Tudo que é sólido pode derreter

Faz tempo que eu conheço essa série, mas só hoje fui lembrar de postar!

“Tudo que é sólido pode derreter” é uma série baseada no curta metragem do mesmo diretor e com o mesmo título, com a protagonista Thereza (o nome da minha vó <3), uma menina de colégio e dos amigos dela. Algumas obras muito importantes das literaturas brasileira e portuguesa são abordadas de uma maneira muito coesa com os fatos do episódio. A protagonista está sempre se questionando e tendo uns insights de imaginação dignos de Lucas Silva e Silva. O que é mais bonito é que ela vê e conversa frequentemente com o tio, um diretor de cinema que morre ainda na história que está no curta metragem, mas isso é tratado com muita delicadeza, sem dramas, sem exageros.

A história é simples, mas conquista pela qualidade e pelo tanto que os personagens parecem reais. Não são adultos de 25 anos interpretando colegiais, igual na Malhação ou em séries internacionais. São adolescentes fazendo adolescentes, vestidos como adolescentes. Thereza não é melhor do que seus amigos, é parte de uma turma. Acho a coisa toda muito bonita e aconselho pra pessoas que mexem com literatura no ensino médio, ou que dão aulas de literatura de maneira geral:

Todos os episódios estão no youtube, mas fragmentados. Eu assisti no próprio site da série, Tudo que é Sólido Pode Derreter. Lá tem informações sobre os atores, sobre os episódios, e toda a trilha sonora, que é uma gracinha, principalmente a música de abertura. Muito recomendado.

Mandei e-mail para a equipe perguntando sobre a possibilidade de uma segunda temporada, mas apesar de confirmarem a possibilidade, não existe nada certo. Assistam! Ou vocês podem ter a paciência de ver na TV Cultura, onde eu descobri a série, de domingo à uma e meia da tarde, ou de segunda às seis da tarde. =]

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Sobre trabalhar

Trabalho desde o meu segundo período da faculdade, o que quer dizer desde os 18. Cumpri o plano dos meus pais, que era começar a trabalhar quando ficasse maior de idade. Fui estagiária de biblioteca, no IGC, durante seis meses; depois consegui uma bolsa de pesquisa no Laboratório de Tradução, e depois entrei pro CENEX, onde dou aula de inglês até hoje.

Não foi assim tão de boa. Fui rejeitada na minha primeira entrevista, atrás de estágios da FUMP, não passei de primeira na seleção da pesquisa, e fui demitida depois de duas semanas trabalhando numa escola duvidosa do centro.

Mas eis o cenário: tirei esse semestre pra trabalhar, fazer bem feitas as poucas matérias da faculdade nas quais me matriculei, e juntar dinheiro. Ao mesmo tempo, já me peguei negando aula particular (por insegurança sobre a minha eficiência), e hesitando em colocar cartaz oferecendo tradução. Olho pra várias propostas de estágio e fico achando sempre que é mau negócio. Bom, eu deveria ficar mais ocupada, né? Pegar o máximo de trabalho, porque estou precisando.

Então por que não fazer isso? A verdade é que eu acho que é defeito meu mesmo, porque dou muito valor ao tempo livre. Não conheço nada além da idéia básica do conceito de ócio criativo, e nem crio nada no meu ócio não, mas acho que fazer nada é muito importante pra sanidade mental. Sério mesmo! É claro que existem períodos nos quais você não pára. E é bom mesmo não parar pra não sair do ritmo; mas ainda assim, né?

A minha demissão da referida escola de inglês foi ao mesmo tempo muito ruim e muito boa. Ruim pelos motivos óbvios, era um bom dinheiro, e tal, eu poderia fazer um bom currículo, etc, etc, perder o medo de dar aula. Mas acho que acabei achando bom. Eles não me davam nenhum suporte, só me jogavam com o aluno e falavam ‘se vira’, quando eu deixei bem claro que nunca tinha dado aula, e apesar de saber inglês muito bem ([/modéstia]), não tinha didática nenhuma. A orientação foi zero. O amparo zero. A correria era absurda.

Então sabe? Existem lugares e lugares pra se trabalhar. Apesar de ter só um ano de experiência, e apesar de ainda não estar formada, faço o máximo pra não entrar mais em roubada. O Cenex tem seus viés, (viéses???) mas continua sendo o melhor trabalho possível, e me fez crescer muito em pouco tempo. Trabalhos assim fazem a gente querer voltar.

Balanço das férias

Bem, hoje teremos um post morno. Mas antes, vejam só que interessante. Até hoje, tive três post mais populares:

3o. Lugar: o post sobre editar contatos no msn: impressionante como pouca gente sabia disso!E pelo visto, é bem eficaz mesmo o método, já que até houve possíveis babacas assinando a caixa de comentários.

2o. Lugar: o da Lady GaGa, logo abaixo: minha opinião bem positiva dela trouxe gente bem interessante pra discordar. Essa discussão de pop deve ser levada adiante em outra ocasião, porque deu pra ver que pode render muito.

1o. Lugar: o post sobre ex namorados! Hahah. Não esperava muita coisa dele, mas bastante gente se identificou. Foi outra boa surpresa, quando as pessoas no msn vinham me contar que leram, porque fez eu me sentir menos freak.

Esse efeito veio do blog todo, inclusive, o que acabo considerando o melhor – e único – projeto nascido nas férias e que já teve algum desenvolvimento nas férias. Valeu a todos os meus leitores inesperados. =]

Mas bem, o assunto central não é exatamente esse. As pessoas geralmente fazem retrospectivas no fim do ano, o que é meio viagem, porque em janeiro quase nada se começa e menos coisas ainda se continuam. Então, antes do verdadeiro começo, ou seja, em março, resolvi pensar um pouco no que eu queria ter feito nas férias e o que no fim virou.

Ler: Não li nem a metade do que me propus, claro. Li os três últimos livros de Artemis Fowl, e a proposta de ler tudo de Jane Austen foi pelo ralo, só consegui Emma mesmo. Todos os outros eram, confessadamente, CHATOS. Li uns contos do Murilo Rubião, empréstimo da Aline, mas poucos. Ainda persevero lendo “O Processo”, do Kafka, mas não vou terminar antes do fim das férias. :/ Eu também tinha pegado um Charles Dickens, no qual nem encostei. Tem outros empréstimos, que ainda devo mexer.

Escrever: Aqui eu tive modestas propostas. Queria terminar minha fanfic de Harry Potter, continuar com meu diário. O que eu fiz? Criei o blog.

Videogame: Joguei muito Guitar Hero na Aline e graças ao Gustavo Frade, Ninteeeeeendo! Zerei Mario World. Eu sou demais. XD

Fotografia: Influência da Lívia. Agora que estou finalmente prestes a acabar de pagar minha linda câmera digital, uma Canon, minha conta no Flickr está meio abandonada. Mas semana passada eu voltei a mexer e fiz uma ou duas coisas legalzinhas. Conta no flickr

Jogos: The Sims. Criei a família, duas irmãs e seus pretendentes. Uma delas, minha favorita, teve cinco filhos, tá idosa na casa dela com o marido que a trai com a irmã gêmea. Um filho é gay e tá noivo, o resto é tudo mulher e só a primogênita tá noiva. Os quatro mais velhos na faculdade, o bebê ainda com os pais. O pai virou cientista maluco e vai ficar com a aspiração cheia pra sempre! hahahah.  Mandei uns poker no computador também. =]

Assistir: Como vocês sabem, vi a primeira temporada de Lost. Vi uns episódios de Gossip Girl no SBT e depois baixei a segunda temporada e já vi tudo. Vi poucos filmes, estava sem paciência. Vi uns no começo das férias, tipo o mais novo do Almodóvar, mas pouca coisa. Revi Stranger than Fiction esses dias. E Solitários! E não é que o emo ganhou? Tudo bem, mas o meu amor platônico, Cadu Pelegrini, ficou em segundo e ficou mais famoso! Hhahaha.

Viagem: Fui pra Piracicaba em janeiro, como postado aqui, fiquei em Palmeiras no ócio, fui pra BH (show do Cranbeeeeeeerries! *.*) e lá tive várias aventuras incríveis com uma galerinha da pesada. Conheci uma sex shop, fiquei absurdada, comi comida vegetariana, entre coisas normais, como tomar summer com cheetos requeijão na moradia. Atóron. Perto do Carnaval, Mucambeiro, o distrito de Matozinhos (aaaah, agora acertei), terra natal do Quito. Lá não teve muitas emoções, mas teve uma overdose de Skol e eu, erm, encostei numa criança, apesar de não gostar de crianças. Whatever, né. Voltei de AVION, dear. Em cinquenta minutos eu estava em Campinas, depois de comer feliz. Adoro andar de avião, sério mesmo.

Nada: Isso ocupou noventa por cento da coisa toda. Deitada na cama, depois deitada no sofá… Jogando videogame, depois conferindo as coisas na internet… Fiz tanto de nada, mas tanto, que ontem me peguei planejando mentalmente minha primeira aula.

Eu diria que estou pronta, finalmente. Claro que os traumas do semestre passado permanecem. Mas sabe? Eles não vão embora mesmo e eu já me conformei. Quem vai embora sou eu! E pra Inglaterra, setembro me aguarda! Mas só depois de uma luta homérica pra juntar dinheiro!

xoxo. XD

Lady GaGa – o que o pop precisava (?)

Bom, hoje eu estava sem assunto. Afim de escrever, mas se assunto. Pois que abro meu winamp e fico fuçando o que ouvir… E lá estava, Lady GaGa olhando pra mim.  É a primeira artista pop, mas pop mesmo, que não finge de rock nem de mpb, nem nada, é pop mesmo, que está presente na minha biblioteca de áudio.

Enquanto eu consultava a página dela na Wikipedia, me lembrei de como não teria sentido repetir aqui informações que vocês acham lá; então vamos só ao que interessa.

Cara, ela é muito esquisita! Hahaha. Desde o começo, o lado bizarro dela é o que mais chama à atenção. Demorei um pouco pra saber da existência dela – comentários soltos da Lara e da Denise, twitter, e finalmente numa festa, essas festas que acabam no youtube  – por causa do meu alheamento normal a televisão, em período de aulas e trabalho. Mas desde que vi pela primeira vez, simpatizei com ela.

modelo da pré adolescênciaQuando eu era pré adolescente, ou qualquer dessas fases bizarras de quando não se é criança, nem adulto, o modelo internacional era a Britney Spears. Naquela época, ela ainda queria que a gente acreditasse que ela era virgem, até o Justin Timberlake dar a real depois deles terminarem. Loira, linda, sarada, dança(va) bem e tudo o mais. Ela era modelo pra menininhas. E bem, por mais alheio que se possa ser, não tem muito pra onde fugir tendo meia hora de internet no domingo à noite e tv aberta a semana toda, ainda mais quando se é bolsista em escola particular.

Eu então cresci acostumada a enxergar a cultura pop apenas como uma tentativa de uniformização; da mesma moda eu via a moda, as músicas que todo mundo gosta. Cresci acreditando que não tinha meio termo: ou você está em todas e se mata pra ser igual as deusas do pop, ou ficava em casa lendo e ocasionalmente escrevendo (se bem que na época eu acho que escrevia na mesma proporção que lia).

Mais recentemente, algumas coisas me fizeram entender que o pop não é mais tão ditatorial assim. Agora você pode usar certas coisas a seu favor. O pop, claro, é passageiro; eu só não esperei que algo como a GaGa pudesse surgir.

os figurinos doidões da GaGa...Desde que eu vi os vídeos, tive a nítida sensação, confirmada depois numa entrevista dela pra Oprah Winfrey, que agora a mensagem transmitida por uma diva do pop é outra: it’s okay to be a freak. O esquisito está aí, não vai deixar de existir. Na verdade, o bizarro ganhou agora um ar chique, e mesmo genial, de quebra de paradigma mesmo. Agora a mensagem é clichê, concordo, mas muito mais promissora pra pré adolescentes: be yourself.

Já ouvi que as letras dela parecem ter saído de raps, só que com a mulher na posição de poder. Falam sobre querer dinheiro, e ser podre de rico, e sobre atitudes filhas da puta. Mas olha só, a atitude da GaGa não faz isso tudo parecer um pouco irônico? Fazer performances no final das quais ela morre? Tocar com Elton John do jeito mais doidão ever?

Eu sei bem pouco de música, confesso. Pouco ou nada. Mas tem algo de muito diferente e de muito interessante na GaGa. Apesar de ser tão espetaculosa, a própria GaGa é fechadíssima com relações pessoais, tem uma postura muito diferente. E, na minha opinião sincera, acho que uma freak talentosa é tudo de que o pop precisava a essa altura do campeonato, com as quedas das antigas divas (exceto Madonna, claro, que é tipo deus).

Flashback

Achei esse texto na internet, por acaso. Está num blog antigo da Melissa, mas é meu.

O que me preocupa é que eu me lembro do dia, lembro da dor, mas tenho medo que aquela Amanda de 2007 simplesmente tenha deixado de existir.

“Acabei de fazer uma coisa muito bonita.

Porém, ao mesmo tempo, acabo de descobrir que caridade dói, e dói uma dor física que sufoca.

Estava eu indo à FUMP (o prédio onde é gerida uma fundação de assistência estudantil, ou seja, um lugar que ajuda alunos pobres), quando o ônibus virou uma esquina e eu não pude deixar de olhar pra um mendigo, sentado sob o sol forte, com roupas escuras, todas rasgadas. O cabelo dele estava despenteado, parecia meio branco, meio cheio de poeira, e ele empurrava-o pra trás de quando em quando. Pensei que ele estava no começo da Augusto de Lima. Observei enquanto o sinal continuava fechado o modo como as pessoas passavam direto por ele e senti pena. Lembrei-me então de um desejo que eu guardava desde antes de me mudar, e prometi-me mentalmente que, depois de resolver meus assuntos na FUMP, compraria uma daquelas esfihas de carne do Habib’s, que são baratinhas, e levaria pra ele. Aquilo ia requerer uma caminhada enorme, mas eu decidi que não ia doer sair um pouco do meu caminho pra dar algo praquele homem comer.

Só que o 5102, pra quem não conhece, é um ônibus que dá voltas e voltas na Praça Raul Soares, e quando olhei para o começo da Augusto de Lima antes mesmo de descer do ônibus, vi que não era lá que ele estava. Desanimei, pensando que ele poderia estar em qualquer esquina no entorno da praça, e ficar rodando lá poderia ser perigoso. Daí surgiu a segunda promessa mental: se eu encontrasse outro mendigo no caminho, faria a caridade, mas sabia que era uma promessa vazia, porque o caminho do ponto de ônibus até a FUMP é curto e não costuma ter mendigos.

Resolvi meus problemas, fiz meu lindo orçamento de gramática e dicionário de inglês, e fui saindo do prédio. Assim que pus os pés do lado de fora, ali estavam elas. Três mulheres, parecendo tão miseráveis quando o mendigo da idéia original, estavam sentadas ao lado do prédio, com carinhas sonhadoras, uma delas só com os dentes de cima da frente, espaçados e protuberantes; outra parecia mais velha, com os cabelos cinzentos iguaizinhos aos do homem, e uma menina encostada nela. As três estavam pedindo esmolas com duas caixas de sapatos. Eu hesitei em passar no meio delas, dei a volta, fiquei parada na calçada, olhando pra elas, sem ser percebida.
Pensei: são três! Eu não tenho tanto dinheiro assim pra comprar esfiha pras três, e não posso dar de comer só pra uma. Vou embora…

Dei um passo à frente, parei de novo, e entrei na fila do Habib’s que fica ao lado da FUMP. Comprei três esfihas de carne pra viagem e saí do prédio.

Primeiro eu me aproximei daquela com poucos dentes. Nem lembro direito as palavras que eu usei. Algo sobre perguntar se ela estava com fome e se gostava de carne. Entreguei uma esfiha, ela me olhou toda feliz, disse: “Deus te abençoe”, e eu respondi “Amém”, mesmo sem ser mais católica, que é o que eu sempre faço, pra não magoar os sentimentos religiosos das pessoas. Só que quando eu me virei pras outras duas, que já estavam alegrinhas por antecipação, eu não aguentei e comecei a chorar. Balbuciei de leve que tinha comprado uma esfiha pra cada uma. Entreguei as esfihas pra elas, depois os guardanapos. Voltei e entreguei guardanapos de papel pra primeira mendiga também, porque eu tinha esquecido.

Respondi aos agradecimentos delas de novo e me joguei na faixa, onde o sinal estava aberto pros pedestres. Estava chorando que nem criança, não consegui aguentar. Estava também com essa dor de que eu falei no começo, que pareceu fazer o meu coração inchar, ficar imenso, e me apertar por dentro; não tinha espaço pra mais nada, só coração.

Fiquei triste, porque aquilo era tudo que eu podia fazer por elas. Fiquei puta, porque todo mundo passa reto, todos os dias. Fiquei com vergonha, porque era a primeira vez que fazia isso, quando isso deveria ser um ato rotineiro, não só meu como de todas as pessoas. Fiquei me sentindo uma espécie de Cinderella Man, mas isso não me deixou tão feliz comigo mesma quanto achei que me deixaria, porque, de certa forma, eu estava sentindo dor. Era tão forte que eu fiquei assustada, enquanto subia a Espírito Santo. Achei que não ia conseguir chegar ao ponto de ônibus, passei direto por um hotel rico, com engravatados conversando educadamente à porta, passei por dois moleques com camisetas de Medicina da UFMG. E aquela dor não passava. Eu subi no ônibus, me sentei e continuei chorando, com todos esses pensamentos piegas que a caridade gratuita envolve, como “por que as pessoas deixam outras sofrerem desse jeito?” ou “por que ninguém faz nada?”.

Não podia deixar de lembrar, também, do Machado de Assis, que é sempre essa droga dessa nuvem negra em cima da cabeça da gente, falando que nunca se faz nada gratuitamente. Se eu dei um pouquinho de comer pras mendigas, queria reconhecimento, seja por quem estava passando pela calçada, seja por quem vai ler essa postagem, ou qualquer pessoa que consiga ouvir essa história de mim. Mas tá doendo tanto, que eu queria abraçar a minha mãe. Nada que eu faça agora faz essa sensação passar, apesar de eu ter certeza que fiz não só uma coisa certa, como uma coisa admirável, mesmo que o meu subconsciente tivesse me jogado dentro do Habib’s só pra aumentar minha auto estima, ou a estima de vocês sobre mim. Muita gente condena esses atos aleatórios de alimentação dos pobres, porque é apenas um modo de ilusão. Bom, não seria, se vossas senhorias fizessem o mesmo, de vez em quanto. As três esfihas me custaram 1,70. Não dói não. O que dói é o que vem depois.

Outra vontade que me tomou conta foi de gritar com alguém, de cuspir na cara dos revolucionários que agora enchem o campus da UFMG. Me deu vontade de quebrar alguma coisa cara de alguém importante. Deu vontade de me esconder.”

Omegle – outra dica pro tédio online!

A novidade do dia pra mim já é meio old:

Omegle.com é o endereço perfeito para a insônia. É melhor ter um bom nível de inglês, se você quiser participar. Trata-se de um dos chats mais aleatórios de toda a internet. É só clicar em “Start a chat” e você é jogado numa sala com um total estranho que pode ser de qualquer lugar do mundo, qualquer tipo de pessoa!

Eu já encontrei gente bem interessante: um português que estuda na Inglaterra, uma japonesa que não sabia muito inglês, e me forçou a forçar um japonês estudado por um ano há mais de um ano, um canadense que ficou me perguntando se os brasileiros são todos “brown”, mas que acabou se revelando um cara legal e foi promovido ao msn. Até um carioca já encontrei!

É claro que a maior parte das vezes é difícil começar a conversa. Quem te atira logo de cara um “hi – asl?” provavelmente vai fechar a janela assim que você responder. Muita gente só afim dum sexo virtual – mas eu não entendo… Por que não ir ao seu equivalente nacional do UOL Sexo? Eu hein!

Anyway, divirtam-se, e me contem que tipos bizarros vocês encontram. Sempre que resolvo entrar, acabo só saindo umas três horas depois. =]

Comentário: Lost, primeira temporada

Em primeiro lugar, agradeço o feedback sobre o último post e fico feliz de saber que eu sou mais normal do que imaginava. Morte aos babacas!

Em segundo lugar, caí em tentação e acabei fazendo o muita gente já tinha me aconselhado: peguei esse tempo todo de férias, cujas madrugadas eu gastei jogando the sims avidamente, e comecei a baixar Lost, o famoso seriado superpopular. Tem gente enlouquecida com as várias temporadas. Uma grande amiga minha, Melissa, me disse que só valiam a pena as duas primeiras temporadas, porque foi quando começaram a esticar e confundir a história só porque estava dando dinheiro.

Pelo sim, pelo não, resolvi dar uma chance e se achasse ruim, poderia falar mal com propriedade. Demorei tanto por dois motivos: o negócio me parecia assustadoramente popular e porque semestre passado eu estava muito ocupada, não podia me dar ao luxo de viciar numa outra história (já que no fim do semestre eu estava na onda Artemis Fowl, que merece um post – qualquer dia desses) . De qualquer maneira, noite passada terminei a primeira temporada, e já baixei dois episódios da segunda, agendados pra madrugada de hoje.

Em primeiro lugar, muita gente gosta de Lost por causa das narrativas em paralelo: você sempre tem um dos personagens colocado em posição central nos acontecimentos e intercala essa ação com flashback. Como a história se passa numa ilha deserta com cerca de 40 improváveis sobreviventes de uma queda de avião (de Sidney a L.A.), os episódios da primeira temporada estão focados no que trouxe cada um dos cerca de dez personagens principais àquele voo específico.

O protagonista dos protagonistas, Jack, é um tipo irritante pra mim. Ele é toda a romantização que se faz da carreira de médico transformado em realidade. É um líder natural, mas também é impulsivo e, sinceramente, nada disposto a compreender os outros. É cheio de julgamentos de moral. Pessoalmente, não me dou maravilhosamente bem com esse tipo de pessoa. O clichê dele entrar em desespero quando perde um paciente me deixa muito aborrecida, e me dá uma sensação daquela cena do início de Cidade dos Anjos.

O potencial par romântico dele, Kate, é uma personagem cheia de segredos, mais do que todos os outros. Cada pequena informação dela é obtida com muita dificuldade. Ela é muito bonita, como seria de se esperar, de tão cabeça dura e intempestiva quanto Jack.

Resta só se apaixonar pelo personagem mais previsível de me conquistar: Saywer.Josh Holloway como Sawyer

Por que é previsível sendo eu? Bem, ele é durão, tem humor negro, é imprevisível e, claro, delicioso. Nó gente. Tudo bem que exageram nas cenas sem camisa, mas não sou eu que vou reclamar. Na primeira temporada ele é visivelmente apaixonado – ou pelo menos tem uma coisinha – pela Kate. Gosto muito do jeito como ele demonstra. É sutil, e ainda assim honesto. Gosto muito de quando ele conta ao Jack sobre alguém que encontrou antes de pegar o avião.

Sobre os mistérios da ilha, bem… Todos eles me remetem com força a um seriado velhíssimo, que passou na Record e depois na Band, “O Mundo Perdido“. No fim da postagem deixo o link pra um dos episódios. Esse seriado mais antigo está não numa ilha, mas num platô, e o elenco é composto de uma expedição científica que não consegue encontrar a saída pro litoral. O que eles tem em comum: simples. Ambos tem enredos que começam clichês, mas que vão ficando mais e mais complicados conforme se desenvolvem.  Até aí continua tudo bem, mas ambas as histórias vão progredir para concluir que algum propósito fez com que exatamente esses personagens estivessem naquela situação, e que para todas as perguntas haveria uma só resposta. “O Mundo Perdido” não terminou, e o máximo que pude achar há uns anos na internet foi um esqueleto do roteiro do final, pra saber por cima como seriam essas respostas, que até agora achei mais bem amarradas que em Lost.

Voltando ao seriado, tudo bem que ele é focado em flashbacks, e que estes são responsáveis por tocar a história pra frente, de modo a conquistar quem assiste. Basicamente, esses flashbacks tentam fazer a gente se identificar com a dor dos personagens, colocados em cenários familiares a nós: fim de namoro, gravidez indesejada, traição, problemas familiares… É bom e velho Aristóteles atacando novamente: assim você pensa, “nossa que foda, hein” e ao mesmo tempo “que bom que não é comigo”, citando o Jacyntho, professor de literatura grega da FALE.

O problema é que os personagens se comunicam muito pouco. Não sei se isso melhora e/ou progride na segunda temporada, que ainda vou começar a ver, mas eles estão sempre imersos no passado, e são afetados demais por ele nas ações presentes. Isso faz com que seja muito difícil qualquer aproximação real. Na verdade, aproximações não são o foco nessa temporada. Por exemplo, você só vê nuances de como Shannon e Sayid ficam juntos.

Bem, eu vou terminar esse post por aqui. Agora também estou baixando Gossip Girl – eu mereço minha pílula diária de futilidade + vocabulário nova iorquino – e quem sabe eles ganhem um post, caso tenha algo que valha a pena analisar. Fico por aqui, sabendo que ninguém vai ler esse post, já que os de Solitários e Emma, tão grandes quanto esse, foram os menos populares. Mas ah, se fosse pra ser popular eu entrava na academia e ia pro Big Brother… =]