos os cargos, são escolhas lamentáveis pra se votar. Os defeitos deles passam pela mais variada gama lexical.

Que os políticos se divertem ganhando votos nossos com atitudes como essas não é novidade:

O que pra mim é novidade, mais do que nos outros anos, é o apoio massivo e inexplicável que esses candidatos acabam ganhando. Eu ouvi uma variedade de comentários acerca, por exemplo, do candidato mais famoso, o Tiririca:

-Vou votar nele pra saber o que faz, afinal, um deputado federal.

MEU FILHO, NA ERA DO GOOGLE VOCÊ VAI VOTAR NUM IMBECIL PRA SABER SOBRE O TRABALHO DELE? EM PLENA ERA DO GOOGLE????

-Vou votar nele pra protestar, pra ver se as pessoas percebem que os humoristas (BURROS) tomam o lugar dos políticos. Revoluçãããããão! *gritos histéricos*

Já que mencionei as eras acima, gostaria de apontar outra característica dessa era nossa: todo mundo quer protestar do jeito mais sedentário possível. A gente faz uma pesquisa de opinião da internet pra dizer depois que a nossa participação motivou uma empresa a plantar não sei quantas árvores. A gente coloca nosso nome e identidade nos abaixo-assinados virtuais da vida, passando por e-mail. E o cúmulo: a gente tuita um tema até ele chegar aos Trending Topics no Twitter. De novo, QUE MERDA É ESSA?

Não tô te dizendo pra protestar com tochas incendiárias, palavras de ordem e pulão do bandejão, esporte favorito dos comunistas retrógrados da UFMG. Quer uma demonstração do que é um protesto organizado, não violento e presente? Olha aqui o movimento Praça BH. Pelo amor, postar #contraacorrupção não manda o Maluf pra cadeia se chegar no Trending Topics Worldwide!

A próxima foi de verdade.

-Meu voto é do Tiririca, pior que tá num fica, e vou votar nulo em tudo o mais, porque ninguém presta e porque eu detesto política.

Esse tipo de frase de mentalidade eu-leio-a-veja-e-daí me faz querer dar um tiro na cabeça e me mudar pra Terra Média, onde as coisas são resolvidas do jeito certo: jornadas por um anel envolvendo magos e anões e hobbits.

Dois vídeos de dois vlogueiros de quem eu gosto já abarcaram os meus principais argumentos: o Felipe Neto e o Francis Leech, ambos já citados aqui no meu post sobre brigas e vida alheia.

O voto só não tem valor se você o trata como um direito sem valor. O voto só não presta se você vota no Tiririca, se vota nulo, se vota em branco. Não pense que você não tem culpa, por exemplo, do Mensalão, (lembra?) só porque VOCÊ não votou naqueles caras. Porque votou em branco, nulo, ou porque votou no Ey-Ey-Eymael, o democrata cristão de zueira. Quem fez a merda foram eles sim, mas a população insistentemente treinada pra não gostar de política continua abrindo mão de um direito secular. A galera da classe média não quer votar porque é revoltizinha. Você que é pai ou mãe de classe média, que trabalhou tanto pra educar o seu filho numa escola particular, deveria pedir o dinheiro de todas as aulas de História de volta. Os modos de governo sofreram drásticas mudanças nos últimos anos pra abarcar a democracia. Não digo que democracia é necessariamente a melhor maneira, mas é a melhor idéia que deu pra concretizar até agora. Não faz nem 60 que mulheres podem votar no Brasil. Desde os velhos tempos nas aulas sobre civilizações antigas, a gente via que quem votava era o HOMEM, maior de 21 anos, dono de terras. Não foi fácil fazer com que qualquer pessoa pudesse votar. É uma arma poderosa demais pra você jogar fora com o Tiririca, o Romário ou a Mulher Pera.

Eu sei, você continua reclamando que não tem em quem votar. Será que não tem mesmo? A cada mil palavras da candidata do PSTU ao governo de Minas, Vanessa Portugal, novecentas são babaquices vermelhas revolucionárias, mas uma coisa é verdade: nós não temos acesso igual a todas as propostas de governo. E imagina só, nem é necessário fazer um movimento bem estruturado e presente. De novo, o Google a seu favor! Toda a informação que você precisa está aí, pra quem busca.

Cuidado com outra armadilha, já apontada pelo Francis: ninguém mais tem pressa em falar do plano de governo. De repente todo mundo nasceu no interior, trabalhou na adolescência, lutou na ditadura, tralalalalalala. Busque informações e opiniões concretas. Algumas perguntas pra mim, pessoalmente, são vitais: como o candidato pretende se movimentar pra auxiliar a educação? E com relação à inclusão das pessoas na universidade, número ou qualidade, como harmonizar os dois? E os direitos gays, e a lei do aborto, cadê?

Votar não dói não.

Só pra concluir: é claro que o voto forçado no Brasil é triste. Mas essa configuração só favorece a vida de quem acha que um trabalho de administração de um fucking PAÍS é brincadeira, veja o que pode acontecer se mesmo depois disso tudo você ainda vê o Tiririca e os amigos dele como opções viáveis de voto: Aqui.