Maratona: Pedra Filosofal

Bem, é isso, falta menos de uma semana para que eu veja o último filme de Harry Potter!

Já gastei um bom tempo há dois posts tentando explicar pra vocês um pouco do amor louco e desesperado que eu sinto pela série. Eis que nessa semana final, eu me dispus a rever os sete filmes já distribuídos pela Warner. Mas como assistir eu já vi todos os filmes incontáveis vezes – e incontáveis aqui NÃO é hipérbole – eu pensei que uma série de posts nessa semana me ajudaria a liberar a tensão e a tagarelar sobre esse assunto que pra mim nunca se esgota.

Eu sempre digo que os temas centrais da série potteriana como um todo são morte e amizade. Mas em Pedra Filosofal, eu diria que o tema central é o encontro do lar. A narrativa do filme é bem humorada e leve, mas mostra um menino claramente mal tratado, mal alimentado, com roupas velhas e rasgadas, que não tinha idéia do motivo de ser criado daquele jeito. Nesse ponto é que entra a carta de Hogwarts seguida de Hagrid, dois símbolos narrativos da mudança.

Hagrid é o arquétipo guardião perfeito. Ele se encarrega de retirar Harry das condições infelizes em que ele vivia, e com a clássica “Você é um bruxo, Harry”, a música e cara redondinha do ator deixam claro pra quem assiste que aquela cena é um partir de águas. Ele dá as informações mais essenciais pra Harry sobreviver no mundo mágico, mostra a ele o Beco Diagonal e o provém com Edwiges, a sua coruja que o acompanha até o fim da série. Ele ainda carrega a chave do mistério que vai se desenrolar no primeiro ano, com a visita ao banco bruxo e as constantes escapadas “Eu não devia ter dito isso”. Mas, mais importante de tudo, é a primeira pessoa na vida de Harry que mostra qualquer afeição pelo menino.

Outro personagem que carrega informações importantíssimas é Ron, o famoso ruivo que se torna seu melhor amigo. Ele vem de uma enorme família toda bruxa, então conhece nomes, tradições, costumes, lendas e todo o tipo de conhecimento geral que um membro da sociedade bruxa tem. Ele também tem defeitos confrontados posteriormente pela Hermione, na falta de empatia e na falta de tato ao lidar com outras pessoas. Acho graça que muita gente diz que o Ron é um personagem muito sem ambição, mas fica claro na cena do Espelho de Ojesed que ele queria ser monitor, capitão de quadribol, campeão, o melhor. O que falta nele não é ambição, mas o impulso de se testar vem dos sérios problemas dele com confiança, que são ajudados e ao mesmo tempo prolongados pela Hermione, que passa todo o tempo o desafiando a fazer feitiços, a falar as coisas certas, a ajudar Harry nas tarefas mais difíceis. Ela o empurra pra frente quando ele se apavora, e ao mesmo tempo ele faz com que ela abaixe a crista com a encheção de saco nerd; ele mostra pra ela que ela pode saber o que quiser e tirar as notas que quiser, mas vai continuar sendo uma louca descontrolada e esquisita.

Voltando ao filme, eu gosto de uma coisa que o Chris Columbus faz com os movimentos de câmera, tanto no primeiro quanto no segundo filme. Vou explicar o que quero dizer com a cena de quadribol: Harry está prestes a pegar o pomo, mas sua vassoura começa a tremer e sacudir violentamente; o binóculo de Hermione passa da vassoura para a arquibancada imediatamente atrás, onde está Snape murmurando qualquer coisa, cercado de gente – outros professores. Ela atravessa o campo numa velocidade inacreditável, e taca fogo na capa do professor pra forçar a quebra de contato visual: e é aí que nós vemos que o professor atrás de Snape tropeça e derruba Quirrell. O foco volta pra Snape, calado, observando Harry com apreensão. A cena se encaixa em todas as suposições de Harry e engana bem o expectador que não leu os livros, e pra quem leu ali está o verdadeiro culpado perdendo o contato visual crucial para o feitiço.

Ao mesmo tempo que a câmera dá dicas para sustentar ambas as teorias, as expressões de Harry são um verdadeiro guia do expectador. Como o personagem do livro, Dan deixa bem claro com as expressões faciais se uma situação ou pessoa o agrada. Harry é um personagem de emoções extremamente sinceras; você pode perceber que nenhum personagem nunca tem dúvida sobre as opiniões ou os sentimentos dele. Talvez, como a gente vai ver, o quinto filme/livro possa ser uma exceção.

Na cena final, eu me lembro de ter discutido em fóruns de Voldemort tinha falado mesmo a verdade quando ele promete trazer os pais de Harry de volta caso ele se unisse ao Lorde das Trevas. J.K. Rowling deixa bem claro que uma vez morto, simplesmente não há volta para um personagem, o que desconsola muitos fãs de Sirius e Dumbledore. Porém, no livro sete nós recebemos a informação de que existe uma Pedra da Ressurreição, incapaz de realmente trazer os mortos de volta, mas capaz de reproduzir uma sombra bem convincente. Àquela altura ele sabia perfeitamente onde a pedra estava, mas ao mesmo tempo não sabia: fazia parte de uma de suas Horcruxes, partes da alma, colocada por acidente num anel de seu antepassado.

É claro que a chance maior era de que Harry morreria logo depois de aceitar ser parceiro de Voldemort, mas é sempre bom dar uma olhada no leque de possibilidades.

Amanhã, comentários sobre A Câmara Secreta!!

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Fazer as escolhas certas

Quem me conhece na vida real sabe: meu humor é baseado na auto depreciação.

Às vezes sobre meu peso aumentando ou caindo; sobre a minha capacidade quase sobre humana de comer, ou, principalmente, sobre as estratégias peculiares que os homens que eu amei usaram pra se livrar de mim, geralmente com alto grau de humilhação pública ou através de deleção total de auto estima da que vos escreve. Viu? Se você riu não tem problema, eu conto é pra isso mesmo.

O que eu quero dizer é que apesar do meu humor ter base no negativismo, se você me perguntar na honestidade, eu vou ser forçada a te dizer que me acho uma pessoa profundamente sortuda.

Quase ninguém consegue, com dezoito anos ou mesmo, dizer pra si próprio “Eu quero fazer a coisa X da minha vida”. Até porque idealmente, ninguém deveria ter que tomar uma decisão dessa magnitude tão cedo. É claro que achar que a decisão do que estudar na universidade ser um fator fatal e determinante do seu futuro é coisa de quem cresceu, bem… no mesmo ambiente que eu! Ah, como esquecer daqueles intervalos durante as aulas no Colégio Objetivo, quando todo mundo falava sobre os cursos e as cidades que iria fazer, classificando as profissões por salário, cidade com vida social mais agitada e por último… interesse.

Muito bem, quem me conhece sabe também que eu sou uma traidora do São Paulo way of life.

Hoje, eu não nego, aquelas meninas do Colégio Objetivo estão de formando em conceituadas faculdades particulares perto da cidade dos pais, arrumando um emprego na maior empresa do ramo em sua cidade, ou talvez até cresceram socialmente de forma impressionante – moram, acreditem, em Ribeirão Preto!

Claramente, tais prospectos de glória e sucesso eram demais pra mim.

Falando sério agora. Já perto de formar, pensando em monografia e talvez num mestrado, eu ouço as pessoas falando das respectivas faculdades, e da vida que levam. E pensando também na conversa que se desdobrou durante minha prova oral de italiano. Percebo que muito pouca gente, mas muito pouca gente mesmo, pode dizer o que eu digo:

“Eu amo o que estudo e amo a vida que construí pra mim nesses últimos anos. Sinto que acertei na minha escolha”.

Quero dizer, todos os romances pós modernos e todos os dramas da modernidade são sobre como você podia ter feito algo certo no passado e mesmo assim pisou no tomate. É tão errado assim que eu sempre me lembre de vinte e oito de janeiro de dois mil e sete? Se eu penso por dois segundos, consigo sentir a emoção de novo, de ver o meu nome na lista. É claro que me lembro também de quando fui aprovada na UEL e na UNESP, mas a mágica foi auto explicativa quando o resultado da UFMG saiu. Me lembro de ligar pra Melissa (nossa senhora do interurbano!) e assim que ela falou “alô”, eu berrei, “VOCÊ FICOU EM OITAVO, SUA FILHA DA PUTA!”, ao qual se seguiram gritos de “PASSAMOS!” e “vamos estudar juntas!”.

A Faculdade de Letras da UFMG é minha Hogwarts; eu me sinto à vontade. Por mais que eu odeie ter que fazer gramática tradicional antes de formar, e por mais que eu me preocupe com as novas gerações de calouros, ah, tem algo naquele lugar que me faz sentir em casa! É como se eu pudesse esticar as minhas asas, ser o que eu quero. Quando eu me pronuncio assim, desse jeito loucamente positivo, sempre tem alguém pra sacudir a cabeça, dizer que não tem essa relação com a faculdade. Estou ciente que quase ninguém na FALE se sente assim também. Mas recentemente eu resolvi que quando eu escrevo sobre o que eu amo, ao invés de escrever sobre o que eu odeio, não só perco dezenas de acessos – leitores querem polêmica, fodam-se vocês! – mas também durmo melhor, vivo melhor. Eu aconselho!

Brega é, sem dúvida, uma parte da gente!