Avatar e entretenimento

Antes de tudo, eu queria falar sobre a tamanha tentação que é não criar um vlog, seguindo o que eu fiz na semana passada. É cansativo, mas divertido. Enjoei de olhar pra minha cara durante as horas de edição, mas valeu pra ouvir a minha mãe dizer no telefone domingo: “Amaaaaaanda, você tá linda no youtube”. Hahaha. Mãe é uma coisa muito doida.

Mas o assunto de hoje: assisti Avatar, finalmente. Como o post não se chama “Comentário: Avatar”, só digo por cima que ele é estupidamente longo (duas horas e trinta e cinco minutos? Oi, Senhor dos Anéis?), mas MUITO legal. Sério mesmo, eu curti cada um dos trezentos e cinquenta mil minutos do filme. E nem senti tanta falta dos efeitos especiais. Uma coisa que tem me incomodado muito a respeito dos filmes que tão sendo lançados ultimamente é o fato de que TUDO agora é lançado na merda do 3D. Gente, que chatura! Só pra eu ter que pagar o dobro pra ir no cinema e usar um óculos com duas cores? Triste, mas vou ter que assistir algum filme em 3D pra falar mal com propriedade, agora. Olha que tristeza. Alguém quer ir ver Alice comigo?

Como eu digo aos meus alunos: focus…

Como ia dizendo, Avatar é muito legal. Apesar de ter exatamente o mesmo enredo de Pocahontas – e eu já tinha sido alertada disso, motivo de eu ter demorado tanto pra ver, além do 3D – , é muito divertido. Você realmente se apega aos personagens, e fica puto com os vilões, tudo. Passa o filme todo achando que vai acabar em tragédia, achando que seria impossível o Sully ficar com a… a mocinha azul. Neytiri?

Hoje de noite contei prum amigo meu que finalmente tinha visto Avatar e tinha adorado. Daí ele me perguntou diretamente “E é bom mesmo?”, daí eu parei. “Bom, ele é um grande entretenimento. É divertidíssimo, não é tempo perdido assistir, de jeito nenhum. Dá até pra abstrair um tiquinho nessa coisa de colonizar civilizações, mas isso é muito raso, obviamente, por isso foi um blockbuster. Eu gostei, mas não é um filme intelectual. É legal apesar de ser tão cheio de grana.”

Bom,

claro que eu não fui tão articulada na hora. Vocês viram no vídeo que eu sou um ser que não consegue elaborar uma coisa dessas sem pensar muito antes, apertar o backspace na cabeça e tal.

O que eu quero dizer com tudo isso é na verdade bem simples: eu costumo separar o fato de uma coisa ser bem feita ou intelectualmente profunda do fato de eu ter gostado dela ou não. Odeio essa gente que só tem gostos intelectuais. Que só lê crássicos. Gente, hoje eu recebi por e-mail o primeiro capítulo do sétimo livro do Artemis Fowl e fiquei que foi pura felicidade. Adoro Harry Potter. Adoro… que mais intelectualmente condenado que eu adoro? *procurando nas pastas de músicas* Taí, Lady GaGa. Até Avril Lavigne tem. Evanescence. Mas eu gosto de umas coisas que são consagradas, tipo Placebo. Que todo mundo diz que é bem feito musicalmente, etc etc. Eu sei lá. Sei que eu gosto. Pra eu gostar, não é realmente importante ser cabeçudo. É claro que isso não significa gostar de porcaria unanimemente. Mas se alguém me diz que só ouve Chico Buarque, Death Cab for Cutie, Bob Dylan e coisas do naipe, eu desconfio. Exceto pelo Chico, gosto dos outros mencionados, mas…

Por outro lado, outros grandes cabeçudos consagrados me dão urticária. Eu geralmente defino como “É muito bem feito, mas eu detesto”. Aí nessa lista eu coloco Machado de Assis, o último filme do Lars von Trier, o Chico Buarque… Tem algo neles que me irrita, algo de talvez intelectual demais? De fake? Eu não sei te explicar. Não acho o Machadão fake, não sei porque não gosto dele. Não gosto do Anticristo porque acho que ele é muito bem feito esteticamente, mas é vazio de sentido e dá voltas sobre um mesmo tema. O Chico é só chato mesmo. Mas sabe, gente?

O que eu tô me desesperando pra deixar claro aqui é que eu muitas vezes gosto de coisas pelas quais me condenam, porque aparentemente são vazios, mainstream ou mal feitos. Outras vezes, odeio coisas alternativas, de cafés e mostras culturais que todo mundo idolatra. Eu não gosto de ter vergonha do meu lado pop, não tenho vergonha de me identificar com coisas que são contemporâneas à minha existência – a mera idéia de se esforçar pra ter influências de vinte anos atrás é bizarra, não é? Pois é, muita gente é assim. Quer que a gente acredite que são assim. Bom, eu não sou.

Pra me entreter, não precisa muito: é só passar Ela é Demais na Sessão da Tarde! É evidente que eu também piro o cabeção lendo um Kafka, acho o Gus van Sant um cineasta do caralho. Eu sou normal! Sou a pessoa mais normal do mundo, como sempre digo.

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Eu não vou fazer outro blog.

É inacreditável. Depois de vários – será que dá pra dizer dezenas? – blogs criados e abandonados num espaço de poucos meses, eu achei que tinha ficado  madura o suficiente pra entender: Amanda, você é incapaz de outro blog. Desista. Não adianta se vai despretencioso, ou se você vai finalmente mostrar ao mundo que escreve, ou que tenta tirar boas fotos, não importa.  Eu sou claramente incapaz de resistir à tentação.

A decisão fatídica foi tomada durante um clássico programa de gordinha tensa. Depois de tomar uma latinha de cerveja, comer um pacote de passatempo, virar um golão d’água – tudo isso uma hora depois de um X egg bacon – eu me deparei com um filme americano no SBT. Implorei que fosse minimamente suportável, porque não estava com paciência pra internet tão cedo. Bom, a minha amargura resultante dos três meses desde o fim do meu namoro mais recente (engraçado, faz três meses exatamente hoje.)  me fez ir sentindo uma raiva crescente da Hillary Duff. Sim, era a Hillary Duff! ¬¬ Que vontade de cortar os pulsos.

Pois bem. Ela estava lá, na sua cena de Cinderella, prestes a beijar o menino que fez um tal de Lucas em One Tree Hill, com um vestido de noiva, uma máscara, recebendo uma rosa, enquanto eu me questionava perguntando a mim mesma em qual seria a porcentagem do que o garoto dizia que eu levaria a sério, se estivesse no lugar dela. Puts, tenho feito esse exercício em todos os filmes que vejo, e basicamente em todas as histórias envolvendo romance, e sempre percebo que chego perto dos 10%.

O que isso tem a ver com criar um blog?

Bom, foi a única coisa menos deprimente do que ficar lá e ver o final do filme na qual eu consegui pensar. Agora eu estou falando do filme americano NO blog, o que provavelmente é duas vezes pior. Outro questionamento que me fiz foi: pra quê fazer um blog, já que eu não posso falar a mesma coisa que no diário, que aceita tudo, e já que ninguém está interessado em ler reminiscências pessoais? Todo mundo que faz blogs geralmente tem algo a dizer pro mundo; e a verdade é que, se me dessem um microfone de alcance infinito, eu acho que eu só gritaria bem alto.

Acho que tenho mais coisas pra dizer pra mim mesma. Tenho muitos projetos de auto descobrimento que nunca levo a cabo; mas ai. Talvez eu tenha feito a escolha certa ligando o computador, afinal.  Li uns blogs outro dia, sem motivo especial. Apenas porque eram pessoas que eu conhecia. Acabei pensando que era um modo de saber como elas estão sem ficar enchendo o saco delas no msn. O blog que suscitou isso é de um aluno de inglês meu, bem escrito e interessante.

Fato é, veremos até onde vou com isso.